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Foguete orbital MLBR: Brasil planeja lançamento espacial histórico para 2026

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Foguete estilizado sendo lançado em direção ao espaço, deixando um rastro de fogo contra o céu noturno.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

O Brasil projeta alcançar um marco histórico na exploração espacial ao planejar o lançamento de um foguete orbital de fabricação totalmente nacional, partindo de um centro de lançamento localizado no próprio território do país. A meta estabelecida pelas autoridades e consórcios envolvidos aponta para a concretização desse objetivo em 2026. Este esforço conjunto busca garantir a autonomia tecnológica brasileira no setor aeroespacial, utilizando um equipamento desenvolvido internamente para colocar satélites na órbita terrestre.

De acordo com informações da CNN Brasil, o projeto inédito é centrado na construção do chamado Microlançador Brasileiro (MLBR). A iniciativa está sendo conduzida por um consórcio formado por cinco empresas especializadas e tem a liderança técnica da CENIC Engenharia, uma companhia dedicada ao setor. A fabricação dos componentes ocorre no polo tecnológico de São José dos Campos, no interior de São Paulo, município que concentra parte relevante da indústria aeroespacial brasileira.

Como funcionará o novo foguete orbital brasileiro?

O veículo espacial projetado apresenta especificações técnicas voltadas para a eficiência no transporte de pequenas cargas. O foguete possui 12 metros de altura e será impulsionado por um sistema baseado em combustível sólido, distribuído ao longo de três motores distintos. A configuração física do equipamento exige uma infraestrutura robusta e cálculos precisos para o momento da ignição.

A capacidade de transporte do microlançador revela um direcionamento estratégico para o mercado de satélites de pequeno porte. Em relação ao peso operacional, o diretor da CENIC Engenharia, Ralph Corrêa, explicou a proporção entre a massa do veículo na plataforma e a carga útil que será efetivamente enviada ao espaço.

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O veículo terá doze toneladas na rampa para conseguir levar em órbita uma carga com apenas 40 quilos. Com esses pequenos satélites dá para fazer um monte de coisa hoje em dia. Isso é um mercado bilionário. O Brasil é privilegiado em termos de lançamento, com uma base geográfica magnífica.

Quem financia o projeto e qual é o local de lançamento?

A viabilização do Microlançador Brasileiro envolve investimento estatal e a parceria entre diferentes órgãos governamentais. O custo total do projeto está orçado em R$ 189 milhões. Os recursos financeiros são provenientes de entidades diretamente ligadas ao desenvolvimento científico e tecnológico do país.

As instituições públicas responsáveis pelo patrocínio e pela coordenação institucional da iniciativa incluem:

  • A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
  • O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
  • A Agência Espacial Brasileira (AEB), vinculada ao MCTI e responsável pela política espacial do país.

O destino inicial do MLBR, antes de alcançar o espaço sideral, será o estado do Maranhão. O cronograma oficial estipula que o lançamento ocorrerá a partir das instalações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no litoral maranhense. A localização próxima à Linha do Equador é frequentemente apontada como uma vantagem técnica para lançamentos espaciais. O objetivo fundamental desta empreitada é consolidar o Brasil como uma nação autossuficiente, assegurando um acesso autônomo e independente ao espaço.

Quais foram as tentativas anteriores do programa espacial nacional?

O planejamento atual surge após décadas de desafios e reveses estruturais no programa aeroespacial do país. O histórico do Centro de Lançamento de Alcântara registra tentativas anteriores frustradas de colocar foguetes orbitais no espaço sideral. O primeiro grande esforço documentado ocorreu em 1997, quando houve a tentativa de lançar o Veículo Lançador de Satélites (VLS) nacional, que carregava um satélite coletor de dados ambientais.

A falha técnica ocorrida nesta primeira missão obrigou a Agência Espacial Brasileira a buscar alternativas no mercado externo, o que resultou no envio do equipamento por meio de um foguete norte-americano em 1998. No ano seguinte, em 1999, o governo realizou uma nova investida com o segundo modelo VLS, cujo objetivo era transportar o satélite SACI-2. Contudo, uma anomalia detectada no segundo estágio do equipamento forçou as equipes em solo a cancelarem a operação de lançamento.

Após esse período de paralisação nas tentativas de envio de veículos orbitais próprios, a base maranhense passou mais de duas décadas sem protagonizar missões nacionais dessa envergadura. O retorno às operações de lançamento desse porte no local só foi registrado recentemente, em 2025, ocasião em que uma missão de origem sul-coreana realizou uma tentativa a partir do território brasileiro. Agora, a expectativa da indústria e da ciência concentra-se na missão do MLBR programada para 2026.

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