A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, que um fundo de investimento formalizou uma proposta para adquirir os ativos do Banco Master que haviam sido comprados pelo BRB (Banco de Brasília). O movimento ocorre em um momento de instabilidade financeira para a instituição pública distrital, que enfrenta dificuldades operacionais após transações anteriores com a referida entidade privada.
De acordo com informações da Radioagência Nacional, a oferta apresentada pelo fundo interessado totaliza um montante bilionário. A estrutura da negociação envolve o pagamento de R$ 4 bilhões à vista, somados a R$ 11 bilhões representados por ações de empresas subsidiárias. Apesar do anúncio, a governadora não revelou o nome da instituição financeira por trás da proposta, tampouco detalhou o valor original pelo qual o BRB adquiriu tais ativos no passado.
Qual é o valor total da proposta feita ao BRB?
A oferta recebida pelo governo distrital soma R$ 15 bilhões, divididos entre liquidez imediata e papéis de subsidiárias. Em suas redes sociais, a governadora Celina Leão destacou que a gestão está avaliando cada etapa do processo com rigor técnico e responsabilidade, visando garantir a preservação do patrimônio público do Distrito Federal. A análise técnica é considerada fundamental para determinar se a venda dos ativos é a melhor saída para a recomposição do caixa da instituição.
A crise de liquidez no banco público foi agravada pelo prejuízo decorrente da aquisição de créditos considerados de baixa qualidade do Banco Master. Segundo estimativas internas da diretoria do BRB, a instituição necessita de um aporte de R$ 8 bilhões para reforçar seu patrimônio e evitar um processo de liquidação extrajudicial. No entanto, o cenário projetado por uma auditoria independente é ainda mais severo, apontando a necessidade de uma capitalização de R$ 13 bilhões.
Por que o Banco de Brasília enfrenta uma crise de liquidez?
O desequilíbrio financeiro do BRB está diretamente ligado à tentativa anterior de expandir suas operações através da compra de ativos do Master. Originalmente, o banco público pretendia adquirir a totalidade do Banco Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central do Brasil. Com o impedimento, restaram na carteira do BRB créditos que não performaram como o esperado, gerando o atual rombo patrimonial que agora exige medidas emergenciais de saneamento.
Além dos problemas financeiros, a Polícia Federal conduz investigações sobre suspeitas de fraudes nas negociações entre o Master e o Banco de Brasília, envolvendo valores próximos a R$ 12 bilhões. O inquérito busca identificar se houve irregularidades ou favorecimentos durante as tratativas que resultaram no prejuízo bilionário para os cofres públicos do Distrito Federal.
Como está a situação política e jurídica do caso?
A atual governadora assumiu o comando do Distrito Federal em março de 2026, após a renúncia de Ibaneis Rocha, que deixou o cargo para concorrer ao Senado nas eleições deste ano. Na época em que as transações originais com o Banco Master foram realizadas, Celina Leão ocupava o posto de vice-governadora. Agora, sob sua gestão, o governo tenta encontrar uma solução de mercado para evitar que o tesouro distrital tenha que arcar integralmente com o aporte necessário para salvar a instituição.
Os principais pontos que definem o cenário atual do banco são:
- Proposta de compra de R$ 15 bilhões por fundo de investimento não revelado;
- Necessidade de aporte patrimonial entre R$ 8 bilhões e R$ 13 bilhões;
- Investigação ativa da Polícia Federal sobre transações de R$ 12 bilhões;
- Veto anterior do Banco Central para a compra total do Banco Master pelo BRB.
A decisão final sobre a aceitação da proposta de compra dos ativos dependerá de pareceres jurídicos e da aprovação dos órgãos reguladores, enquanto o banco segue sob monitoramento constante das autoridades financeiras nacionais.