Em 4 de abril de 2026, o Espaço São José Liberto (ESJL), um antigo presídio revitalizado localizado em Belém (PA), sediou a segunda edição da Feira Amazônia. O evento reuniu mais de 30 empreendedores de diversos segmentos, incluindo artesanato, biojoias, gastronomia e moda autoral, com o objetivo de fortalecer a economia criativa local. A iniciativa buscou valorizar o trabalho de produtores regionais e incentivar o consumo consciente por meio da moda circular e práticas sustentáveis no setor produtivo paraense. A bioeconomia amazônica tem ganhado destaque nacional como modelo estratégico para o Brasil, unindo geração de renda para comunidades tradicionais e preservação ambiental.
De acordo com informações da Agência Pará, o encontro foi promovido pela Amazônia Brechó, contando com o apoio institucional da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme). A feira ofereceu ao público uma vitrine diversificada de produtos que utilizam insumos da floresta e técnicas tradicionais de reaproveitamento de materiais.
Quais foram os principais destaques da feira em Belém?
A programação do evento apresentou uma ampla variedade de itens que refletem a identidade cultural da região. Os visitantes puderam encontrar desde acessórios sofisticados até opções gastronômicas típicas. Entre os destaques da exposição, ressaltam-se os seguintes pontos:
- Moda autoral, circular e de inspiração indiana;
- Gastronomia paraense tradicional e culinária japonesa;
- Artesanato com traços da cultura marajoara e cerâmicas;
- Biojoias e cosméticos produzidos com ativos da biodiversidade amazônica;
- Produtos artesanais temáticos de Páscoa e itens de decoração.
Além da comercialização de produtos, a feira reservou áreas específicas para o lazer familiar, como o espaço kids, que permitiu que moradores de bairros próximos, como o Jurunas (um dos mais populosos e tradicionais da capital paraense), aproveitassem o dia em um ambiente de convivência e lazer cultural.
Como o artesanato local promove a sustentabilidade social?
A sustentabilidade foi um dos pilares centrais desta edição, exemplificada pelo trabalho de expositoras como Valdenise Genu. Ceramista e representante do Ateliê Art’Genuína, Valdenise desenvolve biojoias a partir da lamugem — o material residual que escorre das mãos dos oleiros durante o processo de modelagem do barro. O projeto, composto por sete mulheres, une a preservação ambiental ao impacto social positivo na comunidade.
“Nossas ações são pautadas no bem-estar das mulheres, incentivando que elas aprendam um ofício e possam empreender, conquistando mais independência e qualidade de vida”, afirmou Valdenise, que também atua como assistente social e utiliza o espaço do ateliê para capacitar mulheres em situação de vulnerabilidade, fomentando a autonomia financeira através da arte.
Qual a importância do Espaço São José Liberto para o empreendedor?
Para empreendedores como as irmãs Jane e Jaciara Mesquita, o Espaço São José Liberto funciona como uma vitrine estratégica para novos negócios. Elas começaram a investir na produção de crochê durante a pandemia e viram na feira uma oportunidade para expandir sua clientela. Jaciara destacou que o local é fundamental para aumentar a visibilidade de quem trabalha com o feito à mão, transformando habilidades manuais em sustento direto.
“Estar aqui é muito importante para a gente, porque conseguimos mostrar nosso trabalho para mais pessoas e fortalecer a economia criativa”, relatou Jaciara. O complexo histórico onde ocorre a feira é reconhecido por concentrar o Museu de Gemas do Pará e a Casa do Artesão, atraindo turistas de todo o país e consumidores interessados na produção genuinamente amazônica.
O Espaço São José Liberto é um polo de economia criativa que integra diversos equipamentos culturais, como o Polo Joalheiro, o Memorial Cela Cinzeiro e o Anfiteatro Coliseu das Artes. O local funciona de terça-feira a sábado, das 10h às 18h, e aos domingos e feriados, das 10h às 14h, consolidando-se como um dos principais centros de fomento ao empreendedorismo cultural e artesanal do Estado do Pará.



