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Escassez de energia na Noruega agrava crise após falta de neve no inverno

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Hydroelectric dam set against lush green mountains, showcasing power generation.
Hydroelectric dam set against lush green mountains, showcasing power generation. Foto: Quang Nguyen Vinh — Pexels License (livre para uso)

A Noruega enfrenta neste início de abril de 2026 uma grave escassez de energia devido à quantidade atipicamente baixa de neve durante o inverno europeu deste ano, o que resultou no esvaziamento acelerado de seus reservatórios hidrelétricos. O fenômeno, provocado por uma frente de alta pressão persistente perto da Groenlândia, gerou um déficit de 25 TWh, impactando diretamente o fornecimento elétrico para países vizinhos.

De acordo com informações da CleanTechnica, a nação nórdica, historicamente reconhecida como modelo de energia limpa, depende da água do degelo para alimentar as suas mais de 1.700 instalações, responsáveis por quase 90% da matriz elétrica nacional. Esse cenário de forte dependência hídrica guarda semelhanças com o do Brasil, onde as hidrelétricas também compõem a maior parte da matriz operada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O inverno de 2026 foi registrado como o mais frio no país europeu desde o ano de 2010.

Como a ausência de neve afeta as exportações de energia?

As reservas de neve atingiram os níveis mais baixos das últimas duas décadas. Esse cenário provocou uma queda abrupta nas exportações da Noruega para nações como o Reino Unido e a Alemanha, que registraram quedas de 50% e 40%, respectivamente. Além disso, no norte da Suécia, os preços da energia aumentaram mais de quatro vezes em comparação com os níveis de 2025.

Lars Erik Omland, líder da equipe de análise de mercado da A Energi, relatou que as medições realizadas confirmaram o problema climático.

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“Não houve neve em fevereiro e, agora, nenhuma em março. Gradualmente percebemos que este seria um inverno com pouca neve”

Para o sistema elétrico nacional norueguês, a dependência do clima tornou-se um desafio estratégico. Kari Ekelund Thorud, vice-presidente executiva de energia da Norsk Hydro ASA, destacou essa sensibilidade estrutural.

“Somos um sistema baseado no clima. Somos muito mais vulneráveis se o clima seguir o caminho errado”

Qual é a capacidade dos reservatórios hidrelétricos noruegueses?

O país abriga cerca de 1.100 reservatórios de água, somando uma capacidade total de armazenamento superior a 87 TWh. Cerca da metade dessa capacidade está concentrada nos 30 maiores complexos energéticos, sendo o maior deles o reservatório de Blåsjø, capaz de armazenar 7,8 TWh, o equivalente a três anos de fluxo de água normal.

Contudo, quando as usinas operam em capacidade máxima, complexos gigantes como o Blåsjø podem ser esvaziados em aproximadamente oito meses. A flexibilidade do modelo norueguês foi desenhada justamente para guardar água em anos de alta precipitação com o objetivo de compensar os períodos secos subjacentes.

Quais são os riscos apontados para o futuro da energia na Noruega?

A atual crise climática revelou que a energia hidrelétrica está sujeita a problemas de intermitência semelhantes aos da energia eólica e solar, apenas operando em ciclos mais longos. Um relatório divulgado pela consultoria DNV indicou que a nação europeia caminha para um grave cenário de déficit de eletricidade até o ano de 2030.

O documento aponta os seguintes cenários preocupantes para o futuro energético e industrial do país nórdico:

  • A demanda por eletricidade na Noruega crescerá seis vezes mais rápido do que a criação de novas fontes de energia.
  • A necessidade de energia aumentará em 18 TWh nos próximos cinco anos, enquanto os novos desenvolvimentos fornecerão apenas três TWh.
  • O mercado de data centers utilizará 15 TWh até o ano de 2040, o que representará sete por cento de todo o consumo elétrico nacional.
  • O país deve passar de exportador a importador líquido, com compras anuais de até cinco TWh no início da década de 2030.

Remi Eriksen, presidente e CEO do grupo DNV, alertou para os entraves estruturais e burocráticos que impedem a transição rápida do setor.

“A geopolítica, as prioridades nacionais e a falta de apoio público estão desacelerando os esforços de energia renovável da Noruega. A expansão da rede tem que acelerar com o fortalecimento da transmissão, distribuição e serviços de sistema.”

O relatório conclui que, caso a construção de infraestruturas renováveis não seja acelerada imediatamente, o setor industrial do país corre o risco de perder competitividade, além de observar a migração de oportunidades verdes para nações vizinhas que expandem suas matrizes energéticas de forma mais agressiva.

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