O Irã sinalizou a possibilidade de um fechamento completo e por tempo indeterminado do Estreito de Hormuz em meio à quarta semana de guerra contra a coalizão formada por Estados Unidos e Israel, segundo relato publicado em 23 de março de 2026. O impasse ganhou força com o fim do ultimato de 48 horas do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou atingir usinas iranianas caso a passagem fosse totalmente reaberta. Em resposta, Teerã elevou o tom e indicou que pode restringir de vez a navegação no corredor marítimo.
O Estreito de Hormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e é uma das rotas mais sensíveis do comércio global de petróleo. Para o Brasil, uma disrupção prolongada na área pode pressionar os preços internacionais da energia, com reflexos potenciais sobre combustíveis, inflação e o mercado acompanhado pela Petrobras.
De acordo com informações da Splash247, a posição iraniana foi apresentada por Ali Mousavi, representante do país na Organização Marítima Internacional, em entrevista à mídia local no fim de semana. Segundo essa formulação, o estreito permaneceria aberto a embarcações, com exceção de navios ligados ao que Teerã define como “inimigos do Irã”. Na prática, porém, a restrição teria tornado a rota comercialmente inviável para grande parte do comércio internacional.
O que o Irã disse sobre o Estreito de Hormuz?
A publicação informa que a posição inicial de manter a passagem aberta apenas para parte das embarcações foi endurecida após a ameaça feita por Trump contra a infraestrutura energética iraniana. Com isso, cresceu o risco de um bloqueio total e indefinido de uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo.
O texto ressalta que a limitação seletiva ao tráfego já afeta o uso comercial do estreito. Mesmo sem um fechamento formal para todos os navios, o aumento do risco e da incerteza sobre quem pode ou não atravessar a área cria obstáculos relevantes para operadores marítimos e para o fluxo internacional de cargas.
Quais outros corredores marítimos estão sob ameaça?
Além de Hormuz, outro ponto estratégico mencionado é o estreito de Bab el-Mandeb, passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. A reportagem afirma que as Forças Marítimas Combinadas lideradas pelos EUA alertaram para um risco maior ao tráfego após novas ameaças dos houthis à via.
Segundo o texto original, o grupo baseado no Iêmen vem mantendo uma campanha contra a navegação comercial há cerca de 900 dias e voltou a ameaçar restringir o acesso à região. A combinação entre tensões em Hormuz e em Bab el-Mandeb amplia a preocupação com a segurança marítima no Oriente Médio.
Por que a crise no Mar Vermelho é citada como precedente?
A consultoria dinamarquesa Sea-Intelligence afirmou que não se deve presumir que a disrupção em Hormuz será temporária. A empresa traçou um paralelo direto com a crise no Mar Vermelho, iniciada no fim de 2023, quando muitos analistas esperavam um problema passageiro.
“Quando a crise no Mar Vermelho eclodiu no fim de 2023, a reação inicial da maioria dos observadores também foi esperar que fosse temporária”, observou a Sea-Intelligence em seu relatório semanal mais recente. “E aqui estamos, mais de dois anos depois, com a crise no Mar Vermelho ainda em um nível em que uma parte substancial dos navios porta-contêineres não consegue passar pela região.”
Na avaliação da consultoria, a persistência dos ataques e ameaças no Mar Vermelho mostrou como o risco percebido pode ser suficiente para alterar rotas comerciais por períodos prolongados. O argumento apresentado é que a pressão sobre a navegação não depende apenas de um bloqueio físico total, mas também da elevação contínua do custo e da insegurança operacional.
Que cenário a Sea-Intelligence projeta para Hormuz?
A Sea-Intelligence foi além e sugeriu que a crise do Mar Vermelho pode ter funcionado como um campo de teste para a estratégia agora aplicada em Hormuz, observando que os houthis eram apoiados pelo Irã. A consultoria também levantou a hipótese de um acesso escalonado ao estreito, com passagem permitida a navios de países não considerados hostis por Teerã e eventual cobrança de tarifas de trânsito, algo que, segundo a reportagem, já teria sido relatado em ao menos um caso.
“Tornar uma travessia arriscada demais é claramente uma forte ferramenta estratégica para o Irã — assim como os houthis descobriram que suas ameaças no Mar Vermelho lhes deram muito mais influência do que jamais tiveram antes”, observou a empresa.
Com base no conteúdo publicado, os principais elementos da crise atual incluem:
- fim do ultimato de 48 horas dado por Donald Trump a Teerã;
- ameaça dos EUA contra usinas iranianas caso Hormuz não seja totalmente reaberto;
- endurecimento da posição iraniana sobre a passagem marítima;
- alerta adicional sobre riscos em Bab el-Mandeb;
- comparação com a crise prolongada no Mar Vermelho.
O quadro descrito pela Splash247 indica um momento de alta tensão geopolítica e marítima, com possibilidade de efeitos duradouros sobre a circulação de navios na região. Até aqui, o artigo aponta sinais e avaliações de risco, sem informar uma normalização da passagem nem uma solução diplomática imediata.


