O governo do Irã está conduzindo uma massiva guerra de informação global nas redes sociais, utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa para espalhar vídeos e narrativas falsas. A estratégia tem como alvo principal os Estados Unidos e Israel, com o objetivo de influenciar a opinião pública ocidental e desviar a atenção das perdas militares reais no campo de batalha. Em 29 de março de 2026, o tema também dialoga com o debate brasileiro sobre desinformação e segurança digital, já que campanhas coordenadas em plataformas globais podem alcançar usuários no país e influenciar discussões públicas fora da zona de conflito.
De acordo com informações do UOL Notícias, o regime iraniano conta com o apoio tático da Rússia e da China para disseminar conteúdos que exploram a oposição global ao conflito. Pesquisadores e organizações de direitos humanos relatam que veículos da mídia estatal produzem materiais cinematográficos que simulam ataques bélicos que nunca ocorreram, distribuindo o material para milhões de usuários em redes variadas, antes que haja qualquer tipo de moderação efetiva ou bloqueio institucionalizado.
Como o Irã estrutura a disseminação de fake news?
Para propagar as campanhas difamatórias, os operadores do governo utilizam redes complexas de contas falsas que simulam cidadãos comuns. Especialistas da Universidade Clemson identificaram um grupo de pelo menos 62 perfis ativos que distribuem material bélico e conspiratório. Essas contas, controladas operativamente pela Guarda Revolucionária do Irã, assumem identidades fraudulentas de cidadãos falantes de espanhol e inglês em diversas regiões geográficas das Américas e da Europa.
A operação de guerrilha digital vai muito além da simples criação de perfis fictícios e utiliza táticas avançadas de apropriação de publicações. As metodologias técnicas identificadas pelos especialistas em segurança digital incluem as seguintes abordagens principais:
- Replicação de postagens de influenciadores ocidentais reais, com foco naqueles que abordam assuntos internacionais polêmicos.
- Distribuição simultânea e robótica de trechos de entrevistas televisivas de cunho político, com o objetivo de gerar tráfego artificial.
- Criação de montagens em formato de vídeo envolvendo figuras públicas internacionais, como o presidente Donald Trump e líderes como Vladimir Putin.
- Foco maciço e coordenado no TikTok, onde os conteúdos ilícitos atingiram mais de 145 milhões de visualizações em apenas duas semanas.
- Menções estratégicas e constantes a investigações envolvendo Jeffrey Epstein, visando desviar a atenção pública dos confrontos armados no Oriente Médio.
Qual é o impacto da propaganda cibernética na política mundial?
Apesar da dificuldade de medir as consequências exatas no mundo físico, os analistas observam que a estratégia impulsiona ativamente o desconforto e a indignação popular nas democracias ocidentais. O ataque virtual incluiu a fabricação de um vídeo realista que mostrava um míssil fictício atingindo a Ilha da Liberdade, localizada no porto de Nova York. Além disso, a rede estatal iraniana SSN TV chegou a transmitir material gerado artificialmente zombando da logística estadunidense na manutenção das rotas comerciais pelo Estreito de Hormuz, passagem marítima estratégica para o comércio global de petróleo.
A eficácia das operações conduzidas por Teerã contra as grandes potências ligou o alerta nos departamentos de defesa. O diretor do Media Forensics Hub, Darren L. Linvill, avalia a preparação estrangeira para a guerra cognitiva atual:
“Eles estão vencendo a guerra de propaganda. Eles estavam mais preparados para isso do que o governo, porque vinham se preparando para esse conflito há 50 anos.”
De que maneira os países aliados participam desta guerra digital?
A aproximação tática entre nações com interesses convergentes amplifica o alcance global das mensagens. A empresa de análise Graphika reportou que as operações atuam de forma extremamente alinhada, com a mídia estatal de Moscou e de Pequim ecoando e validando as narrativas propostas pelo governo do Irã. O grupo investigativo Honest Reporting descreveu a enxurrada de informações como uma mobilização inautêntica, desenhada para induzir o cidadão a acreditar que o conflito foi inteiramente manipulado politicamente pelos governos democráticos.
Em contrapartida, as forças militares norte-americanas e as grandes empresas de tecnologia tentam conter o avanço das falsificações documentais. Uma das ações oficiais mencionadas no material desmentiu a alegação de que um caça-bombardeiro modelo F/A-18 teria sido abatido pelas defesas do Irã. Independentemente dos bloqueios, relatórios independentes da firma Cyabra atestam que a campanha estruturada continua vigorosa, empregando automação em larga escala para forjar uma dominância inexistente nos verdadeiros campos de batalha do Oriente Médio.


