Na última segunda-feira, 23 de março de 2026, o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), realizou o lançamento oficial do projeto Plastic Reboot em Belém. O evento, sediado no auditório Samaumeira, na unidade da Semas Bosque, reuniu especialistas, gestores públicos e representantes do setor produtivo com o objetivo de estabelecer estratégias para a redução do uso de plásticos e o fortalecimento da economia circular no estado.
De acordo com informações da Agência Pará, a iniciativa possui abrangência global, envolvendo 14 países e cinco regiões brasileiras. O foco inicial da ação na capital paraense é o setor HORECA — sigla que compreende hotéis, restaurantes e serviços de alimentação —, identificado como um dos maiores geradores de resíduos plásticos em centros urbanos.
Qual é o principal objetivo do projeto Plastic Reboot no Pará?
O projeto visa transformar a relação da sociedade com o plástico, incentivando a transição de um modelo de descarte para um sistema econômico sustentável. A proposta busca mitigar a poluição ambiental, especialmente nos oceanos, alinhando as políticas públicas locais às metas ambientais globais. O workshop em Belém serviu como uma etapa inicial de diagnóstico e escuta ativa, fundamentais para a elaboração de ações que serão implementadas nos próximos anos.
A articulação entre diferentes esferas da sociedade é vista como um pilar central para o êxito da iniciativa. O representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Leandro Viegas, enfatizou a necessidade de uma abordagem colaborativa para enfrentar o problema. Segundo ele:
“A proposta é reunir diferentes atores para pensar soluções práticas e viáveis, promovendo mudanças na forma de produzir e consumir plástico. Esse é um desafio que só pode ser enfrentado de forma colaborativa, com a participação do poder público, do setor produtivo e da sociedade.”
Como o setor de hotelaria e alimentação será impactado?
O setor HORECA é prioridade devido ao alto volume de plásticos de uso único utilizados em suas operações diárias. O projeto pretende oferecer ferramentas e conhecimentos para que bares, hotéis e restaurantes adotem práticas mais conscientes. A coordenadora do Núcleo de Políticas Estratégicas e de Transição Justa da Semas, Adriana Nunes, explicou que a consolidação dessas soluções depende da criação de redes de cooperação, conhecidas como hubs de inovação.
A gestora ressaltou que o papel do Estado é essencial para atuar como um replicador desses modelos sustentáveis nos municípios paraenses. A intenção é que as estratégias discutidas no âmbito internacional e nacional possam ser adaptadas e aplicadas à realidade de cada localidade dentro do Pará, fortalecendo a economia regional de forma limpa.
Quais políticas públicas estaduais reforçam essa iniciativa?
O lançamento do Plastic Reboot ocorre em conjunto com a estruturação da política estadual de economia circular, denominada Pará Circular. O secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, pontuou que o governo está criando instrumentos legais e incentivos para apoiar práticas sustentáveis no setor de serviços. O diálogo direto com os envolvidos é considerado o caminho para construir soluções eficazes e duradouras.
A Semas é o órgão do governo paraense responsável pela política ambiental do estado. Já o PNUMA, citado na governança do projeto, é a agência da ONU voltada à coordenação de ações ambientais em âmbito internacional.
A execução do projeto conta com uma estrutura de governança multifacetada que inclui:
- Execução técnica pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI);
- Implementação pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA);
- Gestão de recursos pela Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).
Com essa rede de apoio, o Pará busca não apenas reduzir o impacto imediato do lixo plástico, mas também se posicionar como um protagonista na transição para uma economia mais verde e eficiente na Região Amazônica.

