As embalagens de material renovável vêm ampliando espaço no delivery e no food service em março de 2026, à medida que a indústria busca substituir insumos de origem fóssil, como o plástico, por alternativas com menor impacto ambiental. O movimento envolve novos materiais, melhorias de vedação, mais resistência no transporte de alimentos e funções de conveniência para o consumidor. De acordo com informações do Valor Empresas, empresas do setor apostam em papel, biopolímeros e soluções compostáveis para atender a uma demanda crescente por descarte e reciclagem mais simples.
Segundo o texto original, marcas e clientes têm valorizado embalagens de uso único com menor impacto ambiental, mas o setor ainda enfrenta desafios técnicos, sobretudo no transporte de líquidos quentes, alimentos gordurosos e preparações que perdem textura rapidamente. Para responder a isso, fabricantes vêm investindo em design, em encaixes mais eficientes entre tampa e fundo e em novas barreiras funcionais.
Como a indústria tem buscado melhorar o desempenho das embalagens?
A aposta no papel aparece como uma das principais frentes para ampliar a resistência estrutural das embalagens. O gerente-executivo de estratégia e marketing da Suzano, Guilherme Dabdab, afirmou que a indústria tem investido em novas soluções e materiais para superar limitações de desempenho.
“Destaco, por exemplo, alternativas de selagem de tampa e fundos em papel com barreiras funcionais biodegradáveis”
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A tendência também acompanha mudanças observadas fora do Brasil. De acordo com o diretor comercial e de marketing da Papirus, Amando Varella, a restrição de sachês plásticos individuais de condimentos em bares, restaurantes e hotéis da União Europeia, a partir deste ano, tende a inspirar projetos de papelização no mercado brasileiro. No relato reproduzido pela reportagem, ele avalia que a cadeia de papel e celulose tem vantagem por usar matéria-prima renovável e contar com infraestrutura de reciclagem já estabelecida.
Quais empresas e soluções foram citadas na reportagem?
A Papirus, fornecedora de papel-cartão para embalagens de alimentos, está finalizando testes de um equipamento que permitirá incorporar biopolímero vegetal à composição do papel-cartão. A proposta é oferecer uma alternativa ao polímero convencional usado como barreira para líquidos, ampliando as possibilidades de aplicação do material.
A Suzano, por sua vez, mantém uma linha de papel-cartão com barreira para copos, tigelas, potes redondos e embalagens personalizadas. Segundo a reportagem, esse portfólio também pode ser usado na produção de sachês para ingredientes secos, como sal e açúcar, além de formatos para sanduíches, batatas fritas e potes de molho voltados ao consumo em movimento.
A Klabin desenvolve soluções com fibras longas de pinus e fibras curtas de eucalipto. De acordo com José Soares, diretor comercial de papéis da empresa, esses materiais oferecem barreiras à umidade e à gordura, preservando a estrutura da embalagem e a integridade dos alimentos. A linha é indicada para refeições prontas, lanches e bebidas quentes e frias.
O que muda para o consumidor e para o mercado?
A reportagem também destaca a atuação da Melhoramentos, que inaugurou em meados de 2025 uma fábrica de embalagens sustentáveis em Camanducaia, no sul de Minas Gerais. A empresa desenvolveu, pela marca Biona, uma embalagem feita a partir de fibra à base de eucalipto, descrita como compostável e com barreira a óleo, água e temperaturas extremas. No segundo semestre, a companhia pretende lançar uma nova tecnologia de vedação ao vapor d’água e ao oxigênio para ampliar a atuação além do mercado de alimentação.
Segundo Carolina Alcoforado, diretora-executiva de gestão e novos negócios da Melhoramentos, a embalagem pode ir ao micro-ondas, à air fryer, ao forno ou ao congelador, sem que o alimento precise ser transferido para outro recipiente.
“A gente brinca que é uma louça a menos para lavar. Você gera uma forma de uso muito flexível para o cliente”
Além disso, a ERTBio, que já fornece bioplástico compostável obtido a partir da fermentação do açúcar para o setor de delivery de alimentos, pretende ampliar sua presença no mercado. Conforme relatado por Gabriela Gugelmin, diretora de estratégia e sustentabilidade da empresa, a companhia desenvolveu outro insumo biológico para a laminação de papel usado no revestimento de copos de refrigerante, em substituição à laminação plástica.
Entre os principais pontos citados pela reportagem, estão:
- substituição de materiais fósseis por insumos renováveis;
- busca por melhor vedação e resistência no transporte;
- uso de papel com barreiras contra umidade, gordura e líquidos;
- avanço de soluções compostáveis e recicláveis;
- incorporação de conveniência no uso, aquecimento e armazenamento.
O cenário descrito mostra que a evolução das embalagens para alimentos combina exigências técnicas, pressão por menor impacto ambiental e adaptação às novas demandas de consumo, especialmente em segmentos ligados a entregas e refeições prontas.



