O Estreito de Ormuz e áreas do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã seguem sob risco de navegação em nível crítico, segundo alerta emitido em 22 de março de 2026 pela United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), organização ligada à Marinha do Reino Unido. De acordo com informações da InfoMoney, o órgão afirmou que houve 21 ataques contra embarcações desde 1º de março e que o fluxo diário de navios caiu de uma média histórica de 138 para cerca de um por dia. O alerta foi motivado por ataques recentes, interferências contínuas na navegação e interrupções operacionais persistentes, inclusive em portos da região.
O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás. Para o Brasil, uma crise prolongada na rota pode pressionar os preços internacionais da energia e elevar custos de frete no comércio exterior, com reflexos sobre combustíveis e logística.
Segundo o comunicado citado pela publicação, a classificação máxima de risco reflete o padrão dos incidentes registrados nas últimas semanas. A UKMTO disse ainda que os casos atingem diferentes tipos de embarcações e bandeiras, sem um vínculo consistente com propriedade ocidental, o que, na avaliação do órgão, indica uma campanha ampla de interrupção marítima, e não uma escolha de alvos específicos.
Por que a UKMTO classificou a situação em Ormuz como crítica?
A organização britânica informou que o nível crítico decorre de três fatores principais observados na região:
- ataques recentes contra embarcações;
- interferências contínuas na navegação;
- interrupções operacionais persistentes, incluindo em portos do Oriente Médio.
De acordo com a UKMTO, desde 1º de março foram registrados 21 ataques. O órgão destacou que os incidentes envolvem uma gama ampla de navios e estados de bandeira, sem um padrão estável que associe os episódios a embarcações de propriedade ocidental. Essa avaliação reforça a leitura de que o problema afeta o tráfego marítimo de forma mais abrangente.
“Os incidentes envolvem uma ampla gama de tipos de embarcações e estados de bandeira, sem um padrão consistente de ligação com propriedade ocidental”
Ainda segundo a organização, esse cenário sugere uma “ampla campanha de interrupção marítima” em vez de uma seleção de alvos específicos. A informação ajuda a explicar o rebaixamento severo das condições de navegação em uma das rotas marítimas mais sensíveis da região.
Como ficou o trânsito marítimo e o que aconteceu no incidente mais recente?
O comunicado aponta uma redução acentuada na circulação de embarcações. A média histórica de 138 navios por dia, segundo a UKMTO, caiu para cerca de um navio diariamente. O dado foi apresentado no contexto do agravamento da segurança marítima e da sucessão de ocorrências relatadas pelo órgão.
No episódio mais recente, também em 22 de março de 2026, um navio graneleiro ancorado a cerca de 12 milhas náuticas da costa dos Emirados Árabes Unidos ouviu uma explosão de origem desconhecida. Segundo a UKMTO, também foi observado um incêndio por curto período a aproximadamente 1.300 metros da embarcação. A atividade foi classificada como suspeita pela organização.
Quais orientações foram repassadas às embarcações comerciais?
A UKMTO orientou que embarcações comerciais mantenham contato com o órgão para relatar informações relevantes sobre a navegação e eventuais incidentes. A recomendação foi feita em meio ao cenário de risco máximo e à continuidade dos episódios registrados na área.
Além disso, os marinheiros foram alertados para a possibilidade de presença de munições não detonadas a bordo de embarcações afetadas. A orientação da organização é tratar qualquer projétil suspeito como extremamente perigoso. O aviso se insere no contexto da deterioração da segurança marítima no Estreito de Ormuz e arredores, área estratégica para o transporte regional e para o mercado global de energia.


