
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que os ataques à sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara servem como distração diante dos problemas enfrentados pelas mulheres brasileiras. A declaração foi dada em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira, 30 de março de 2026, em São Paulo. Segundo a parlamentar, o debate em torno de sua posse foi contaminado por discurso de ódio e não deve desviar a comissão de prioridades como o enfrentamento à violência contra as mulheres.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, Hilton disse que pretende concentrar o trabalho da comissão no combate ao que classificou como uma epidemia de violência contra as mulheres, citando o aumento de feminicídios, de casos de estupro e da disseminação de discursos misóginos.
O que Erika Hilton disse sobre os ataques?
A deputada afirmou que não permitirá que a onda de ataques paute os trabalhos da comissão. Para ela, as instituições precisam responder aos problemas concretos que atingem as mulheres, em vez de perder tempo com manifestações de ódio relacionadas à sua eleição.
“As mulheres brasileiras esperam das instituições respostas contundentes”, afirmou. “Nós, enquanto uma casa de leis, não podemos perder tempo debatendo ódio.”
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Hilton também declarou que mensagens de ódio disseminadas contra ela nas redes sociais seriam, em parte, impulsionadas por “escritórios do ódio” comandados por agentes públicos. Ao comentar esse ponto, a parlamentar disse haver material sobre parlamentares de diferentes esferas que teriam financiado ou impulsionado discursos de ódio contra ela.
“Há um dossiê, um material vasto de parlamentares dos mais diversos campos, do Poder Legislativo federal, estadual e municipal, de vários municípios do Brasil, que financiaram, que pagaram, que impulsionaram discursos de ódio contra mim”, disse a deputada.
Qual é a prioridade anunciada para a comissão?
Ao tratar da agenda da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Erika Hilton afirmou que o foco será o enfrentamento à violência de gênero. No relato publicado, ela mencionou como pontos centrais o avanço dos feminicídios, os casos de estupro e a circulação de discursos misóginos.
- Enfrentamento à violência contra as mulheres
- Debate sobre feminicídios
- Atenção aos casos de estupro
- Reação institucional a discursos misóginos
A deputada foi eleita presidente da comissão em 11 de março, com 11 votos favoráveis em segundo turno, depois de uma primeira tentativa barrada pela maioria de votos em branco. A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é um dos colegiados permanentes da Câmara dos Deputados. Segundo a publicação, ela é a primeira mulher trans a presidir uma comissão na Casa.
Como a eleição repercutiu no meio político?
A escolha provocou reação de parlamentares bolsonaristas e também expôs divergências dentro da própria esquerda. De um lado, há quem a reconheça como representante legítima das mulheres; de outro, setores do feminismo contestam essa posição com base no sexo biológico. Hilton assumiu o posto antes ocupado por Célia Xakriabá (PSOL-MG).
Na entrevista, a parlamentar também cobrou o cumprimento da decisão do STF que equiparou a LGBTfobia ao crime de racismo. O STF é a instância máxima do Judiciário brasileiro. Segundo ela, casos que classificou como abertamente transfóbicos são arquivados ou desqualificados nos tribunais.
“Nós conquistamos o direito e agora precisamos brigar pelo direito de exercer o direito”, disse.
“Era importante que o Supremo Tribunal Federal não permitisse que alguns órgãos do Judiciário debochassem da sua decisão”, afirmou.
Quais outros temas ela abordou na entrevista?
Erika Hilton também criticou o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo a deputada, ele não apresenta um discurso compatível com quem pretende governar o país.
“Não tem o discurso de alguém que quer presidir uma nação e fazer os direitos do povo brasileiro. Ninguém que quer defender o Brasil e os brasileiros vai aos EUA oferecer seu país”, afirmou.
Outro ponto tratado foi a decisão do PSOL de não formar federação com o PT. Hilton classificou essa escolha como profundamente errada para o partido e para o campo da esquerda. De acordo com a reportagem, ela afirmou que tanto ela quanto o ministro Guilherme Boulos quiseram permanecer na legenda para não prejudicá-la e evitar o risco de a sigla não alcançar a cláusula de barreira.
A publicação informa ainda que o partido está dividido por causa da recusa da direção em formar federação com o PT. O grupo Revolução Solidária, ligado a Boulos e Hilton, discutia a possibilidade de migração para o partido do presidente Lula.


