Furões invasores são erradicados da Ilha Rathlin pela primeira vez - Brasileira.News
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Furões invasores são erradicados da Ilha Rathlin pela primeira vez

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Furões invasores foram removidos pela primeira vez da Ilha Rathlin, na Irlanda do Norte, após um programa de cinco anos liderado pela RSPB NI. A ação foi concluída até o verão passado e, segundo os responsáveis, já trouxe sinais iniciais de recuperação para aves marinhas e espécies que nidificam no solo. De acordo com informações do Guardian Environment, esta é a primeira vez que a erradicação de furões selvagens é registrada em uma ilha. O caso chama atenção também fora do Reino Unido por envolver controle de espécie invasora em ambiente insular, tema relevante para países com áreas costeiras e ilhas de alta biodiversidade, como o Brasil.

Os animais, descritos como invasores e não nativos, teriam sido soltos na ilha nos anos 1980 com o objetivo de reduzir a população de coelhos selvagens. A expectativa, segundo o relato citado pela reportagem original, era de que apenas machos fossem introduzidos, mas fêmeas também estavam entre eles. Com isso, a população se reproduziu e passou a predar aves raras e em declínio, além de lebres irlandesas e galinhas criadas por moradores.

Como os furões chegaram à Ilha Rathlin e quais danos causaram?

A Ilha Rathlin, localizada ao norte da costa de Antrim, abriga a maior colônia de aves marinhas da Irlanda do Norte. O local reúne mais de 250 mil aves marinhas, incluindo papagaios-do-mar, araus, guillemots e pardelas-sombras, além de espécies ameaçadas que fazem ninhos no solo, como a codornizão, e aves de penhasco, como falcões-peregrinos e gralhas-de-bico-vermelho.

Com o crescimento da população de furões para mais de 100 indivíduos, os impactos sobre a fauna local se tornaram mais evidentes. Em 2017, um único furão entrou na colônia de papagaios-do-mar da ilha e matou 26 aves em dois dias, segundo a reportagem. Os animais também passaram a atacar galinhas dos moradores, ampliando o problema para além da conservação ambiental.

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  • Introdução dos furões na década de 1980
  • Crescimento da população para mais de 100 animais
  • Predação de aves raras, lebres irlandesas e galinhas
  • Morte de 26 papagaios-do-mar em dois dias, em 2017

Como foi feita a erradicação dos animais invasores?

O trabalho foi executado pelo projeto Life Raft, sigla para Rathlin Acting for Tomorrow, com financiamento da União Europeia, do National Lottery Heritage Fund, do Departamento de Agricultura, Meio Ambiente e Assuntos Rurais da Irlanda do Norte e da Garfield Weston Foundation. A operação montou uma rede de 110 câmeras em toda a ilha para monitorar a presença dos furões.

Também foram usados drones térmicos e um labrador vermelho chamado Woody, treinado para identificar latrinas e odores deixados pelos animais. Armadilhas de captura viva alertavam equipes treinadas e voluntários assim que um furão era capturado, para reduzir o tempo do animal preso. Segundo a reportagem, os furões capturados eram abatidos rapidamente, procedimento considerado pelos responsáveis como a forma mais humanitária de realizar a eliminação.

“É maravilhoso estar livre de furões”, disse Erin McKeown, gerente do programa Life Raft na RSPB NI.

Erin McKeown, gerente do programa Life Raft na RSPB NI, afirmou que a retirada dos furões permite criar um ambiente mais seguro para que aves marinhas possam se reproduzir e criar seus filhotes. Ela também disse que o trabalho agora depende de medidas permanentes para impedir o retorno desses animais à ilha.

Quais resultados já foram observados após a remoção?

De acordo com os responsáveis pelo projeto, Rathlin já estava livre de furões no verão passado, isto é, no verão de 2025 no hemisfério norte. Depois disso, a ilha registrou seis machos de codornizão vocalizando. A espécie não se reproduz em nenhum outro local da Irlanda do Norte, segundo a reportagem. Além disso, pardelas-sombras que vivem em tocas voltaram a se reproduzir na ilha pela primeira vez em 40 anos.

O monitoramento de biossegurança continua porque a ilha recebe visitantes e suprimentos por ferry regular, e tem uma população humana de cerca de 150 pessoas. Câmeras com monitoramento por inteligência artificial e inspeções feitas por voluntários vão buscar sinais de furões e ratos no porto de Rathlin e no porto de Ballycastle, na costa de Antrim.

O esforço contra espécies invasoras na ilha ainda não terminou. Um programa para remover ratos marrons, que teriam chegado por navios no século XIX, segue em andamento. Segundo a reportagem, nenhum rato foi visto desde o verão passado.

“Este é um momento extraordinário para Rathlin, para a Irlanda do Norte e para a conservação em escala global.”

A diretora da RSPB NI, Joanne Sherwood, classificou o resultado como um momento extraordinário para Rathlin, para a Irlanda do Norte e para a conservação. Já Michael Rafferty, gerente de erradicação do Life Raft, disse que o sucesso do projeto reflete o trabalho conjunto entre comunidade local, especialistas e organizações envolvidas desde 2021.

A reportagem também situa o caso dentro de iniciativas semelhantes em ilhas britânicas, onde a eliminação de espécies invasoras já contribuiu para o aumento de populações de aves marinhas. Em Rathlin, a manutenção das medidas de vigilância e prevenção é apontada como parte da estratégia para proteger a fauna local. Em termos mais amplos, experiências desse tipo costumam ser acompanhadas por ambientalistas de outros países porque ilhas e áreas isoladas concentram espécies vulneráveis à introdução de predadores e roedores.

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