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Governo Trump quer trocar bisões por gado em terras públicas; medida sinaliza guinada ambiental

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Um grupo de bisões pasta em uma vasta planície gramada sob um céu aberto em uma reserva natural dos EUA.
Foto: Frank.Vassen / flickr (by)

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, propôs o cancelamento dos arrendamentos de pastagens em terras federais para rebanhos de bisões no estado de Montana. A medida, anunciada no início de 2026 pelo secretário do Interior, Doug Burgum, visa proibir que os animais da organização American Prairie utilizem áreas administradas pelo Bureau of Land Management (BLM), agência responsável pelas terras públicas federais norte-americanas. A decisão reverte políticas ambientais anteriores e favorece diretamente a indústria de criação de gado bovino dos EUA, um dos principais concorrentes do Brasil no mercado global de carne.

De acordo com informações do Inside Climate News, o Departamento do Interior argumenta que os bisões não estão sendo criados para “fins orientados à produção” e, portanto, não possuem o direito legal de pastar nas terras arrendadas. A autarquia federal historicamente priorizou o uso dessas áreas para a pecuária bovina e a mineração.

Qual é o impacto da medida para os bisões e pecuaristas?

Caso a regulamentação seja aprovada de forma definitiva na próxima primavera do Hemisfério Norte, mais de 950 bisões serão expulsos de dezenas de milhares de acres de terras públicas. Os animais pastam nessas áreas, cercados por barreiras elétricas e sem incidentes graves, há duas décadas.

Com a saída dos bisões, o gado bovino ocupará o espaço. Os pecuaristas serão beneficiados pelos valores de arrendamento altamente subsidiados oferecidos pelo governo federal. As taxas cobradas por animal nas terras da União são cerca de 90% mais baratas em comparação com os custos exigidos para a pastagem em propriedades privadas no estado de Montana.

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A decisão reflete uma mudança de postura na atual gestão. O governo revogou a determinação da administração de Joe Biden, que colocava a conservação ambiental em pé de igualdade com a extração de recursos e a pecuária no uso das terras públicas do país. O embate sobre o uso do solo tem paralelos diretos com as discussões no Brasil, onde a expansão agropecuária frequentemente divide espaço com debates sobre demarcações e preservação ambiental.

Como as autoridades e organizações reagiram à proposta?

O governador de Montana, Greg Gianforte (Partido Republicano), demonstrou forte apoio à expulsão dos bisões, alinhando-se aos interesses dos pecuaristas que impulsionam a economia agrícola local. Em comunicado oficial, o político celebrou a iniciativa federal.

“Durante anos, levantamos sérias preocupações sobre a falha do governo federal em ouvir as pessoas que vivem e trabalham na terra. Ao propor o cancelamento dessas permissões, o BLM finalmente reconhece que o exagero federal não pode ocorrer às custas de nossas comunidades locais e da agricultura de produção que alimenta nossa nação.”

Por outro lado, a medida gerou indignação entre organizações ambientalistas e lideranças indígenas. O alvo inicial da decisão são sete lotes federais mantidos pela fundação American Prairie, que atua na compra de fazendas no leste de Montana para criar uma vasta reserva natural. O objetivo do grupo é restaurar o ecossistema com a presença de bisões, lobos, ursos e outros animais nativos.

Por que as tribos indígenas temem a nova regulamentação?

A repercussão da proposta ultrapassa as fronteiras de Montana e atinge regiões desde as Grandes Planícies até a Califórnia. Atualmente, os Estados Unidos abrigam cerca de meio milhão de bisões, muitos criados para fins de conservação e consumo. A Coalition of Large Tribes (COLT), que administra 25 mil búfalos e representa mais de 50 tribos indígenas, expressou profunda preocupação com o precedente aberto.

As tribos nativas criam os animais por diversos motivos essenciais e históricos, que incluem:

  • Propósitos espirituais e culturais intrínsecos à tradição indígena;
  • Restauração ecológica das pastagens naturais nas reservas;
  • Nutrição das comunidades locais, visto que a carne de bisão é mais magra que a bovina;
  • Geração de renda por meio da comercialização sustentável.

O diretor executivo da coalizão tribal, OJ Semans Sr., criticou duramente a preferência concedida à pecuária tradicional nas políticas de arrendamento do governo.

“A decisão proposta pelo Departamento do Interior colocaria um estrangulamento em nossa capacidade de aumentar nossos rebanhos de búfalos. Não deveríamos ter o governo federal dizendo que apenas o gado tem direito aos arrendamentos acessíveis do BLM. É simplesmente muito estúpida a maneira como eles estão fazendo isso. É DEI para vacas.”

Os advogados da coalizão apresentaram um aviso formal de protesto em Washington. O documento jurídico alerta que a redação atual da medida impediria que qualquer governo tribal fosse elegível para arrendamentos de pastagem no futuro. Criadores não tribais que também utilizam as terras federais começaram a se mobilizar contra a proposta, indicando uma batalha prolongada sobre o uso do solo público americano.

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