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Estudo revela riscos de reinternação e morte após alta hospitalar

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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que um em cada 15 pacientes que necessitam de cuidados complexos morre até 30 dias após a alta hospitalar, enquanto um em cada oito é reinternado no mesmo período. Os dados foram publicados na Acta Paulista de Enfermagem. De acordo com informações do Agência Bori, o estudo identificou fatores clínicos e sociais associados a esses desfechos e apontou caminhos para reduzir riscos no processo de transição do hospital para casa.

Quais são os principais achados do estudo?

A pesquisa acompanhou 410 pacientes adultos internados em um hospital universitário em São Paulo entre fevereiro de 2022 e outubro de 2024. Foram analisados dados clínicos e sociodemográficos, além de informações sobre uso de medicamentos e presença de comorbidades. Durante a internação e após a alta, os pacientes receberam orientações para o cuidado domiciliar por meio do Programa de Transição de Cuidados (Protrac), com acompanhamento telefônico aos 2, 7, 15 e 30 dias após a alta. O estudo registrou 28 óbitos e 49 reinternações, correspondendo a 6,8% e 12% da amostra, respectivamente.

Quais fatores aumentam o risco de reinternação e óbito?

Pacientes reinternados apresentaram maior probabilidade de evolução para óbito, especialmente aqueles com quadros clínicos complexos, como doenças oncológicas, infecciosas ou respiratórias.

“A análise sugere que a reinternação atua predominantemente como marcador de maior gravidade clínica e complexidade assistencial”, explica Andréa Fachini da Costa, autora do estudo.

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A pesquisa também identificou falhas na transição entre o cuidado hospitalar e domiciliar, como falta de planejamento e articulação entre os serviços de saúde, preparação insuficiente de pacientes e cuidadores, e lacunas na comunicação de informações.

Quais são as recomendações para melhorar a transição de cuidados?

Costa defende que os achados podem subsidiar a elaboração de estratégias mais eficientes para identificar pacientes de maior risco e intensificar o acompanhamento após a alta.

“Observamos que pessoas com múltiplas comorbidades e diagnósticos de doenças infecciosas, respiratórias e oncológicas apresentaram maior probabilidade de desfechos negativos, o que é um ponto de alerta”, diz Costa.

A pesquisadora destaca a importância de reforçar o acompanhamento e a orientação para cuidados complexos, como o manejo de ostomias e a administração de medicamentos.

Quais são os próximos passos da pesquisa?

Os resultados reforçam a necessidade de aprofundar essa linha de pesquisa. Entre os próximos passos, está a ampliação da amostra em diferentes instituições e a comparação entre modelos de transição do cuidado.

“Nós identificamos associação estatisticamente significativa entre filiação religiosa evangélica e reinternação hospitalar, mas são necessárias novas investigações para entender os fatores por trás dessa relação”, afirma Costa.

A expectativa é que o avanço desses estudos contribua para aprimorar a assistência no período pós-alta e reduzir os desfechos negativos.



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