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Energia solar em Singapura bate recorde com adição de 504 MW em um ano

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O governo de Singapura alcançou um marco histórico na transição energética ao instalar 504 megawatts (MW) de capacidade solar no último ano. A marca consolida uma trajetória de aceleração na adoção de energias renováveis no país asiático, impulsionada pela busca por maior segurança energética e redução de custos operacionais nas indústrias e residências locais.

De acordo com informações da PV Magazine, os dados constam no relatório oficial divulgado pela Autoridade do Mercado de Energia (EMA). O levantamento demonstra que a capacidade fotovoltaica cumulativa da nação saltou de 1.589 MW para 2.093 MW até o encerramento da última temporada de avaliações técnicas.

Como a expansão da energia solar está estruturada no país?

O crescimento anual superou os registros anteriores, que contabilizaram 397 MW adicionados dois anos antes e 370 MW três anos atrás. Além disso, o número total de sistemas instalados no território da cidade-estado teve um acréscimo de 3.400 unidades no mesmo período. Com isso, o país passou de 11.225 para 14.625 conexões de geração distribuída e usinas centralizadas em plena operação.

O mercado local é amplamente dominado por instalações em telhados, modalidade que representa mais de 80% de toda a infraestrutura instalada. Analistas da Ember, organização especializada em mercados asiáticos, apontam que o principal fator impulsionador continua sendo a competitividade financeira. O retorno do investimento dos equipamentos caiu para apenas cinco anos, e os consumidores possuem a vantagem de comercializar o excedente elétrico diretamente com a rede pública.

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Quais programas governamentais impulsionam o setor elétrico?

O avanço estrutural recebe apoio direto de iniciativas estatais. O programa SolarNova, gerenciado pelo Conselho de Habitação e Desenvolvimento, viabilizou painéis em mais de 5.300 blocos residenciais e comerciais até o mês de dezembro. Outras políticas públicas relevantes incluem os fundos de fomento SolarRoof e o SolarLand, ambos administrados pela agência governamental de desenvolvimento industrial vinculada ao Ministério do Comércio e Indústria.

Entre os grandes projetos beneficiados por esse ecossistema de incentivos de estado está a maior usina de solo já construída na região. A instalação Sembcorp Jurong Island Solar Farm possui 118 MW de potência e ocupa 60 hectares divididos em seis terrenos temporariamente vagos, tendo sido executada integralmente pela empresa de capital estatal Sembcorp.

Quais são as perspectivas financeiras e os principais desafios?

A alta dependência de usinas movidas a gás natural deve atuar como o maior estímulo para o setor nos próximos doze meses. Lam Pham e Alnie Demoral, especialistas em mercado de energia da Ember, destacam a relação direta entre o custo crescente dos combustíveis fósseis e a migração acelerada para fontes limpas e descentralizadas.

O atual choque de combustíveis intensificará a volatilidade do preço do gás. O preço do combustível já subiu e a eletricidade provavelmente será afetada em breve. Juntamente com o declínio contínuo dos custos solares e de baterias, isso levará os consumidores residenciais a instalar painéis solares.

Ao superar a barreira de dois gigawatts (GW), Singapura bateu sua meta original estipulada para o final desta década e as autoridades decidiram elevar o objetivo nacional imediato para três GW. No entanto, o ritmo acelerado de expansão agora esbarra em limitações geográficas severas, uma vez que a disponibilidade de terras é extremamente restrita na ilha principal.

Por que a integração regional é fundamental para Singapura?

A demanda certamente crescerá e os custos se tornarão mais acessíveis, mas o problema com Singapura é a disponibilidade limitada de terra. Como os projetos com terras adequadas foram amplamente desenvolvidos, os restantes serão mais complexos, levarão mais tempo e restringirão o ritmo de implantação.

Para contornar a escassez territorial e manter a segurança de abastecimento, analistas sugerem focar na interligação direta com nações vizinhas. Essa estratégia de importação permite destravar as limitações físicas por meio das seguintes ações regionais interligadas:

  • Parceria técnica com Camboja e Vietnã para avaliação de trânsito em massa de energia renovável.
  • Aprovação condicional estruturada para importação de um GW de energia hidrelétrica originária da Malásia.
  • Acordo estratégico firmado com a Indonésia para criar uma cadeia de suprimentos de equipamentos nas Ilhas Riau.

Esse ecossistema integrado viabiliza o comércio transfronteiriço contínuo de energia limpa. Para suportar a intermitência natural dessa nova infraestrutura elétrica asiática, os relatórios apontam que Singapura também alcançou a expressiva marca de 213,4 MW em sistemas operacionais focados no armazenamento em baterias em seu próprio território.

O que o mercado projeta para a próxima década?

Consultores especialistas da empresa britânica GlobalData projetam que a nação asiática continuará adicionando de forma consistente entre 300 MW e 400 MW anualmente até a metade da próxima década. A expectativa financeira é que esse fluxo de investimentos contínuos leve a capacidade fotovoltaica cumulativa a ultrapassar a emblemática barreira de cinco GW em um curto período.

Para sustentar a curva de crescimento, recomenda-se a criação de incentivos mais robustos voltados à aquisição internacional de eletricidade renovável. Entre as diretrizes em discussão pública estão a contabilização real de importações nas metas governamentais de redução de carbono e o aprimoramento rápido das políticas que promovem o armazenamento flexível, a modulação inteligente de demanda e a inevitável modernização de toda a rede elétrica da cidade-estado.

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