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Documentário da UFF investigará impactos da escravidão no Brasil e no mundo

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O representante da Comissão Pequena África, Luiz Eduardo Negro Ogum fala durante coletiva de imprensa para anúncio de patrocí
O representante da Comissão Pequena África, Luiz Eduardo Negro Ogum fala durante coletiva de imprensa para anúncio de patrocínio para conservação do Cais do Valongo pelo consulado dos EUA no Valor de US$ 500 mil. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

Um documentário de longa-metragem em pré-produção, desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF), vai investigar como a escravidão ainda influencia desigualdades sociais, econômicas e políticas no Brasil contemporâneo. O projeto reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros, foi apresentado nesta terça-feira, 31 de março de 2026, no Rio de Janeiro, e propõe uma abordagem transnacional para conectar passado e presente a partir do debate sobre reparações históricas. De acordo com informações da Agência Brasil, a produção integra uma iniciativa internacional financiada pelo governo britânico.

À frente do roteiro e da produção no Brasil está a historiadora Ynaê Lopes dos Santos, professora do Departamento de História da UFF. Segundo a reportagem, o filme nasce de uma pesquisa mais ampla sobre reparações da escravidão em diferentes territórios e envolve instituições acadêmicas de vários países, como a University of Bristol, universidades em Gana e na Dominica, além da parceria com a organização brasileira Cultne, voltada à preservação da memória audiovisual da cultura negra.

Qual será o foco do documentário no Brasil?

No Brasil, o eixo central do documentário será a região da Pequena África, no Rio de Janeiro, com destaque para o Cais do Valongo, na zona portuária da capital fluminense, reconhecido como o maior porto de entrada de africanos escravizados nas Américas e declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 2017. A escolha do local, segundo Ynaê Lopes dos Santos, se relaciona tanto à sua relevância histórica quanto às mobilizações atuais de moradores, ativistas e pesquisadores.

“A ideia é pensar não só as reverberações da escravidão atlântica de maneira comparada e conectada, mas sobretudo entender como os processos de reparação vêm sendo construídos nesses países”

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O projeto também contará com a participação do Instituto Pretos Novos, instituição que atua na preservação da memória de africanos escravizados a partir de vestígios arqueológicos encontrados na região. A proposta, de acordo com a historiadora, é pensar possibilidades de reparação a partir das narrativas e das lutas sociais construídas nesse território.

Por que a produção relaciona escravidão e desigualdade atual?

Segundo Ynaê Lopes dos Santos, o documentário parte da avaliação de que estruturas criadas durante a escravidão seguem presentes na sociedade brasileira. A proposta é mostrar como o racismo opera a partir da experiência histórica da população negra e como seus efeitos atravessam diferentes dimensões da vida social.

“Nós temos a manutenção de uma desigualdade que foi criada durante a escravidão e que não foi resolvida ao longo de mais de 130 anos de República”

“Existe uma desigualdade abissal entre a população branca e a população negra. E discutir reparação não é apenas sobre a população negra — é sobre o país inteiro”

A produção brasileira fará parte de uma série de documentários realizados em diferentes países. Cada obra abordará a escravidão a partir do seu próprio território, mas em diálogo com as demais. A escolha de Brasil, Inglaterra, Gana e Dominica busca refletir dimensões distintas do sistema escravista atlântico.

Como o projeto pretende levar a pesquisa para além da universidade?

Além do longa-metragem, a iniciativa prevê a produção de conteúdos audiovisuais curtos com uso educacional, em alinhamento com a Base Nacional Comum Curricular, a BNCC, e com as leis que determinam o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas. A proposta também busca ampliar o alcance do conhecimento produzido na universidade pública.

“A universidade pública produz conhecimento de qualidade. O desafio é transformar isso em uma linguagem que dialogue com o público mais amplo”

De acordo com a pesquisadora, o filme pretende conciliar rigor histórico e acessibilidade, valorizando o protagonismo de lideranças negras, pesquisadores e moradores da região da Pequena África. A equipe também avalia a possibilidade de desdobrar o projeto em série, diante da complexidade do tema.

  • Projeto em fase de pré-produção
  • Coordenação brasileira da UFF
  • Participação de instituições do Brasil, Inglaterra, Gana e Dominica
  • Foco no Cais do Valongo e na Pequena África
  • Previsão de conclusão até o fim de 2027

Ainda sem título definido, o documentário deve ser concluído até o fim de 2027. Para Ynaê Lopes dos Santos, a discussão sobre reparação histórica ultrapassa a revisão do passado e se insere como um debate do presente, com impacto direto sobre a compreensão da história e das desigualdades no Brasil.

“A ideia é fazer um bom uso do audiovisual, criando conexões, emoções e trazendo protagonismo para quem sempre esteve à frente dessa luta”

“Falar de reparação é falar de um problema atual. É uma discussão que tem o tamanho da história do Brasil e que precisa ser enfrentada”

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