O fechamento prolongado do estreito de Ormuz pode abrir uma oportunidade para o etanol no Brasil, ao elevar a competitividade dos biocombustíveis diante da alta do petróleo, segundo análise apresentada no 157º episódio do programa Infra em 1 Minuto, publicado no sábado, 11 de abril de 2026, pelo Poder360 em parceria com o CBIE. A avaliação foi feita por Pedro Rodrigues, sócio da consultoria e especialista em óleo e gás, ao comentar como riscos no mercado global de energia afetam os combustíveis e por que, na visão dele, intervenções sobre o preço da gasolina prejudicam esse efeito no Brasil.
De acordo com informações do Poder360, Rodrigues afirma que os biocombustíveis tendem a se destacar quando o mercado de combustíveis fósseis pode precificar livremente os riscos geopolíticos. Nesse cenário, o etanol ganharia espaço à medida que o petróleo sobe, mas esse movimento seria reduzido no Brasil quando há controle artificial no preço da gasolina.
Como a crise em Ormuz pode favorecer o etanol?
Na análise apresentada no programa, o especialista relaciona o fechamento prolongado do estreito de Ormuz ao aumento das pressões sobre o mercado global de energia. Como o petróleo tende a ganhar valor em contextos de risco, o etanol passa a se tornar relativamente mais competitivo. A lógica, segundo ele, é que o biocombustível se beneficia quando os combustíveis fósseis refletem com mais clareza as incertezas internacionais.
Rodrigues disse que esse mecanismo de mercado fica comprometido quando o governo brasileiro interfere no preço da gasolina. Na visão dele, esse tipo de controle elimina o sinal econômico que poderia favorecer o etanol e cria um problema de rentabilidade para o produtor do biocombustível.
Por que o preço da gasolina entra no centro da discussão?
O argumento central do especialista é que a competitividade do etanol depende não apenas da oferta do produto, mas também do comportamento dos preços da gasolina. Se o petróleo sobe e a gasolina acompanha esse movimento, o etanol tende a se tornar uma alternativa mais atraente. Se esse repasse não ocorre, o ganho de competitividade do biocombustível diminui.
Ao comparar respostas adotadas em outros países, Rodrigues citou o caso dos Estados Unidos. Segundo ele, os norte-americanos reagiram ao choque com a liberação emergencial da mistura de 15% de etanol na gasolina, conhecida como E15, como forma de conter a inflação sem intervir diretamente nos preços.
O que está em discussão no Brasil sobre a mistura de etanol?
No caso brasileiro, o texto informa que está em discussão a possibilidade de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para até 35%. De acordo com a análise citada pelo programa, essa medida poderia substituir 1,2 bilhão de litros de gasolina ao longo de 12 meses.
- Elevação da mistura de etanol anidro de 30% para até 35%
- Substituição potencial de 1,2 bilhão de litros de gasolina em 12 meses
- Impacto condicionado à política de preços dos combustíveis
Para o especialista, a oportunidade é relevante, mas depende da forma como o governo conduz a política de preços. No texto original, ele ressalta que esse potencial pode ser limitado caso a Petrobras seja usada para amortecer pressões políticas sobre os combustíveis.
“amortecedor político”
Qual é o ponto central da análise apresentada?
A avaliação de Pedro Rodrigues, no episódio do Infra em 1 Minuto, sustenta que crises internacionais podem ampliar a vantagem relativa dos biocombustíveis, mas esse benefício não se concretiza integralmente se o mercado doméstico não refletir os riscos externos nos preços. Assim, o debate sobre o etanol no Brasil, segundo o conteúdo publicado, passa tanto pela geopolítica da energia quanto pelas decisões internas sobre gasolina e mistura obrigatória.
O episódio integra a série semanal publicada pelo Poder360 em parceria com o CBIE e se concentra nos efeitos da crise em Ormuz sobre o mercado energético e sobre a competitividade do etanol no país.