A Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) recebeu, na última segunda-feira, 23 de março de 2026, uma comitiva da Embaixada da França no Brasil para discutir o fortalecimento de parcerias nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. O encontro institucional, realizado em Belém, buscou alinhar projetos conjuntos voltados para a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável, consolidando a cooperação internacional entre o estado do Pará e instituições francesas de pesquisa e fomento científico.
De acordo com informações da Agência Pará, a agenda reuniu especialistas do Centro Franco-Brasileiro para Biodiversidade (CFBBA), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Pela Fapespa, participaram o diretor científico Deyvison Medrado e o coordenador de Assuntos Internacionais Marco Antonio de Oliveira, além de representantes da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Institut des Amériques.
Quais são os principais objetivos da cooperação entre Pará e França?
A visita teve como foco central a construção de uma agenda estratégica que contemple as particularidades da região. Entre os pontos discutidos, destacou-se a criação de um polo de pesquisa na UFPA, que servirá como base para fortalecer a colaboração científica entre a França e as instituições paraenses. A iniciativa visa impulsionar a produção de conhecimento aplicado a desafios regionais, unindo a excelência acadêmica europeia ao potencial biológico e social da Amazônia.
A conselheira científica da Embaixada da França no Brasil, Sophie Jacquel, enfatizou que o intercâmbio de saberes é fundamental para o desenvolvimento da bioeconomia e das ciências sociais. Segundo a diplomata, a França possui um interesse direto na região devido à sua condição de nação vizinha, compartilhando fronteira com o Brasil por meio da Guiana Francesa, departamento ultramarino francês que faz divisa com o Amapá. Essa proximidade geográfica justifica a prioridade dada aos projetos de proteção ambiental, saúde e desenvolvimento econômico sustentável na bacia amazônica.
“O objetivo realmente é fortalecer a cooperação científica e acadêmica entre a França e o Pará. Somos uma delegação do Centro Nacional da Pesquisa Francesa, um centro de excelência, de pesquisa, que já tem colaborações fortes na Amazônia, mas que vemos ainda mais o potencial de desenvolvimento dessa cooperação, seja sobre as ciências humanas sociais, a bioeconomia, a troca de saber, e isso exatamente é o nosso objetivo.”
Como o intercâmbio científico impactará o desenvolvimento regional?
A aproximação entre as nações busca não apenas o avanço acadêmico, mas a criação de soluções práticas para a valorização da sociobiodiversidade. Com grande parte da Amazônia localizada em território brasileiro, o investimento em ciência e tecnologia é visto como um motor para transformar recursos naturais em ativos econômicos sustentáveis. A colaboração transnacional pretende deixar um legado duradouro por meio de:
- Apoio a projetos de pesquisa conjuntos em biodiversidade e bioeconomia;
- Fortalecimento de redes internacionais de colaboração científica;
- Intercâmbio de pesquisadores e formação de recursos humanos qualificados;
- Implantação de infraestrutura tecnológica voltada para a sustentabilidade.
A pró-reitora de Relações Internacionais da UFPA, Lise Tupiassu, ressaltou a importância do suporte institucional para que os projetos alcancem escala e eficácia. Para a acadêmica, a participação ativa da fundação de amparo é essencial para que a cooperação se torne um instrumento de fortalecimento para todo o ecossistema de pesquisa regional, garantindo que os avanços científicos beneficiem diretamente as populações locais.
“Nesse cenário, estamos estudando as modalidades de fortalecer essa cooperação e gostaríamos de um acompanhamento da participação da Fapespa, para que a cooperação seja um instrumento de fortalecimento de toda a pesquisa aqui na nossa região.”
Qual a importância estratégica da Amazônia para a inovação global?
A região amazônica desempenha um papel vital na regulação do clima global e no ciclo do carbono, além de abrigar a maior bacia hidrográfica do planeta. No entanto, para converter esse patrimônio em desenvolvimento, são necessários investimentos em pesquisa básica e aplicada. O diretor científico da Fapespa, Deyvison Medrado, explicou que a estruturação de bases sólidas em ciência e tecnologia é a condição necessária para que o Pará lidere a geração de inovação a partir da floresta em pé.
Medrado apontou que a parceria com a França pode acelerar o processo de beneficiamento e comercialização de produtos da biodiversidade, sempre sob o princípio da competitividade sustentável. A meta é garantir que o conhecimento tradicional das populações locais seja integrado às tecnologias de ponta, promovendo uma nova matriz econômica que respeite os limites do bioma.
“Nós precisamos avançar no fortalecimento da nossa infraestrutura de ciência, tecnologia e inovação, tanto no nível regional quanto intrarregional. Isso passa, necessariamente, pela ampliação do nosso quadro de recursos humanos altamente qualificados e pelo incentivo contínuo à pesquisa científica e tecnológica.”
A Fapespa reafirma, com este encontro, seu papel de articuladora internacional, inserindo o estado do Pará nas discussões globais sobre mudanças climáticas e conservação ambiental.