
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou o apoio do governo brasileiro à candidatura da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Bachelet governou o país vizinho em dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018). O pronunciamento foi realizado nesta terça-feira, 17 de março de 2026, no Plenário do Senado Federal, em Brasília. Segundo o parlamentar, a iniciativa envolve posicionamento ideológico e não representa o conjunto do Estado brasileiro.
De acordo com informações da Agência Senado, Girão enfatizou que a indicação seria uma ação pessoal e ideológica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), utilizando o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) para influenciar a ONU.
Esta não é uma indicação do Estado brasileiro, é uma indicação pessoal e ideológica do presidente Lula, é o uso do Itamaraty como extensão de um partido político para aparelhar a maior organização multilateral do mundo.
Qual o histórico questionado de Michelle Bachelet na ONU?
Girão questionou o histórico de Bachelet à frente do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, entre 2018 e 2022. Ele alegou omissão em relação a situações em países como Nicarágua, Cuba e China, e apontou o que considerou uma seletividade na defesa dos direitos humanos. O senador também mencionou manifestações no Chile contrárias à candidatura dela, incluindo o posicionamento de parlamentares chilenos.
Qual o posicionamento de Girão sobre a instrumentalização de instituições multilaterais?
O senador expressou preocupação com a instrumentalização de instituições multilaterais e o uso de organismos para promover agendas específicas, que, segundo ele, estariam desconectadas da realidade e da vontade dos povos. Ele ainda complementou:
Não podemos normalizar essa instrumentalização de instituições multilaterais. Não podemos aceitar que organismos que deveriam ser espaços de equilíbrio se tornem plataformas de promoção de agendas específicas, muitas vezes desconectadas da realidade e da vontade dos povos. Hoje, muitas dessas agendas promovem pautas sensíveis, sem o devido respeito à soberania nacional, sem o devido debate democrático interno, e, muitas vezes, em desacordo com valores fundamentais de diversas sociedades, como a proteção à vida, o papel da família e as liberdades individuais.
Qual a avaliação do senador sobre a legitimidade da ONU?
Girão declarou que a ONU enfrenta uma crise de legitimidade e tem se afastado de seus objetivos originais. Segundo ele, organismos internacionais estariam sendo influenciados por agendas que não refletem os interesses de diferentes sociedades. Ele informou que assinou, junto a outros parlamentares, uma carta a ser enviada à ONU manifestando posição contrária à candidatura de Bachelet.


