
A energia solar em telhados de residências e comércios atingiu a marca de 20% de toda a capacidade de geração de energia elétrica em Porto Rico, território não incorporado dos Estados Unidos, ultrapassando o gás natural e assumindo a posição de segunda maior fonte energética do local. O crescimento contínuo reflete a busca tecnológica por independência e resiliência na rede elétrica caribenha após anos de instabilidade estrutural. No Brasil, o cenário acompanha uma tendência global semelhante: a geração distribuída por meio de painéis solares tornou-se uma das principais forças de expansão da matriz elétrica nacional nos últimos anos, sob regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
De acordo com informações da PV Magazine, os dados recentemente divulgados pela Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) indicam que as instalações solares distribuídas representaram 81% de toda a nova capacidade geradora adicionada à rede da ilha entre os anos de 2016 e 2025.
Como ocorreu o avanço das instalações solares na ilha?
Apenas durante o ano de 2025, uma média de 3.850 sistemas de telhado foram instalados mensalmente em residências e empresas. Esse ritmo constante elevou o número total de sistemas ativos para 191.929 até o final daquele ano. Atualmente, a capacidade instalada nos telhados soma 1.456 megawatts, um volume que supera expressivamente os estimados 165 megawatts provenientes de usinas solares de grande porte instaladas no território.
O presidente da Associação de Energia Solar e Armazenamento de Porto Rico (SESA), PJ Wilson, ressaltou o empenho do setor em ampliar essa modalidade de geração de energia em áreas urbanas.
“Estamos comprometidos em aproveitar esse momento e garantir que a energia solar em telhados e o armazenamento continuem a crescer como uma parte fundamental do sistema de energia de Porto Rico para fortalecer a rede e expandir a independência energética”, afirmou o executivo norte-americano em entrevista sobre os resultados alcançados pela infraestrutura residencial.
Quais são as políticas atuais e os impactos nos combustíveis fósseis?
Apesar do expressivo aumento na capacidade de geração limpa, as demais fontes de energia não foram substituídas de forma imediata. A capacidade de geração por meio de petróleo, gás natural e carvão apresentou pouca alteração ao longo dos últimos cinco anos. O cenário regulatório também sofreu mudanças significativas recentemente com a sanção de novas leis locais.
Em 2025, a governadora de Porto Rico, Jenniffer González Colón, sancionou a Lei 1-2025. A legislação estendeu a vida útil da única usina de energia a carvão do território até 2032, contrariando a oposição das comunidades locais. Além disso, a lei revisou os padrões de portfólio de energias renováveis, eliminando as metas provisórias de 40% até 2025 e 60% até 2040. No entanto, o objetivo de longo prazo de atingir 100% de energia renovável até o ano de 2050 foi mantido pelas autoridades estatais.
Qual é o papel das baterias e das usinas elétricas virtuais?
A resiliência da rede tornou-se um fator crucial no território caribenho. Dados do setor indicam que o consumidor médio enfrenta, no mínimo, 27 horas de quedas de energia anualmente. Em algumas localidades, dependendo da gravidade de eventos climáticos severos, as interrupções podem chegar a quase 200 horas. Diante desse cenário, a adoção do armazenamento distribuído de energia registrou um crescimento acelerado entre a população e o comércio.
De acordo com o Bureau de Energia de Porto Rico, mais de 171 mil residências e empresas possuíam sistemas de baterias instalados no final de 2025, acumulando uma capacidade combinada de 2.864 megawatts-hora. O avanço técnico estruturou o terreno para inovações e programas coordenados, tais como:
- A expansão projetada de mais 3.000 megawatts-hora em armazenamento distribuído até 2030, segundo estimativas analíticas da Wood Mackenzie.
- A criação de usinas elétricas virtuais (VPPs) por meio do programa de Compartilhamento de Energia de Baterias de Clientes (CBES).
- A participação ativa e remunerada de clientes sob a gestão técnica de sete agregadores de armazenamento formalmente listados pela operadora de rede LUMA.
O que muda com a nova liderança da operadora de rede?
Os persistentes desafios na transmissão elétrica impulsionaram reestruturações na LUMA, a principal operadora do sistema. A nova diretora executiva, Janisse Quiñones, assumiu o cargo no dia 30 de março de 2026. A executiva trouxe a experiência de sua atuação anterior como diretora executiva e engenheira-chefe do Departamento de Água e Energia de Los Angeles (LADWP), estabelecendo como foco central a melhoria da confiabilidade do sistema porto-riquenho.
Diante das mudanças na administração técnica do território, os grupos do setor privado demonstraram confiança em uma atuação mais integrada. O presidente da SESA manifestou otimismo em relação ao futuro das operações conjuntas e das regulamentações governamentais.
“A SESA continua focada em promover políticas que permitam que a energia solar em telhados e o armazenamento de baterias continuem crescendo como um pilar central do futuro energético de Porto Rico, e nos sentimos encorajados pela oportunidade de uma colaboração mais forte sob a nova liderança da LUMA”, concluiu PJ Wilson a respeito das perspectivas de integração de curto e longo prazo na infraestrutura local.