A escalada das tensões no Oriente Médio, com o ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã, reacende o debate sobre a segurança energética global e a dependência de combustíveis fósseis. O conflito expõe a vulnerabilidade da economia mundial a instabilidades geopolíticas e os riscos inerentes à exploração e distribuição de petróleo e gás. A crise surge dois meses após a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, motivada pelo interesse nas reservas de petróleo do país. De acordo com informações da Agência Pública, o episódio serve de alerta para a diplomacia climática mundial, evidenciando que combustíveis fósseis não garantem segurança. O artigo foi publicado em 3 de março de 2026.
Este argumento é central para defensores da continuidade do uso de petróleo e gás, apesar dos impactos negativos do aquecimento global causado pela queima desses combustíveis por mais de 150 anos. A instabilidade no Irã, um dos maiores produtores de petróleo e detentor de vastas reservas, com grande parte da sua produção destinada à China, agrava as preocupações.
O Irã controla o Estreito de Ormuz, uma via crucial de apenas 34 km que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo mundial. Em 2 de março, o Irã fechou o estreito, elevando os preços do petróleo globalmente e gerando apreensão nos mercados.
Em resposta aos ataques, o Irã retaliou, atingindo aliados dos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio, incluindo um ataque de drones à maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita. O Catar também suspendeu a produção de gás natural liquefeito (GNL) após ser atingido, impactando o fornecimento para a Ásia, especialmente a China, e, em menor escala, a Europa.
Qual o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz no mercado global de energia?
O fechamento do Estreito de Ormuz expõe a fragilidade da segurança energética global devido à dependência de combustíveis fósseis. A situação demonstra como um único ponto crítico pode desestabilizar o sistema energético mundial.
“A nova guerra contra o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz expõem os custos horrendos de um mundo preso aos combustíveis fósseis. Quando a segurança energética global pode ser abalada por um único ponto crítico, isso demonstra o quão instável e arriscada é nossa dependência do petróleo e do gás”, afirmou Olivia Langhoff, diretora administrativa da ONG 350.org.
Langhoff defende que apenas fontes renováveis podem garantir energia segura e acessível, independentemente de crises geopolíticas.
Quem se beneficia da crise energética no Oriente Médio?
Os exportadores de GNL dos Estados Unidos, o maior produtor mundial, vislumbram uma oportunidade de aumentar sua participação no mercado global. A suspensão da produção de GNL pelo Catar abre espaço para os EUA se posicionarem como alternativa de fornecimento.
“Esta incursão é uma mina de ouro para os exportadores de GNL dos EUA e uma catástrofe para todos os outros. O Catar suspendeu as exportações após suas instalações industriais terem sido danificadas. Isso nunca aconteceu nos 30 anos de história das exportações de GNL do Catar. A perda de volume em termos de oferta é potencialmente comparável à perda de gás russo por gasoduto para a Europa em 2022”, analisa Seb Kennedy, analista global de gás da EnergyFlux.news.
A crise atual acelera ou retarda a transição energética?
A crise pode ter efeitos ambíguos na transição energética. Por um lado, a instabilidade e os altos preços do petróleo podem impulsionar a busca por alternativas renováveis. Por outro, podem incentivar outros produtores de combustíveis fósseis a aumentar a produção para suprir a demanda, retardando a transição.
Pauline Heinrichs, pesquisadora de Estudos de Guerra do King’s College London, argumenta que a dependência de combustíveis fósseis é uma ilusão de segurança.
“Nossa estratégia de segurança atualmente se resume a responder às crises induzidas pelos combustíveis fósseis (…) E isso tem um custo para as pessoas, o planeta e a segurança. Se quisermos levar a estratégia de segurança a sério, precisamos reduzir a insegurança causada pela dependência dos combustíveis fósseis”, diz Heinrichs.

