Futebol italiano em declínio: como o país foi da glória ao ostracismo - Brasileira.News
Início Esportes Futebol italiano em declínio: como o país foi da glória ao ostracismo

Futebol italiano em declínio: como o país foi da glória ao ostracismo

0
8

A profunda crise estrutural do futebol italiano tem contornos que vão muito além da derrota da Seleção Italiana para a Bósnia e Herzegovina no início de 2026 e da ausência em três edições consecutivas da Copa do Mundo. No início do século XXI, o país figurava como a principal potência esportiva da Europa, mas em 2026 amarga um cenário de ostracismo. Para o público brasileiro, a mudança é notória: se nas décadas passadas o “Calcio” era o principal destino de grandes craques do Brasil, hoje o mercado italiano perdeu esse protagonismo nas transferências para as ligas da Inglaterra e da Espanha. De acordo com informações do GE, esse declínio contínuo é impulsionado por uma combinação de escândalos de arbitragem, gestões ineficientes, excesso de atletas estrangeiros, falhas na formação de novos talentos e infraestrutura obsoleta.

Para os torcedores mais jovens, acostumados com o domínio econômico da Premier League e a hegemonia de clubes como Barcelona e Real Madrid, a antiga realidade da Itália pode parecer distante. Entre as décadas de 1980 e 2000, o Campeonato Italiano era o grande destaque do continente. Durante esse período, as equipes do país conquistaram oito títulos da Liga dos Campeões da Uefa, registrando a presença de 17 times locais disputando o troféu máximo do torneio.

Como o cenário financeiro afetou as equipes italianas?

Em 2026, o abismo financeiro é evidente. Na temporada 2025/2026 da principal competição europeia, nenhum clube do país alcançou a fase de quartas de final, sendo a Inter de Milão a última campeã, em 2010. Na janela de transferências de janeiro deste mesmo ano, apenas duas das 50 maiores negociações envolveram o mercado italiano, com as chegadas de Openda e Jonathan David à Juventus.

Essa transformação econômica começou no início da década passada, impulsionada pela aprovação do Fair Play Financeiro da Uefa. A medida limitou a injeção constante de capital pessoal por parte dos donos de clubes, como ocorria frequentemente no Milan e na Inter de Milão, forçando os gigantes locais a lidarem com suas próprias deficiências administrativas e déficits milionários.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Quais foram os impactos do escândalo Calciopoli?

Pouco antes das restrições financeiras europeias, o esporte no país foi abalado pelo Calciopoli, em maio de 2006. As investigações revelaram um vasto esquema de manipulação nas escalas de árbitros, orquestrado para favorecer determinados times entre 2004 e 2006. Escutas telefônicas comprovaram a relação ilícita entre dirigentes e responsáveis pela arbitragem.

As consequências foram severas para os envolvidos. A Juventus teve seus títulos retirados e sofreu rebaixamento para a segunda divisão, enquanto instituições como Fiorentina e Lazio também acabaram punidas. O episódio causou uma perda irreparável de credibilidade em um momento crucial, exatamente quando as ligas da Inglaterra e da Espanha iniciavam suas expansões financeiras globais.

Por que a infraestrutura é um obstáculo para a modernização?

O país foi escolhido para sediar a Eurocopa de 2032 ao lado da Turquia. No entanto, enquanto os turcos já possuem 12 arenas prontas, a federação italiana enfrenta dificuldades para viabilizar cinco sedes adequadas. O estádio da Juventus, inaugurado em 2011, permanece como a única instalação verdadeiramente moderna. Essa lacuna infraestrutural pode ser resumida em fatores essenciais:

  • Baixa arrecadação com bilheteria e naming rights em comparação aos mercados mais ricos da Europa.
  • Lentidão extrema da burocracia governamental para aprovar reformas estruturais.
  • Risco de perder o direito de sediar o torneio continental caso as obras não comecem até outubro de 2026.

A discrepância financeira reflete diretamente na estrutura. Em um levantamento anterior, enquanto clubes ingleses arrecadavam até 78 euros por assento, times tradicionais de Milão recebiam pouco mais de dez euros. O presidente da Inter de Milão, Giuseppe Marotta, ressaltou o problema burocrático em detrimento da questão financeira ao falar sobre o atraso para a construção da nova arena que substituirá o San Siro.

Nos últimos 15 anos, 50 estádios foram construídos na Europa com um investimento de cerca de 20 bilhões de euros. Nesse período, apenas três estádios foram modernizados na Itália, então estamos muito atrasados. Não acho que o principal problema seja a necessidade de mais dinheiro, mas sim a lentidão da burocracia aqui.

De que maneira as contratações afetam o desenvolvimento de jovens?

A política de transferências atual concentra-se em estrelas veteranas na fase final de suas carreiras. O Napoli, por exemplo, contratou Kevin De Bruyne aos 34 anos, enquanto o Milan trouxe Luka Modric aos 40. Consequentemente, as equipes locais possuem nove das 20 escalações com maior média de idade na Liga dos Campeões da temporada, limitando o espaço para novos talentos.

Além da idade elevada, a dependência de atletas de outros países é massiva. No primeiro semestre de 2026, 68% dos jogadores do Campeonato Italiano nasceram fora do país. O jornalista Massimo Franchi criticou essa postura, apontando que as diretorias priorizam nomes internacionais de menor custo em vez de investir no desenvolvimento interno.

Os times italianos têm muitos estrangeiros. Isso prejudica os jovens jogadores italianos, porque é como cortar as asas de um pássaro. As diretorias dos clubes preferem comprar um francês ou um suíço, porque são mais baratos. Isso porque os próprios times italianos supervalorizam os jovens talentos, mas que talentos são esses?!

Esse conjunto de erros gerenciais foi previamente alertado pelo ex-jogador Roberto Baggio.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here