O governo federal dos Estados Unidos avançou na primeira semana de abril de 2026 com um processo administrativo controverso que visa expandir substancialmente a perfuração de poços de petróleo e de gás natural em uma vasta região considerada historicamente sagrada por povos indígenas e diversas tribos locais. A medida, que reflete uma política energética voltada à ampliação da oferta de combustíveis fósseis, tem como alvo principal a área do Chaco Canyon, localizada no estado do Novo México, e pode reverter de forma definitiva as proteções ambientais e culturais que haviam sido estabelecidas em legislações anteriores.
De acordo com informações da CleanTechnica, a atual administração iniciou em 31 de março um período oficial de consulta pública com a duração de apenas sete dias. Trata-se do próximo passo burocrático na proposta de abrir a região do Greater Chaco para a exploração de hidrocarbonetos. Este prazo estabelecido pelo governo é considerado atipicamente curto por especialistas, uma vez que as propostas tradicionais de arrendamento para este tipo de exploração costumam oferecer janelas de 30 a 60 dias para a manifestação adequada da sociedade civil e das populações diretamente afetadas.
A iniciativa governamental busca anular na prática os efeitos da Ordem de Terras Públicas 7923. Este importante decreto, que havia sido finalizado formalmente no ano de 2023 durante a gestão de Joe Biden, garantiu a proteção de 336.400 acres de terras públicas localizadas ao redor do Parque Histórico Nacional da Cultura Chaco, blindando o local contra qualquer tipo de desenvolvimento industrial ou extrativista por um período legal garantido de 20 anos. O processo de reversão dessa norma teve início no final do ano anterior e agora ganha tração processual.
Quais são os impactos diretos da liberação ambiental na área?
Caso a nova proposta encabeçada pela atual administração federal seja oficialmente aprovada e homologada, o cenário de preservação patrimonial mudará drasticamente. A nova autorização permitirá que contratos inéditos de arrendamento de petróleo e gás e o desenvolvimento de pesada infraestrutura em terras federais sejam permitidos a uma distância de até 16 quilômetros (dez milhas) dos limites originais do parque histórico.
Essa expansão industrial desenfreada afetaria diretamente o ecossistema e o entorno do patrimônio histórico. Os principais pontos de risco apontados por defensores da área incluem:
- Ameaça severa aos recursos arqueológicos e culturais insubstituíveis que estão espalhados por toda a extensão da paisagem.
- Possibilidade real de operações de perfuração pesada operando em terras que fazem fronteira direta e imediata com as áreas demarcadas do parque.
- Impactos negativos irreversíveis na saúde pública e na segurança básica das comunidades vizinhas que habitam e protegem a região há sucessivas gerações.
Como as organizações e ativistas reagem à medida do governo?
A reação das entidades de conservação ambiental e de defesa ativa dos direitos dos povos indígenas foi imediata e altamente crítica em relação à celeridade e ao mérito do processo administrativo. A Sierra Club, conhecida como a maior e mais influente organização ambiental de base dos Estados Unidos, posicionou-se fortemente contra o fim abrupto das proteções territoriais.
A presidente do comitê executivo do capítulo Rio Grande da organização, Diane Reese, emitiu um comunicado contundente detalhando a gravidade extrema da situação para os povos originários e para a manutenção do ecossistema local preservado.
“Abrir a região do Greater Chaco para perfuração de petróleo e gás ameaça a saúde e a segurança das comunidades próximas e a integridade dessa paisagem sagrada. As pessoas que chamam esse lugar de lar deixaram suas vozes claras – elas querem esse lugar protegido, não vendido. Revogar as proteções do Chaco Canyon prejudicaria as relações com as Nações Tribais e sacrificaria recursos culturais e históricos para aumentar os lucros corporativos. Apoiamos as comunidades locais que continuam a pedir proteções permanentes para este lugar especial.”
A tentativa de expansão da perfuração reabre debates críticos sobre os limites da exploração de recursos naturais em territórios que abrigam a memória e a espiritualidade das Nações Tribais norte-americanas. Para países como o Brasil, a decisão também sinaliza uma mudança na política climática da maior economia do mundo, colocando em evidência o conflito entre a expansão da indústria dos combustíveis fósseis e o esforço global de preservação ambiental.
