A disputa pelo espólio eleitoral do PSDB se intensifica no primeiro trimestre deste ano eleitoral. O partido, que já polarizou a política nacional e governou o estado de São Paulo por 28 anos consecutivos, vê hoje diferentes atores tentando herdar seus antigos eleitores. Em março de 2026, de acordo com análises publicadas pelo portal Jota, o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), a ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB) e o vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB) despontam como os principais interessados nesse capital político para o pleito de outubro.
Na busca por consolidar sua posição como principal liderança da direita no país, Tarcísio tem se aproximado de figuras históricas da sigla, como o deputado federal e ex-presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG), sinalizando parcerias regionais. No atual governo federal, Simone Tebet é vista pela coalizão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como peça-chave para dialogar com o centro democrático. Já Geraldo Alckmin, que foi um dos fundadores do PSDB e militou na legenda por 33 anos antes de migrar para o PSB, tenta reativar pontes com sua antiga base social-democrata.
Desafios para Tarcísio na busca pelo eleitorado do PSDB
Tarcísio de Freitas enfrenta a missão de convencer o eleitorado tradicional do PSDB, historicamente mais identificado com pautas institucionais e econômicas moderadas, de que ele representa uma opção viável. Sua associação ao bolsonarismo pode ser um obstáculo, já que parte dos eleitores tucanos rejeita extremos políticos. Além disso, o governador precisa construir uma narrativa que o diferencie de outras alas da direita, apresentando propostas concretas para os problemas do país.
O papel de Simone Tebet na estratégia do governo
Simone Tebet é vista como uma figura importante para ampliar o espectro político da atual gestão federal para 2026, atraindo o eleitorado de centro que historicamente votou no PSDB. Sua postura moderada e seu discurso em defesa da responsabilidade fiscal podem ser atrativos para esse grupo, que busca alternativas à polarização. No entanto, a ministra precisa equilibrar sua atuação institucional com a necessidade de manter sua identidade política, evitando ser vista apenas como uma peça do tabuleiro petista.
A influência de Alckmin na disputa tucana
Geraldo Alckmin, com sua longa trajetória no comando de São Paulo pelo PSDB, ainda mantém laços com parte da militância e das lideranças da sigla. Sua posição como vice-presidente da República confere visibilidade institucional para articular alianças e negociar espaços para o eleitorado tucano mais alinhado à centro-esquerda. O desafio de Alckmin, contudo, é lidar com o encolhimento do seu ex-partido e com as críticas da ala que considerou sua aliança histórica com o PT uma traição.
Perspectivas para o PSDB nas eleições
O PSDB atravessa uma das maiores crises de sua história desde a redemocratização, marcada por perda de representatividade no Congresso Nacional e governos estaduais. A disputa pulverizada pelo seu espólio eleitoral reflete essa fragilidade institucional, com diferentes forças políticas buscando atrair o eleitor moderado. Para sobreviver, a legenda precisa encontrar um novo rumo e definir uma identidade clara, sendo a eleição de 2026 um teste crucial de sobrevivência para o partido.



