O conflito armado no Oriente Médio, focado na guerra no Irã e no Líbano, forçou mais de 4,5 milhões de pessoas a abandonarem suas casas ao longo de março de 2026. A ofensiva, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel, já deixou um saldo trágico de pelo menos 3.235 mortos e 28.735 feridos na região. A crise humanitária se agrava rapidamente em decorrência da destruição de infraestruturas bélicas e civis, somada ao histórico de sanções econômicas impostas pelo Ocidente ao regime iraniano.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, os governos de Washington e Tel Aviv possuem o objetivo militar de derrubar a teocracia e desmantelar o programa nuclear local. Em retaliação, o Irã atua bloqueando o estreito de Hormuz, utilizando seu poderio armado contra embargos e bases americanas instaladas em nações vizinhas. Para o Brasil, a tensão nesta rota marítima — por onde escoa uma parcela significativa do petróleo mundial — acende um alerta direto sobre o possível aumento nos preços internacionais do barril, o que costuma encarecer os combustíveis no mercado interno.
Como as sanções e a guerra impactam a população civil?
A professora e pesquisadora de conflitos internacionais da Fecap, Isabela Agostinelli, destaca que a estratégia das forças de coalizão sempre foi estimular uma mudança de regime no país. No entanto, ela ressalta que a sociedade compreende a origem externa da pressão econômica.
No fim das contas, a ideia é pressionar, com as sanções, a mudança de governo. Só que isso nunca aconteceu. […] sabem que essas sanções vêm de fora e acabam atingindo a população civil e fomentando ainda mais o poderio militar, econômico e financeiro das elites.
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Com a intensificação dos bombardeios, os protestos internos por questões econômicas deram lugar a um movimento massivo de fuga em busca de segurança. Babar Baloch, porta-voz do Acnur, a agência para refugiados da ONU, relatou as dificuldades extremas enfrentadas pelas famílias e pelos próprios agentes de resgate no território conflituoso.
Quando vemos prédios desabando por toda parte, pessoas perdendo suas casas, seus meios de subsistência e tudo o que possuem, então, para onde quer que se mudem, elas perdem coisas básicas de que precisamos em nossas vidas.
Quais são os reflexos da guerra nos países vizinhos?
A instabilidade extrapolou as fronteiras iranianas e libanesas, atingindo nações aliadas aos Estados Unidos no Golfo Pérsico. O regime de Ali Khamenei passou a direcionar mísseis e drones contra diversas monarquias árabes que abrigam instalações militares americanas. Entre os principais países afetados por esta dinâmica estão:
- Arábia Saudita
- Emirados Árabes Unidos
- Bahrein
- Omã
- Qatar
- Kuwait
A pesquisadora Isabela Agostinelli avalia que esses países estão percebendo que a proteção americana não é garantida e passam a enxergar Israel como um fator de ameaça regional. O número de vítimas fatais ilustra a gravidade da situação: há o registro de 1.318 mortos no território libanês e 1.937 em solo iraniano. O deslocamento de 3,2 milhões de indivíduos no Irã nas últimas semanas supera de forma contundente o pico anterior de 520 mil pessoas registrado durante o ano de 2019.
Por que o conflito gera um efeito cascata em escala global?
A crise no Oriente Médio afeta diretamente o funcionamento de agências de ajuda humanitária ao redor do mundo. O fundo para a infância da ONU, o Unicef, possui seu principal centro logístico em Dubai, local que se tornou alvo frequente de bombardeios. O porta-voz da instituição, Ricardo Pires, alerta que o desabastecimento pode atrasar as operações globais em até seis meses, afetando dezenas de nações na África, Ásia e nas Américas, incluindo o Brasil.
Crianças muitas vezes não podem esperar suprimentos críticos de nutrição ou de saúde. Isso pode causar sua morte. […] Está virando realmente um efeito borboleta caótico que, se continuar dessa maneira, vai ter um impacto muito, muito pesado para milhões de crianças ao redor do mundo.
Em pronunciamento oficial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que as missões militares estão próximas do fim, embora não tenha estipulado um prazo exato. Ele argumentou que a nação persa está derrotada e reduziu a importância do fechamento da rota comercial no estreito de Hormuz.
Nós vamos levá-los de novo para a Idade da Pedra, aonde eles pertencem. […] Nós não precisamos do Oriente Médio, não precisamos do petróleo deles.
Apesar das declarações sobre o controle da crise energética, organizações internacionais insistem que as soluções alternativas de mitigação são temporárias. Agências humanitárias reiteram a necessidade urgente de uma resolução para evitar um colapso completo nas redes de distribuição de mantimentos vitais.

