Estudo sobre sonhos e videogame reforça hipótese de treino contra ameaças - Brasileira.News
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Estudo sobre sonhos e videogame reforça hipótese de treino contra ameaças

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Pessoa sentada em um sofá, concentrada, jogando videogame em uma tela grande em um quarto com iluminação suave.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Um estudo coordenado por Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da UFRN, investigou se os sonhos podem funcionar como um treinamento do cérebro contra ameaças. A pesquisa usou um videogame de combate em primeira pessoa com 30 voluntários e observou que participantes colocados no papel de “presas” tiveram melhora no desempenho após um cochilo, especialmente quando relataram sonhos ligados ao jogo. O trabalho foi publicado em 13 de março de 2026 na revista Scientific Reports. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a pesquisa foi realizada por cientistas da UFRN e da UFRJ.

A investigação foi conduzida por Sidarta Ribeiro e resulta do doutorado de Daniel Brandão e Rafael Scott, ligados aos programas de pós-graduação em bioinformática e psicobiologia da universidade. Também assina o estudo Natália Mota, da UFRJ. O experimento buscou testar uma das hipóteses mais conhecidas sobre a função dos sonhos: a de que eles serviriam como uma espécie de simulação para preparar o organismo diante de riscos reais.

Como o experimento com videogame foi realizado?

Para testar essa hipótese, os pesquisadores usaram o jogo F.E.A.R. Combat, disponível gratuitamente na internet, em um subcenário chamado Residential Evil. Os 30 voluntários foram organizados em duplas e, de forma aleatória, assumiram o papel de “predador” ou “presa”. Enquanto os “predadores” tinham a missão de matar os adversários, as “presas” precisavam procurar kits médicos e evitar serem mortas.

Durante o experimento, os cientistas monitoraram a atividade cerebral dos participantes com eletroencefalogramas. Cada rodada do jogo durava 45 minutos. Ao final da primeira etapa, os voluntários podiam tirar um cochilo de até 130 minutos. Depois disso, tinham até cinco minutos para relatar sonhos ocorridos durante o sono antes de voltar para uma segunda rodada do jogo.

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A pontuação foi calculada de formas diferentes para cada grupo. No caso das “presas”, o número de vezes em que morriam era subtraído da quantidade de kits médicos coletados. Já os “predadores” somavam o número de eliminações e descontavam as vezes em que eram mortos pelos adversários.

O que os pesquisadores observaram após o cochilo?

Segundo os autores, o efeito do cochilo e dos sonhos foi mais evidente entre os participantes que atuavam como “presas”. Após dormir, esse grupo apresentou melhora na pontuação, e esse avanço apareceu correlacionado tanto com o sono de ondas lentas quanto com relatos de sonhos relacionados ao videogame.

Entre os “predadores”, por outro lado, não houve mudança significativa de desempenho. O resultado, na avaliação dos pesquisadores, dá mais força à hipótese de que os sonhos podem contribuir para o treinamento diante de ameaças, ao menos em situações em que o indivíduo ocupa uma posição de vulnerabilidade.

  • 30 voluntários participaram do experimento
  • O jogo utilizado foi F.E.A.R. Combat
  • As rodadas duraram 45 minutos
  • O cochilo podia chegar a 130 minutos
  • O estudo foi publicado na Scientific Reports

Por que o efeito apareceu mais nas “presas”?

De acordo com o relato da reportagem, Sidarta Ribeiro afirmou que o contexto do laboratório pode ter influenciado o resultado. No experimento, o jogo teria produzido mais estresse em quem precisava fugir do que em quem perseguia. Isso poderia ajudar a explicar por que o sono e os sonhos tiveram impacto mais claro no grupo das “presas”.

“O videogame estressa bastante as pessoas na posição de presa, mas não estressa tanto os predadores, talvez porque o jogo não tem a imprevisibilidade e a relevância emocional radical dos confrontos presa e predador no ambiente natural”, afirma o pesquisador.

“O mais provável é que o sono e os sonhos também beneficiem predadores em períodos de escassez, quando as caçadas são bem estressantes para os dois lados.”

A pesquisa se insere em uma linha de estudos sobre neurobiologia dos sonhos desenvolvida há décadas por Ribeiro e seus colegas. Segundo a reportagem, trabalhos anteriores já apontaram relações entre fases do sono, como o sono REM e o sono de ondas lentas, e capacidades como aprendizado e resolução de problemas. O novo experimento acrescenta evidências a essa discussão ao associar o conteúdo dos sonhos e a atividade cerebral durante o cochilo ao desempenho posterior em uma tarefa que simula ameaça.

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