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Eliziane Gama oficializa saída do PSD e assina com o PT de Lula visando o Senado

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A senadora Eliziane Gama (MA) oficializou nesta quinta-feira (2 de abril) a sua desfiliação do Partido Social Democrático (PSD) para ingressar no Partido dos Trabalhadores (PT). A mudança partidária em Brasília ocorre como uma reação direta à decisão de sua antiga legenda de lançar o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. De acordo com informações do UOL Notícias, a parlamentar maranhense alinhavou a transição com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visando o fortalecimento de sua base para as próximas eleições.

A articulação para a troca de sigla não é recente e teve seus primeiros passos dados ainda no mês de fevereiro. Durante uma viagem oficial ao continente asiático, o chefe do Executivo federal sondou a senadora sobre a viabilidade de uma migração para a base petista. O objetivo central de Eliziane Gama é viabilizar o seu projeto de reeleição ao Senado Federal representando o estado do Maranhão, ancorada no apoio direto do Palácio do Planalto.

Por que a candidatura de Ronaldo Caiado motivou a saída da senadora?

O estopim para a saída da senadora do partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab foi a guinada ideológica da legenda. Na última segunda-feira (30 de março), o PSD oficializou o nome de Ronaldo Caiado, considerado um quadro posicionado mais à direita no espectro político interno. O goiano superou nomes que também almejavam a disputa pelo Palácio do Planalto, como o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Ao justificar a sua decisão, a parlamentar maranhense destacou as profundas divergências políticas com o novo rumo da sigla:

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O PSD decidiu seguir um novo trilho político no país, eu respeito mas tenho um pensamento diferente, que é público no Brasil. Mesmo com todas as garantias recebidas pelo presidente Kassab, decido que meu ciclo no PSD se encerra aqui e vou percorrer novos caminhos.

A declaração da senadora ressaltou o fim do seu alinhamento orgânico com a diretriz nacional do partido.

Como o histórico de investigação em Brasília pesou na decisão?

A incompatibilidade entre Eliziane Gama e o projeto presidencial do PSD tornou-se insustentável após as primeiras declarações do pré-candidato goiano. Em seu discurso de lançamento, Ronaldo Caiado prometeu que o seu primeiro ato institucional, caso seja eleito, será a concessão de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-mandatário encontra-se atualmente cumprindo pena em regime domiciliar após condenação relacionada a uma tentativa de golpe de Estado no país.

Esta promessa entra em colisão frontal com o histórico recente de atuação da senadora no Congresso Nacional. Eliziane Gama ocupou a posição de relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI do 8 de Janeiro), responsável por investigar os ataques de 2023 contra as sedes dos Três Poderes. No documento final de seu relatório, a parlamentar propôs as seguintes responsabilizações criminais contra o antigo chefe do Executivo:

  • Associação criminosa para fins de ruptura institucional.
  • Prática sistemática de violência política.
  • Abolição violenta do Estado democrático de Direito.
  • Tentativa de execução de golpe de Estado militar.

Qual é o cenário político desenhado para as vagas no Maranhão?

Com a migração para a base governista consolidada, a senadora passa a compor uma complexa teia de alianças no Maranhão, onde o cenário eleitoral ainda apresenta grande grau de incerteza e concorrência mútua. A disputa local pelo cobiçado apoio presidencial será severamente acirrada, uma vez que, com a renovação de dois terços da Casa Alta nestas eleições, existem apenas duas cadeiras disponíveis para o Senado Federal por estado, mas três candidatos governistas almejando a vitória nas urnas.

Além de Eliziane Gama, que mobiliza sua força política para manter a sua vaga parlamentar, outros dois nomes de alto escalão disputam a preferência estratégica do presidente Lula no estado nordestino. O atual senador Weverton Rocha, filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), busca consolidar o seu projeto de reeleição contínua. Paralelamente, o atual ministro do Esporte e deputado federal André Fufuca, representante da agremiação Progressistas (PP), também articula intensamente a sua candidatura para o Legislativo brasileiro.

Por que a chegada ao partido governista é vista como estratégica?

Para a direção nacional do PT, a adesão formal da parlamentar maranhense representa uma aquisição estratégica de altíssimo valor político para a governabilidade. A cúpula petista avalia internamente que Eliziane Gama possui uma capacidade única de expansão eleitoral que ultrapassa as fronteiras tradicionais do eleitorado de matriz esquerdista, funcionando como uma vital ponte de diálogo com setores historicamente mais conservadores e resistentes da sociedade civil.

O grande e inegável trunfo político da senadora, segundo a criteriosa visão dos principais articuladores do governo federal, é a sua consolidada e influente ligação com as bases evangélicas brasileiras de grande porte. Por ser uma integrante plenamente ativa da Assembleia de Deus, a parlamentar carrega consigo o potencial decisivo de reduzir a forte rejeição histórica do partido do presidente Lula junto a esse gigantesco segmento religioso nacional, fator este que é considerado absolutamente fundamental para garantir o sucesso das alianças majoritárias nas iminentes disputas eleitorais.

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