
A empresa californiana de engenharia Terabase Energy anunciou nesta sexta-feira (3 de abril) a conclusão dos testes de campo e a disponibilidade comercial do Terafab V2, um sistema automatizado para a construção de usinas solares. A inovação tem potencial para impactar mercados de expansão acelerada como o brasileiro, que hoje figura entre os maiores geradores mundiais de energia solar e concentra grandes projetos de usinas fotovoltaicas de grande porte, especialmente na região Nordeste. A tecnologia utiliza inteligência artificial e robótica para processar painéis e tubos de torque no próprio local da obra, otimizando a montagem em estruturas pré-posicionadas.
De acordo com informações da PV Magazine, a iniciativa visa acelerar a transição energética global ao reduzir o tempo e os custos das instalações de grande escala. Além da automação física, a Terabase Energy firmou uma parceria com a consultoria PowerUQ para integrar softwares de análise de incertezas às ferramentas de modelagem solar da plataforma PlantPredict.
Como funciona o sistema de montagem robótica?
O núcleo do sistema atualizado de fábrica é um centro de montagem e inspeção ao ar livre, erguido diretamente nos canteiros de obras ativos. A versão mais recente é otimizada para trabalhar com painéis da First Solar Series 7 e rastreadores da Nextpower. Durante o processo, os painéis paletizados são acoplados a tubos de aço no campo e passam por uma linha de inspeção automatizada que realiza o controle de qualidade, detectando defeitos em tempo real.
Braços robóticos carregam os conjuntos aprovados em veículos não tripulados, que os transportam até os locais designados no campo para a colocação manual.
“Decidimos fazer a pré-fabricação no local devido ao problema de densidade de transporte, mas herdamos outros desafios. É difícil fazer robótica ao ar livre, enfrentando chuva, granizo, vento, poeira e até animais”, explicou Matt Campbell, diretor executivo e cofundador da Terabase Energy.
Quais são os prazos e as metas de instalação?
Os esforços de pesquisa resultaram em uma linha de montagem resistente às intempéries. O maquinário possui um tempo de ciclo de dois minutos, com potencial para instalar 20 megawatts por semana em operação contínua. Atualmente, existem duas fábricas móveis disponíveis, com uma terceira prevista para o final deste ano e um total de dez unidades esperadas para o segundo trimestre de 2027.
A primeira geração do equipamento já foi responsável pela instalação de 40 megawatts em múltiplos projetos comerciais nos Estados Unidos. Com as novas atualizações, a expectativa é instalar centenas de megawatts adicionais ainda em 2026. A nova versão do maquinário é mais compacta, permitindo a realocação em apenas quatro horas, além de operar com o dobro da velocidade do modelo anterior. A meta corporativa é alcançar a capacidade de instalar um gigawatt em um período de dez semanas, utilizando várias máquinas simultaneamente em turnos ininterruptos.
O desenvolvimento contou com apoio financeiro substancial, oriundo principalmente de uma rodada de investimentos da série C liderada pelo Softbank no ano passado, que totalizou US$ 130 milhões.
Qual é o papel da inteligência artificial na previsão de energia?
No campo da engenharia e análise de dados, a integração entre as plataformas digitais das duas empresas parceiras permite simulações avançadas. A ferramenta utiliza computação em nuvem e processamento paralelo para executar simulações tridimensionais detalhadas, superando as limitações dos softwares tradicionais de análise fotovoltaica desenvolvidos para computadores de mesa.
Essa capacidade de processamento profundo aborda uma mudança estrutural no mercado de energia limpa. Historicamente, o valor das usinas derivava de créditos fiscais e altas taxas de contratos de compra, com foco na geração de eletricidade do primeiro ano. No entanto, com o aumento das pressões econômicas e relatos de baixo desempenho de ativos solares ao longo do tempo, tornou-se necessário avaliar os projetos como investimentos de longo prazo estruturados para durar décadas.
Para garantir a viabilidade financeira e técnica, o sistema de análise de incertezas da PowerUQ avalia fatores que introduzem variabilidade na produção energética, como:
- O declínio do desempenho dos componentes técnicos ao longo de décadas de uso constante.
- Políticas de redução de carga impostas por concessionárias de energia pública que limitam a distribuição.
- Impactos climáticos extremos na infraestrutura, como os eventos meteorológicos provocados pelo El Niño.
A avaliação conjunta destas métricas fornece um leque de probabilidades para diferentes cenários de produção, ajudando os investidores institucionais a compreender os riscos e as reais implicações dos resultados técnicos extraídos do modelo digital.