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GNL não protege o Havaí da próxima crise energética

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Instalação industrial de processamento de gás natural com tanques metálicos sob céu nublado no Havaí.
Foto: Lifescience Resources Photo Gallery / flickr (by)

O estado americano do Havaí estuda a importação de gás natural liquefeito (GNL) como solução temporária para reduzir custos de energia, mas a medida não garante proteção contra choques futuros no preço de combustíveis fósseis. A proposta, defendida pela Hawaii State Energy Office (HSEO) e pelo governador Josh Green, foi questionada em análise publicada pela CleanTechnica em 28 de março de 2026.

De acordo com informações do site CleanTechnica, o estudo da HSEO de janeiro de 2025 avaliou a substituição parcial de óleo por GNL em usinas de Oʻahu, mas não considerou adequadamente a volatilidade histórica dos preços de combustíveis fósseis.

Por que o estudo da HSEO é considerado insuficiente?

O relatório da HSEO apresentou o cenário Alternative 1A como economicamente viável, com economia nivelada de US$ 10,2 por MWh e valor presente líquido de cerca de US$ 150 milhões. No entanto, a análise utilizou preços médios e alterou apenas uma variável por vez nas sensibilidades, ignorando que, na prática, vários fatores se alteram simultaneamente durante crises.

Desde 1973, a Agência Internacional de Energia registrou 13 episódios de forte alta nos preços do petróleo, com frequência ligeiramente maior desde o ano 2000. Isso equivale a aproximadamente um choque importante a cada quatro anos, padrão que se repetiu em 2022 com a invasão da Ucrânia pela Rússia e novamente em 2026 com o conflito no Irã e a disrupção no Estreito de Ormuz.

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Qual o impacto real de crises nos preços de GNL?

Os preços asiáticos de GNL subiram 143% durante o evento de 2026, alcançando US$ 25,30 por mmBtu. Em 2022, o pico chegou a US$ 40,50 por mmBtu. O estudo da HSEO indicou que o projeto só gera economia se o preço do GNL não subir mais de 10%. Um único evento de 12 meses com alta de 143% já elevaria o custo médio em cerca de 9,5% ao longo de 15 anos, praticamente eliminando a margem de benefício calculada.

Contratos de longo prazo também não oferecem a segurança esperada. A QatarEnergy declarou força maior em alguns contratos afetados pela crise de 2026, demonstrando que, em choques físicos de oferta, mesmo acordos firmes não impedem interrupções de volume ou repasses de preço.

O que o Havaí realmente precisa avaliar?

A proposta da empresa japonesa JERA previa investimento de cerca de US$ 2 bilhões em uma usina de aproximadamente 500 MW e infraestrutura offshore de importação de GNL. O argumento central era resolver a “trilemma” de acessibilidade, sustentabilidade e confiabilidade em Oʻahu.

Especialistas argumentam que o foco deveria estar na resiliência energética local, e não na dependência de combustíveis importados sujeitos a volatilidade geopolítica. O modelo atual subestima riscos sistêmicos do mercado global de fósseis, que tende a apresentar maior instabilidade conforme avança a transição energética mundial.

A transição para fontes renováveis locais, como solar, eólica e armazenamento, aparece como alternativa mais robusta para reduzir riscos de preço e aumentar a independência energética do arquipélago. O debate permanece aberto sobre qual caminho oferece menor risco de longo prazo para os consumidores havaianos.

A análise reforça que decisões sobre infraestrutura energética com vida útil de décadas devem incorporar cenários de múltiplas crises simultâneas, e não apenas médias históricas. Sem essa abordagem, o risco de o projeto se tornar economicamente prejudicial ao estado é significativo.

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