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Energia limpa avança na Europa, mas fósseis ainda pesam

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Turbinas eólicas gigantes giram em um campo verde sob céu nublado, com torres de transmissão de energia ao fundo.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

A União Europeia ampliou de forma acelerada sua geração de energia limpa, com a instalação anual de quase tantos painéis solares e turbinas eólicas quanto o necessário para cumprir suas metas ambientais. Ainda assim, o ritmo lento de substituição de carros a gasolina e caldeiras a gás continua expondo famílias a contas mais altas e à dependência de combustíveis importados. De acordo com informações do Guardian Environment, o alerta foi feito em meio à alta dos preços de petróleo e gás provocada pela crise internacional citada na reportagem. Para o Brasil, o tema é relevante porque oscilações no mercado global de petróleo e gás também afetam preços de energia e combustíveis e influenciam o debate sobre eletrificação e transição energética.

Segundo Adrian Hiel, diretor da Electrification Alliance, a Europa fez um progresso “impressionante” na limpeza de sua matriz elétrica, mas ainda precisa avançar no uso dessa eletricidade em atividades cotidianas, como transporte, aquecimento de edifícios e processos industriais. Para ele, a primeira etapa foi descarbonizar a oferta de energia; a segunda, mais complexa, é levar essa eletricidade limpa para os equipamentos e sistemas usados no dia a dia.

Por que a eletrificação virou o principal desafio para a Europa?

O argumento apresentado por Hiel é que a transformação do setor elétrico europeu não foi acompanhada, na mesma velocidade, pela troca de máquinas e sistemas movidos a combustíveis fósseis. Mesmo com o avanço das renováveis, a permanência de carros a gasolina e caldeiras a gás mantém o bloco vulnerável à volatilidade dos mercados internacionais e à poluição do ar.

Na avaliação dele, a resposta à última crise energética foi marcada por reação apressada, mas acabou impulsionando a expansão das fontes renováveis. Agora, porém, o obstáculo passa a ser outro: a eletricidade ainda enfrenta carga tributária elevada em comparação com os combustíveis fósseis, o que dificulta a transição para tecnologias como carros elétricos e bombas de calor.

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Em declaração reproduzida pela reportagem original, Hiel afirmou que, décadas atrás, a eletricidade gerada a carvão justificava uma taxação mais pesada, mas que esse cenário mudou com a descarbonização crescente do sistema. A defesa feita por ele é que a energia elétrica passe a receber tratamento tributário mais favorável do que petróleo, gás e outros combustíveis fósseis.

O que a Comissão Europeia disse sobre os impostos de energia?

A reportagem informa que líderes europeus já reconheceram que a diferença na tributação entre eletricidade e combustíveis fósseis ameaça objetivos estratégicos, como segurança energética e melhoria da qualidade do ar. Na quinta-feira, 19 de março de 2026, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia — braço executivo da União Europeia — afirmou que vai assegurar que a eletricidade seja menos tributada do que os combustíveis fósseis, por meio da adoção de alíquotas menores.

A Electrification Alliance reúne associações do setor, entre elas a SolarPower Europe, a International Copper Association Europe e a Transport & Environment. O grupo defende uma transição mais rápida para uma economia movida por eletricidade descarbonizada.

  • Expansão anual de energia solar e eólica próxima do necessário para metas verdes
  • Persistência de carros a gasolina e caldeiras a gás na economia europeia
  • Tributação da eletricidade apontada como barreira à transição
  • Defesa de adoção mais rápida de carros elétricos e bombas de calor

Como a crise internacional pressiona os preços da energia?

O texto relaciona a discussão à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro de 2026, e aos desdobramentos sobre o mercado energético. A crise provocou ataques retaliatórios e o fechamento do estreito de Ormuz, rota por onde passam 20% do petróleo mundial e do gás transportado por via marítima. Nos últimos dias, ataques a grandes refinarias no Oriente Médio, inclusive no Catar, importante fornecedor de gás natural liquefeito para a Europa, aumentaram o temor de que os preços dos combustíveis permaneçam elevados mesmo se o conflito terminar em breve.

Hiel afirmou que o gás tende a ficar mais caro à medida que a Europa dispute oferta com a Ásia, e que esse quadro pode durar pelos próximos anos. Na avaliação dele, isso deve pressionar governos a ajudar famílias a pagar contas de energia, o que pode reduzir o espaço orçamentário para políticas de incentivo à eletrificação residencial.

A reportagem também cita avaliação da Agência Internacional de Energia, segundo a qual uma transição mais rápida para carros elétricos e bombas de calor pode complementar medidas emergenciais de economia de combustíveis e reduzir o impacto do choque de preços. O tema dialoga com discussões também presentes no Brasil, onde o avanço de fontes renováveis na geração elétrica contrasta com a dependência de derivados de petróleo no transporte.

Quais sinais o setor vê para acelerar a transição?

De acordo com Hiel, a queda no custo das tecnologias limpas tornou mais viável abandonar combustíveis fósseis agora do que na crise anterior. Ele relatou ter isolado a própria casa, instalado bomba de calor e painéis solares, argumentando que a combinação de economia de energia, redução na taxa da hipoteca e subsídio inicial o deixou praticamente protegido da crise energética. O ponto central de sua fala é que a eletrificação, antes vista como onerosa, passou a ser economicamente mais acessível.

O diagnóstico apresentado na reportagem é que a Europa já avançou na geração limpa, mas ainda não conseguiu transformar esse ganho em menor exposição das famílias aos choques de petróleo e gás. Sem acelerar a substituição de equipamentos movidos a combustíveis fósseis, a região tende a continuar vulnerável a crises externas e a preços elevados de energia.

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