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Energia solar atinge 20% da matriz em Porto Rico e traz lições ao Brasil

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Solar panels installed on a residential rooftop, showcasing eco-friendly renewable energy solutions.
Solar panels installed on a residential rooftop, showcasing eco-friendly renewable energy solutions. Foto: Budget Bizar — Pexels License (livre para uso)

A capacidade de geração de energia solar em telhados atingiu a marca de 1.456 megawatts (MW) no final do ano de 2025 em Porto Rico, território não incorporado dos Estados Unidos no Caribe, representando 20% da matriz de capacidade total da região. Impulsionada pela busca por maior confiabilidade no fornecimento elétrico e para evitar quedas frequentes de energia, a adoção da tecnologia residencial cresceu exponencialmente na última década.

O avanço porto-riquenho reflete uma tendência de transição energética da qual o Brasil também faz parte. No cenário nacional, a geração solar distribuída (instalada em telhados e fachadas) impulsionou o crescimento da fonte fotovoltaica, que hoje se consolida como a segunda maior matriz elétrica brasileira, atrás apenas das hidrelétricas, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

De acordo com informações da CleanTechnica, os dados locais foram compilados pela US Energy Information Administration (agência de estatísticas do Departamento de Energia dos EUA) e pelo Puerto Rico Energy Bureau. O levantamento destaca que a matriz fotovoltaica não apenas se consolidou, mas também ultrapassou fontes tradicionais de geração energética no arquipélago caribenho.

Como a energia solar transformou a matriz elétrica da ilha?

Entre os anos de 2016 e 2025, as instalações de painéis fotovoltaicos em residências e empresas foram responsáveis por 81% de toda a nova capacidade de geração adicionada em Porto Rico. Em 2025, o recurso distribuído assumiu o posto de segunda maior fonte de capacidade do sistema elétrico local.

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Para se ter uma dimensão do avanço, a geração distribuída baseada na luz do sol deixou o gás natural (1.391 MW) na terceira posição, ficando atrás apenas da capacidade baseada em derivados de petróleo líquido, que ainda lidera o cenário com 3.671 MW. O movimento evidencia uma forte transição energética por parte dos consumidores porto-riquenhos, motivada em grande parte pela fragilidade da infraestrutura convencional diante de eventos climáticos extremos.

Quais são os números das instalações fotovoltaicas residenciais?

O ritmo de crescimento alcançou níveis recordes recentemente. Em média, cerca de 3.850 sistemas de painéis fotovoltaicos foram instalados mensalmente em domicílios e empreendimentos comerciais ao longo de 2025. Esse volume constante resultou em um cenário onde a ilha contava com um total acumulado de 191.929 sistemas operacionais no encerramento daquele ano.

Paralelamente ao avanço da captação de luz solar, o armazenamento distribuído por meio de baterias também registrou uma expansão substancial. Os registros oficiais apontam que 171.372 lares e empresas possuíam algum tipo de sistema de bateria interligado até o fim de 2025, totalizando uma capacidade energética de 2.864 megawatts-hora.

Por que as usinas virtuais são importantes no novo modelo?

As políticas de compensação, estabelecidas originalmente em agosto de 2007 em Porto Rico, permitem que os proprietários de painéis comercializem o excedente gerado com a rede pública — mecanismo que funciona de forma semelhante ao Sistema de Compensação de Energia Elétrica, regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no Brasil. No verão passado do Hemisfério Norte, a operadora da rede local, LUMA, ampliou o programa de compartilhamento de energia de baterias de clientes, criando oportunidades adicionais de estabilização do sistema.

Essa ampliação permite que a energia armazenada nas unidades distribuídas abasteça a rede central sempre que a operadora prever escassez na oferta elétrica. É neste contexto que surgem as chamadas usinas virtuais de energia, que agrupam milhares desses equipamentos residenciais dispersos geograficamente em um único sistema coordenado.

Quando operam em conjunto, essas baterias funcionam como uma única usina capaz de despachar eletricidade imediatamente para sustentar a rede. Esse agrupamento apresenta três vantagens fundamentais para a região:

  • Integração de recursos de energia distribuída que reduzem a dependência de combustíveis fósseis importados.
  • Mitigação dos apagões e aumento da resiliência energética nas residências durante períodos de instabilidade climática ou picos de consumo.
  • Compensação financeira direta aos proprietários de baterias que fornecem sua eletricidade excedente para a concessionária.

Companhias globais como a Tesla e a Sunrun trabalham em parceria com a LUMA para gerenciar essas usinas virtuais. A colaboração entre corporações de tecnologia, órgãos reguladores e cidadãos consolida Porto Rico como um polo de modernização de redes elétricas em resposta à vulnerabilidade da infraestrutura tradicional.

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