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Min Aung Hlaing deixa comando militar de Mianmar para disputar Presidência

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O general Min Aung Hlaing, líder do golpe de Estado que derrubou o governo civil de Mianmar em 2021, renunciou nesta segunda-feira (30) ao comando das Forças Armadas do país para concorrer à Presidência numa lista tríplice organizada pela junta militar, cinco anos após o golpe. A decisão, tomada em Naypyidaw, busca manter o controle político dos militares sob a aparência de um governo civil, após eleições gerais consideradas uma farsa pela ONU e por diversos países.

Para o público brasileiro, a notícia ajuda a acompanhar a instabilidade no Sudeste Asiático, região relevante para o comércio global e para o debate internacional sobre democracia, sanções e direitos humanos. Mianmar, também chamado de Birmânia, faz fronteira com países como China, Índia e Tailândia.

De acordo com informações do UOL Notícias, a renúncia ocorreu após a vitória de um partido apoiado pelos militares nas eleições realizadas entre dezembro e janeiro.

Por que Min Aung Hlaing decidiu deixar o comando militar agora?

A medida representa um movimento estratégico da junta para preservar o poder. O general transferiu o comando das Forças Armadas para Ye Win Oo, oficial de sua confiança, durante cerimônia na capital Naypyidaw. A decisão acontece em meio a uma grave crise política e humanitária no país asiático.

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O golpe liderado por Min Aung Hlaing em fevereiro de 2021 derrubou o governo eleito de Aung San Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz. Os protestos contra o golpe foram duramente reprimidos, o que desencadeou uma guerra civil que continua em curso.

Quais foram os resultados das eleições contestadas?

O Partido de Solidariedade e Desenvolvimento da União (PSDU), legenda apoiada pelos militares, conquistou 193 dos 209 assentos na Câmara baixa e 52 dos 78 assentos na Câmara alta. O pleito excluiu o partido de Aung San Suu Kyi e outras forças de oposição, o que garantiu a vitória das legendas ligadas à junta.

A ONU e vários países classificaram o processo eleitoral como uma farsa. O conflito provocado pelo golpe já deixou pelo menos 93 mil mortos e deslocou mais de 3,6 milhões de pessoas, segundo estimativas citadas pela Reuters, agravando ainda mais a economia do país.

Como será a eleição presidencial em Mianmar?

A eleição presidencial em Mianmar é indireta e depende do Parlamento. Deputados da Câmara Baixa indicaram dois nomes para o cargo de vice-presidente, incluindo o do próprio general Min Aung Hlaing. A Câmara Alta ainda deve indicar o terceiro nome. Os três candidatos serão submetidos a votação pelos parlamentares. A data da escolha ainda não foi divulgada.

Min Aung Hlaing comandava as Forças Armadas desde 2011. Ele construiu sua carreira após estudar direito e consolidou seu poder distribuindo cargos estratégicos a aliados e punindo adversários políticos, segundo analistas.

Esse sempre foi o plano: passar de líder militar a presidente.

Durante a cerimônia de transição, Min Aung Hlaing afirmou que continuará a servir “aos interesses do povo, das Forças Armadas e da nação”. Ye Win Oo, novo comandante, integrava o círculo próximo do general e foi nomeado chefe de inteligência em 2020. Analistas questionam se ele possui experiência suficiente para liderar o país em um momento de tanta tensão.

O Instituto de Estratégia e Política – Myanmar, think tank com sede na Tailândia, observou que Ye Win Oo manteve a patente de general e ocupou pastas sensíveis da administração militar desde o golpe, mas não possui a vasta experiência de liderança que abrange tanto o comando em campo de batalha quanto a administração institucional.

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