O estudo mais recente da Anatel, divulgado em 19 de março de 2026, mostra que a proporção de brasileiros com nível básico de habilidades digitais cresceu de 18,3% em 2022 para 21,3% em 2025. A pesquisa destaca que, embora haja progresso, muitos brasileiros ainda não possuem as competências essenciais para o uso pleno das tecnologias. De acordo com informações do Teletime, o avanço foi impulsionado principalmente pelo uso de serviços digitais, como serviços bancários e compras online.
No entanto, a proporção de indivíduos com habilidades digitais além do básico reduziu-se de 14,1% em 2022 para 13,6% em 2025. O estudo também observa um declínio em áreas como segurança e criação de conteúdo digital. Atualmente, 35% dos brasileiros têm algum nível de conhecimento digital, enquanto cerca de 65% ainda possuem conhecimento fragmentado ou nulo.
Quais são as competências fundamentais no nível básico?
O nível básico de habilidades digitais é composto por cinco áreas: alfabetização em informação e dados, comunicação e colaboração, criação de conteúdo digital, segurança e resolução de problemas. Isso inclui habilidades como buscar e avaliar informações online, interagir em plataformas digitais, realizar tarefas simples de criação de conteúdo e adotar cuidados básicos de segurança na internet.
Segundo a Anatel, a metodologia do diagnóstico está alinhada à União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência especializada da ONU para tecnologias da informação e comunicação, e ao framework europeu DigComp 2.2, ampliando a análise para 20 indicadores de competência.
Quais são os desafios para melhorar as habilidades digitais?
A despeito do avanço na base da pirâmide, o Brasil ainda está distante dos líderes globais. Na alfabetização em informação e dados, o país ocupa a 32ª posição no mundo. Enquanto isso, no nível “acima de básico” em segurança, está em décimo oitavo entre 29 nações que reportaram dados.
As desigualdades estruturais no Brasil limitam o desenvolvimento das habilidades digitais. Regiões como o Norte e Nordeste, áreas rurais, classes socioeconômicas DE e pessoas com menor nível de escolaridade têm os menores índices.
“A efetiva inclusão digital é fruto não só do acesso às tecnologias, mas também da habilidade da população em saber usá-las”, afirmou Octavio Pieranti, conselheiro da Anatel, agência reguladora responsável pelo setor de telecomunicações no país.
Quais são as metas propostas pela Anatel para o futuro?
A Anatel estabeleceu metas de longo prazo até 2050. As metas incluem aumentar a proporção de brasileiros com nível “acima de básico” em segurança para 32% até 2030 e para 66% em 2050. Outro objetivo é elevar a alfabetização em informação e dados da população para 58% até 2030, 71% até 2040 e 83% até 2050.


