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Futebol feminino exige determinação para superar preconceito, dizem mulheres

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Jogadoras de futebol em campo, focadas e determinadas, durante uma partida profissional.
Reprodução / agenciabrasil.ebc.com.br

Atletas, narradoras e meninas em início de carreira relataram, no Mês da Mulher, que a determinação tem sido decisiva para enfrentar o preconceito e permanecer no futebol feminino, um espaço historicamente marcado por barreiras à participação das mulheres no Brasil. O tema foi abordado em depoimentos publicados nesta terça-feira, 24 de março de 2026, em Brasília, com relatos sobre desafios na base, na narração esportiva e na formulação de políticas públicas para ampliar a presença feminina no esporte.

De acordo com informações da Agência Brasil, números de 2022 da Confederação Brasileira de Futebol apontavam a existência de 360 jogadoras profissionais e 17 árbitras registradas. A CBF é a entidade responsável pela organização do futebol no país. Os depoimentos reunidos pela reportagem associam esse cenário à persistência de obstáculos estruturais e culturais, além da necessidade de ampliar a formação de base e garantir ambientes mais seguros para meninas e mulheres no esporte.

Por que o ambiente seguro é apontado como essencial?

Há três meses no Ministério do Esporte, na Diretoria de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino, a ex-jogadora Formiga afirmou que a ampliação da presença feminina no futebol depende do avanço na construção de um ambiente seguro. Ex-atleta com participação em sete Copas do Mundo, ela relacionou o crescimento da modalidade à proteção de atletas e profissionais em diferentes funções.

“Precisamos trazer segurança não só para essas atletas de hoje, mas para todas as meninas, mulheres, independentemente em que cargo estejam, seja como treinadora, árbitra, diretora.”

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Formiga também defendeu investimento na base como condição para ampliar o número de praticantes. Segundo ela, há talentos, mas a falta de estrutura limita o avanço. Na avaliação da ex-jogadora, é necessário consolidar equipes femininas em todos os estados, reduzindo a concentração do desenvolvimento da modalidade em São Paulo e buscando maior equilíbrio nacional.

“Meninas tem até demais, talentos temos até demais, mas, enquanto não tivermos estrutura, vamos avançar pouco.”

Como o preconceito aparece na trajetória de quem está começando?

A meio-campista Isadora Jardim, de 14 anos, relatou que deixou o Distrito Federal para atuar no Corinthians, em São Paulo, onde concilia treinos pela manhã e estudos à tarde. Convocada para a Seleção Brasileira sub-15, ela descreveu uma rotina mais confortável do que no início, mas ainda marcada por exigências e pela necessidade de adaptação.

Segundo a atleta, comentários desestimulantes fizeram parte de sua trajetória. Mesmo assim, ela afirmou que aprendeu a lidar com esse tipo de reação e a seguir no esporte. O relato mostra como o preconceito ainda aparece de forma direta no cotidiano de meninas que tentam ingressar no futebol.

“Já ouvi muitos comentários do tipo ‘futebol não é para mulher’, ‘mulher não joga futebol’. E isso nunca é bom, mas aprendi a lidar com eles e a me tornar mais forte.”

Ao falar com outras meninas interessadas em jogar, Isadora defendeu persistência diante das dificuldades. O depoimento reforça a ideia central da reportagem: a permanência das mulheres no futebol ainda exige enfrentamento diário de barreiras sociais e culturais.

Quais desafios mulheres enfrentam fora das quatro linhas?

Na narração esportiva, a locutora Luciana Zogaib, da TV Brasil e da Rádio Nacional, afirmou que a presença masculina ainda predomina no setor. TV Brasil e Rádio Nacional são veículos públicos vinculados à Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Para ela, a resistência à atuação das mulheres na locução esportiva está ligada a um ambiente culturalmente machista, especialmente no futebol.

“O rádio tem 100 anos, e só havia homens fazendo esse trabalho de locução. Há uma resistência muito grande em relação às mulheres. Culturalmente, o machismo no futebol é muito, muito forte.”

Luciana argumentou que a presença feminina nas cabines ajuda a abrir espaço profissional e a estimular outras empresas de comunicação a contratar locutoras. Na avaliação dela, essa ocupação de espaço pode gerar novas oportunidades e ampliar a participação das mulheres em um segmento historicamente dominado por homens.

“Isso é fundamental para abrir esse mercado, para que os outros parceiros também vejam a necessidade de ter locutoras e, com isso, gerar oportunidades em outros locais.”

O que está em discussão para a Copa do Mundo Feminina de 2027?

A reportagem também destaca a preparação para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será realizada no Brasil. Será a primeira edição do torneio feminino da Fifa sediada na América do Sul. A Empresa Brasil de Comunicação integra câmaras temáticas voltadas aos preparativos do torneio e discute, junto ao Ministério do Esporte, formas de apoio para levar o futebol a regiões mais distantes do país.

Neste mês, a secretária extraordinária para a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027, Juliana Agatte, reuniu-se com o presidente da EBC, André Basbaum, e com o diretor-geral, David Butter. Segundo a reportagem, entre os pontos discutidos estavam o legado social e esportivo da competição e iniciativas para ampliar a visibilidade da modalidade.

  • A TV Brasil transmitirá, pelo terceiro ano consecutivo, jogos da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino
  • Também exibirá confrontos decisivos das Séries A2 e A3 a partir das semifinais
  • As decisões das categorias sub-17 e sub-20 do Brasileirão Feminino também estão na programação

Ao reunir relatos de quem joga, narra e atua na gestão do esporte, a reportagem mostra que o avanço do futebol feminino depende de combinação entre estrutura, segurança e visibilidade.

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