Entregas rápidas no Brasil devem movimentar US$ 6,13 bilhões em 2026 - Brasileira.News
Início Economia Entregas rápidas no Brasil devem movimentar US$ 6,13 bilhões em 2026

Entregas rápidas no Brasil devem movimentar US$ 6,13 bilhões em 2026

0
7
Entregador de uniforme laranja conduz uma bicicleta elétrica em rua movimentada da cidade com uma caixa térmica nas costas.
Foto: Diego3336 / flickr (by)

O mercado de entregas rápidas no Brasil, que inclui documentos, pequenos pacotes e serviços expressos, deve alcançar US$ 6,13 bilhões em 2026, impulsionado pela expansão do e-commerce e dos aplicativos de pedidos sob demanda. O avanço da concorrência envolve plataformas digitais como iFood, 99 e Lalamove, além de empresas tradicionais como DHL Express e Correios, que vêm ampliando investimentos, infraestrutura e soluções logísticas no país. De acordo com informações do Valor Empresas, com base em dados da Mordor Intelligence, o setor movimentou US$ 5,8 bilhões em 2025.

Segundo a publicação, a disputa por espaço nesse mercado se intensificou com a demanda por entregas em prazos que podem variar de até uma hora a dois dias, conforme o tipo de produto e a distância envolvida. Em resposta, empresas do setor passaram a apostar em expansão geográfica, diversificação dos itens entregues, parcerias com transportadoras e reforço da malha logística.

Como as plataformas digitais estão ampliando a atuação no setor?

A 99 reestruturou sua área de logística em 2025 para transformá-la em uma unidade de negócios dedicada à última milha. Em 2026, a empresa prevê investir cerca de R$ 200 milhões para ampliar a oferta de serviços e reforçar soluções para diferentes tipos de entrega. O modelo da 99Entrega, de acordo com o diretor da unidade de negócios de logística, Igor Soares, conecta empresas, consumidores e entregadores parceiros por meio de uma plataforma, além de manter parcerias com transportadoras.

“Hoje operamos principalmente com entregas realizadas na mesma hora ou na próxima hora, o que exige uma operação ágil”.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Atuando em 3,3 mil cidades, a 99 informa que aproximadamente 70% de suas entregas são feitas por motociclistas e que há veículos de quatro rodas em cerca de 1,5 mil municípios. Em 2025, a empresa realizou mais de 5 milhões de entregas corporativas e tem como meta chegar a 60 milhões até o fim de 2026.

O iFood também vem ampliando sua presença além da entrega de refeições e passou a atuar com itens de varejo, como farmácias, mercados, artigos pet, bebidas, conveniência e shopping. Em 2025, os pedidos de farmácia avançaram mais de 75%, enquanto mercado e artigos para pet registraram crescimento acima de 42%, segundo a empresa.

“Operamos o maior marketplace de farmácias do país, com mais de 20 mil unidades cadastradas”.

De abril de 2025 a março de 2026, o iFood investiu R$ 17 bilhões em inovações, integração tecnológica, inteligência de dados e evolução da infraestrutura logística. A empresa atua em quase 2 mil cidades e aposta em modelos como o “Turbo”, baseado em geofencing, já presente em 130 municípios, além do uso de drones em Aracaju, capital de Sergipe.

Quais empresas tradicionais e novos entrantes estão reforçando investimentos?

Fundada em Hong Kong, a Lalamove informou que mantém investimentos em personalização da plataforma e em iniciativas de relacionamento com motoristas parceiros. Em 2026, o foco da companhia está nas soluções voltadas especialmente para pequenas e médias empresas, em um cenário de expansão da demanda por serviços logísticos mais rápidos e adaptáveis.

“A demanda por soluções logísticas mais rápidas e adaptáveis segue em expansão no Brasil”.

A empresa pretende manter a trajetória de crescimento após registrar avanço de dois dígitos em 2025. Para isso, busca ampliar a base de clientes corporativos, fortalecer a presença nas 18 cidades onde já opera e seguir com a evolução tecnológica.

A DHL Express planeja investir R$ 118 milhões no Brasil nos próximos anos e reforçar sua presença no serviço doméstico, com projeção de dobrar o volume de operações até 2027. Entre as medidas citadas estão:

  • ampliação da capacidade do centro de processamento do aeroporto de Viracopos, em Campinas;
  • fortalecimento da rede aérea;
  • abertura de 75 novas lojas e pontos de atendimento voltados para micro e pequenas empresas.

“No setor de saúde, por exemplo, o Brasil é considerado um mercado prioritário na América Latina”.

Segundo Patrícia Starling, vice-presidente comercial da DHL Express, a companhia vem crescendo sobretudo em segmentos que exigem logística especializada e alta confiabilidade.

Como os Correios tentam recuperar espaço no mercado?

Os Correios, empresa pública federal responsável pelos serviços postais no país, fecharam 2025 com cerca de 22% de participação no mercado de encomendas expressas e executam um plano de reestruturação para reduzir o déficit em 2026 e voltar a lucrar em 2027. Entre as iniciativas está a transição chamada de “phygital”, que combina estrutura física e digital para reduzir o tempo médio de entrega.

No fim de 2025, a estatal concluiu 52 sistemas de triagem em 17 estados, com investimento de R$ 109,8 milhões. A expectativa é elevar em 60% a capacidade produtiva de processamento de encomendas. Além disso, outros R$ 252,9 milhões estão sendo destinados a cinco centros operacionais localizados no Maranhão, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Ceará, com quatro obras já iniciadas.

O plano também inclui expansão de lockers, guichês de autoatendimento, um SuperApp para avisar a proximidade do carteiro e permitir chat com o entregador, além de soluções integradas para o e-commerce. Para Alexandre Boschi, gerente sênior da EY, o padrão de consumo por aplicativos ampliou as oportunidades para novos participantes e intensificou a concorrência no setor.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here