A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou a presença da bactéria Salmonella em 88% das propriedades de criação de peixes nativos avaliadas no estado do Mato Grosso. O levantamento, citado em reportagem publicada em 24 de março de 2026, acende um alerta para a necessidade de intensificação dos protocolos de sanidade e biosseguridade na piscicultura regional, visando garantir a segurança alimentar e a qualidade do produto final destinado ao consumidor brasileiro.
De acordo com informações do Canal Rural, a pesquisa mapeou a incidência do patógeno em sistemas de produção que utilizam espécies nativas, como o tambaqui e o pintado. A amostragem revelou que a maioria das unidades produtivas analisadas apresentou resultados positivos para a bactéria, o que demanda revisão nos processos de manejo e monitoramento da qualidade da água e do ambiente de criação. A Embrapa é uma empresa pública federal de pesquisa agropecuária ligada ao governo federal.
Qual a gravidade da presença de salmonela nos peixes?
A presença da Salmonella em ambientes aquícolas é uma preocupação de saúde pública, uma vez que a bactéria é uma das principais causas de infecções alimentares em seres humanos. Embora a ocorrência em peixes seja frequentemente associada à contaminação ambiental ou por fezes de animais de sangue quente, a detecção em uma taxa de 88% indica que o patógeno está amplamente disseminado nas cadeias produtivas avaliadas pela Embrapa.
Para o consumidor, o risco de infecção ocorre principalmente pelo manuseio inadequado do peixe cru ou pelo consumo de carne insuficientemente cozida. O tratamento térmico adequado é eficaz para eliminar o microrganismo, mas a contaminação cruzada em cozinhas, frigoríficos e outras etapas do processamento permanece como um ponto crítico que exige atenção durante todo o fluxo do alimento, do campo até a mesa.
Como o estudo impacta o setor produtivo no Mato Grosso?
O Mato Grosso é um dos principais polos de piscicultura de água doce do país, e o Centro-Oeste tem peso relevante na produção aquícola brasileira. A detecção da bactéria nessa escala pode afetar a imagem dos produtos regionais e reforça a necessidade de medidas corretivas nas propriedades. A Embrapa ressalta que o foco deve estar na melhoria das práticas de higiene e na implementação de sistemas de controle mais rigorosos nas propriedades rurais.
Além das questões de saúde pública, a sanidade animal também pode ser afetada, pois o desequilíbrio microbiológico nos tanques pode fragilizar o sistema imunológico dos peixes, tornando-os mais suscetíveis a outras doenças. O setor busca orientações técnicas para mitigar o problema, focando especialmente nos seguintes pontos:
- Qualidade da água de abastecimento dos tanques;
- Controle de pragas e animais silvestres no entorno das criações;
- Higiene rigorosa no transporte e abate dos animais;
- Monitoramento constante de coliformes e outros indicadores sanitários;
- Treinamento de pessoal para boas práticas de manejo.
Quais são as recomendações para os piscicultores?
A orientação técnica sugere que os produtores busquem assistência especializada para realizar um diagnóstico individualizado de suas propriedades. O uso de antibióticos não é a solução primária, pois pode gerar resistência bacteriana; a estratégia deve ser baseada em prevenção e barreiras sanitárias físicas e biológicas. A limpeza de equipamentos e o controle rigoroso da densidade de estocagem nos tanques são passos fundamentais para reduzir a carga bacteriana no ambiente.
A Embrapa continuará monitorando a situação e produzindo dados que auxiliem na construção de políticas de sanidade animal para o Centro-Oeste. É essencial que o setor produtivo colabore com as autoridades sanitárias para assegurar que a piscicultura de peixes nativos continue sendo uma atividade economicamente viável e segura para o mercado nacional e internacional.
