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Estudo da UFPB associa estresse social ao consumo de ultraprocessados pela população LGB

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Estresse social pode fazer com que gays, lésbicas e bis consumam mais ultraprocessados

Um estudo inédito da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) revelou uma possível ligação entre o estresse social — decorrente da discriminação enfrentada por pessoas lésbicas, gays e bissexuais (LGB) — e o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e álcool. A pesquisa, de divulgação recente, analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, o primeiro levantamento brasileiro realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a incluir a orientação sexual entre seus indicadores. Os achados foram publicados na renomada revista científica internacional BMC Nutrition.

De acordo com informações da Agência Bori, o estudo analisou dados de mais de 85 mil indivíduos maiores de 18 anos e apontou que mulheres bissexuais apresentaram uma probabilidade 22% maior de consumir doces e guloseimas — um indicador de consumo de ultraprocessados —, além de um consumo menos frequente de feijão e vegetais. Mulheres lésbicas e bissexuais também relataram consumir bebidas alcoólicas com maior frequência (44% e 59%, respectivamente) em comparação com mulheres heterossexuais. Homens gays também demonstraram maior consumo de doces e menor ingestão de feijão e peixe.

A pesquisa sugere que fatores como estresse social e discriminação podem estar associados a esses padrões alimentares, e os resultados podem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas e diretrizes nutricionais mais inclusivas para a população LGB no Brasil.

Quais dados foram utilizados na pesquisa?

A Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, conduzida pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, incluiu a variável de orientação sexual pela primeira vez em pesquisas domiciliares de abrangência nacional. Dos mais de 85 mil participantes, 84.359 se declararam heterossexuais, 520 bissexuais e 980 homossexuais.

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Como a pesquisa foi realizada?

Os pesquisadores da UFPB analisaram as respostas coletadas na PNS e aplicaram modelos estatísticos para identificar padrões alimentares entre diferentes grupos populacionais. A análise considerou variáveis como renda per capita, região de moradia, raça/cor da pele e escolaridade, para avaliar se as diferenças observadas persistiam após o controle desses fatores socioeconômicos.

Quais os principais resultados encontrados?

Os resultados indicam que a orientação sexual é um determinante social significativo associado ao consumo de determinados alimentos e bebidas no Brasil.

“As diferenças de orientação sexual no consumo de alimentos permanecem independentemente de renda, região, raça ou escolaridade, o que reforça que estamos diante de uma disparidade relevante”, ressaltou o pesquisador Sávio Gomes, professor da UFPB.

Qual a relação entre vulnerabilidade nutricional e orientação sexual?

Um dos aspectos que chamou a atenção dos cientistas foi a maior vulnerabilidade nutricional entre mulheres lésbicas e bissexuais. Essa condição pode expor essas mulheres a padrões alimentares que impactam negativamente a saúde a longo prazo e funciona como um possível indicador de maior exposição a estressores sociais.

Como o preconceito e a discriminação podem influenciar o comportamento alimentar?

Os autores da pesquisa levantam a hipótese de que fatores como preconceito, discriminação e exclusão social influenciam diretamente o comportamento alimentar.

“O consumo de doces, refrigerantes e álcool pode estar associado a respostas fisiológicas relacionadas ao sistema límbico e à regulação da dopamina”, explicou Gomes. Em contextos de vulnerabilidade psicológica, ressalta o estudo, podem ser acionados mecanismos relacionados à busca por recompensa e regulação do estresse.

Há diferenças no consumo de carne entre homens heterossexuais e gays?

A pesquisa mostrou que homens gays consomem carne vermelha e feijão com menor frequência do que homens heterossexuais, mas ingerem frango com maior regularidade. Essa diferença, segundo os pesquisadores, pode estar relacionada a padrões culturais de masculinidade e escolhas alimentares.

Quais as implicações dos resultados para políticas públicas?

Os autores avaliam que os resultados trazem contribuições relevantes para a formulação de políticas públicas e estratégias de saúde mais inclusivas no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Compreender de forma mais detalhada os padrões de consumo é essencial para desenvolver intervenções nutricionais direcionadas e estratégias de saúde pública capazes de reduzir essas iniquidades”, afirmou Sávio Gomes.

O grupo de pesquisa da universidade paraibana já trabalha em novos estudos sobre a relação entre orientação sexual e obesidade, saúde mental, violência e prevalência de câncer, além de possíveis diferenças entre gerações.

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