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Endeavor expande operações na Amazônia para impulsionar startups locais

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A organização global Endeavor iniciou um plano de expansão inédito para a região da Amazônia, com a meta de identificar e alavancar o crescimento de novos negócios fora do tradicional eixo entre Rio de Janeiro e São Paulo. Por meio de uma imersão realizada no mês de março, a entidade reuniu 40 empreendedores amazônicos e executivos de grandes marcas nacionais para criar conexões e transformar o ecossistema regional de inovação.

De acordo com informações do Capital Reset, a iniciativa busca adaptar o histórico de sucesso da organização no setor financeiro e de capital de risco para novos ambientes de negócios. A diretora-geral da Endeavor Brasil, Maria Teresa Fornea, assumiu o comando da operação no ano passado e lidera esta nova aproximação estratégica.

Como a Endeavor pretende atuar no ecossistema da Amazônia?

A proposta da organização ainda se encontra em fase de estruturação e consolidação de visão corporativa. O objetivo inicial prioriza o relacionamento em detrimento da imposição de processos prontos. O planejamento foca em estabelecer um movimento estrutural de longo prazo, considerando que a região apresenta grande riqueza natural, mas ainda figura distante da realidade global em relação ao faturamento corporativo.

Queremos atuar como uma conectora e fonte de inspiração, com o objetivo de gerar movimentos estruturais em vez de apenas incrementais

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A estratégia da organização global foi dividida em três frentes principais de atuação prática e fomento técnico:

  • Apoio integrado por meio de parceiros que já atuam localmente na economia sustentável;
  • Conexão direta dos produtos e serviços regionais com a demanda de grandes mercados nacionais;
  • Disponibilização de uma ampla rede de mentores corporativos para orientar o crescimento empresarial.

Na prática, a proposta prevê a conexão de empresas do setor de piscicultura com mercados consumidores do Sudeste e a aproximação de marcas locais de cosméticos e biotecnologia com fundos de inovação de grandes conglomerados de beleza, como o Boticário. Participaram da primeira fase de mentorias diversos executivos ligados ao aplicativo 99, à plataforma de recursos humanos Gupy e à empresa de franquias de alimentação Trigo.

Quais parceiros locais participam do fomento à bioeconomia?

A replicação do modelo de negócios da instituição, que chegou ao território brasileiro no ano 2000, exige a colaboração de entidades com raízes consolidadas no Norte do país. A rede de apoio conta com a atuação de Denis Minev, executivo da Bemol, além de instituições de fomento e pesquisa socioambiental da região.

O grupo de parceiros estabelecidos inclui o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Singulari, o Instituto Arapyaú e o Impact Hub Manaus. Juliana Teles, executiva do Impact Hub, ressalta a urgência de superar a visão restrita e puramente extrativista do mercado tradicional em direção ao futuro da região.

Também precisamos pensar em aplicação de tecnologias, melhorias de logística e fortalecimento de cadeias produtivas para que o valor gerado permaneça na região, para inverter o histórico modelo extrativista

Qual é a realidade atual das startups na região Norte?

Um levantamento recente divulgado pelo Sebrae Startups mapeou o cenário atual da inovação no território amazônico. Os dados revelam que os nove estados que compõem a Amazônia Legal abrigam um total de 2.773 empresas emergentes de base tecnológica. Apesar do alto volume registrado, o ecossistema local ainda se encontra em uma fase inicial de formação e maturação de negócios.

As estatísticas da pesquisa demonstram que cerca de 63% dos negócios avaliados estão em fases iniciais, focados em processos de ideação ou validação de produtos de consumo. Além disso, mais de 66% das empresas de tecnologia locais ainda não registram faturamento próprio e quase 79% operam oficialmente sob a classificação jurídica de microempresas no sistema tributário nacional.

Quais empresas amazônicas já ganharam destaque nacional?

Apesar dos desafios de estruturação técnica e da forte distância dos grandes centros financeiros do país, diversas iniciativas regionais começam a pavimentar o caminho do reconhecimento nacional. No setor de alimentos e bioeconomia, a Manioca transforma ingredientes típicos em produtos para o varejo comum, criando o chamado shoyu amazônico diretamente a partir do tucupi preto.

Na área da infraestrutura logística e conectividade, operam negócios inovadores como a Aeroriver, especializada no desenvolvimento de drones adaptados para a geografia local, e a Navegam, que estrutura rotas multimodais de transporte aquaviário para municípios isolados. Na indústria de beleza limpa, a Amakos formula cosméticos naturais baseados em extratos de copaíba, açaí e sangue de dragão. Fundada em 2021 pela empreendedora Soon Hee Han, a marca instalou sua fábrica na cidade de Manaus, conta com fornecedores de bioinsumos de cinco comunidades ribeirinhas e estima alcançar um faturamento bruto de R$ 3 milhões até o ano de 2026.

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