Google usará usina de gás no Texas para IA, desafiando metas de energia limpa

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O Google está estruturando uma parceria para utilizar energia de uma usina de gás natural com o objetivo de abastecer um de seus novos data centers de inteligência artificial no Texas, Estados Unidos. A movimentação marca uma mudança drástica na postura da gigante de tecnologia, que historicamente se posicionava como pioneira em energia limpa e mantinha a promessa de neutralidade de carbono até 2030. O recuo nas metas climáticas das big techs levanta debates diretos no Brasil, país que tem recebido bilhões em investimentos para abrigar data centers e que tenta usar sua matriz energética predominantemente renovável como um diferencial competitivo para o setor. De acordo com informações do Guardian Environment, a iniciativa foi descoberta por meio de uma pesquisa divulgada no início de 2026 e confirmada pela própria corporação.

A nova usina térmica será construída no condado de Armstrong, uma região pouco povoada no norte do território texano. O projeto está sendo conduzido pela Crusoe Energy, empresa que se uniu ao Google para desenvolver o complexo de servidores batizado de “Goodnight”. Documentos apontam que a Crusoe solicitou uma licença em janeiro de 2026 para erguer uma instalação com capacidade de gerar 933 megawatts no próprio local. A estrutura operaria fora da rede elétrica convencional e forneceria energia para pelo menos dois edifícios do complexo, e imagens de satélite indicam que as obras já estão em estágio avançado.

Qual é o impacto ambiental da nova usina térmica do Google?

Os dados da licença solicitada pela Crusoe revelam que a usina de energia térmica poderá emitir até 4,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Para fins de comparação, esse volume supera as emissões anuais de toda a cidade de São Francisco, na Califórnia, que lança cerca de quatro milhões de toneladas do gás na atmosfera. O dióxido de carbono é um dos principais causadores das mudanças climáticas, o que torna o projeto controverso frente ao histórico da big tech.

Michael Thomas, fundador da organização de pesquisa Cleanview e autor do relatório que revelou a usina, destacou a gravidade da mudança de estratégia ambiental da empresa.

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O Google passou décadas construindo a imagem de líder em energia limpa. Sempre os considerei os mais comprometidos com suas metas climáticas. Mas esses projetos sugerem que uma grande mudança estratégica pode estar em andamento na empresa.

Questionada sobre a parceria com a Crusoe, a porta-voz do Google, Chrissy Moy, não negou a existência do projeto da térmica, mas afirmou:

Não temos um contrato em vigor para a usina no Texas.

Ainda não está claro qual será o volume de eletricidade que a companhia comprará da instalação, visto que as negociações seguem em andamento. A representante também mencionou uma parceria paralela na mesma região envolvendo um parque eólico com a fornecedora Serena Energy. A Crusoe Energy não respondeu aos pedidos de comentários da imprensa.

Por que as big techs estão abandonando as metas climáticas?

A instalação no Texas é a terceira unidade movida a gás com a qual o Google se envolveu apenas nos últimos meses. Em outubro do ano passado, a empresa anunciou um acordo para comprar energia de uma usina em Illinois. No mês seguinte, documentos obtidos pelo Flatwater Free Press mostraram que a empresa explora outro grande projeto de combustíveis fósseis no estado de Nebraska.

Apesar das evidências, a corporação defende que seu foco principal continua sendo a energia livre de carbono e alega não ver o uso do gás natural como um abandono de suas metas. A empresa declarou que está mudando de uma estratégia focada na compra de créditos de carbono para a construção efetiva da rede elétrica. No entanto, quando questionado recentemente sobre como a queima de combustível fóssil se alinha aos objetivos verdes da companhia, o chefe de energia avançada do Google, Michael Terrell, limitou-se a dizer:

Não temos nada a dizer sobre isso.

Historicamente, o Google tem sido uma referência climática no setor de tecnologia. Em 2020, a empresa estabeleceu a meta ambiciosa de zerar suas emissões líquidas e usar energia limpa em todas as operações até 2030, investindo em projetos eólicos, solares, geotérmicos e nucleares. Contudo, à medida que a inteligência artificial exige um volume colossal de eletricidade, os compromissos ambientais foram flexibilizados.

Como o avanço da inteligência artificial afeta a sustentabilidade corporativa?

As mudanças de posicionamento tornaram-se visíveis nos relatórios anuais da companhia. Em 2023, o Google informou que não estava mais mantendo a neutralidade de carbono operacional, embora ainda buscasse a emissão zero até 2030. Já no relatório de 2024, a empresa registrou um aumento de 48% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação a 2019, impulsionado diretamente pelo consumo contínuo de energia de seus data centers. Em 2025, a companhia parou de falar em prazos concretos e passou a classificar suas metas climáticas como projetos experimentais baseados em ambições e sujeitos a incertezas.

O cenário do Google não é um caso isolado. O mercado enfrenta uma tensão direta com a corrida para liderar a inteligência artificial, o que resultou em movimentos semelhantes por parte da concorrência. Outras gigantes da tecnologia também estão recorrendo ao gás natural para alimentar suas infraestruturas:

  • A Meta está construindo uma instalação gigante na Louisiana projetada para funcionar com combustíveis fósseis;
  • A Amazon possui múltiplos data centers com capacidade de vários gigawatts alimentados por gás;
  • A Microsoft anunciou um novo projeto nos mesmos moldes na Virgínia Ocidental e assinou recentemente um acordo com a Chevron para erguer uma usina térmica de 2,5 gigawatts no oeste do Texas.

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