
Neste início de abril de 2026, o produtor cultural e DJ Cabra Guaraná tem chamado a atenção do público em todo o Brasil ao transformar a combinação de ritmos musicais improváveis em um fenômeno nas redes sociais. Nascido em Goiás e criado no Distrito Federal, o artista ganha projeção nacional ao misturar sucessos internacionais com a essência da música brasileira. De acordo com informações do G1, o produtor atingiu a marca de quase 1,5 milhão de visualizações no YouTube, além de atrair milhares de seguidores e ouvintes mensais em diversas plataformas digitais.
Como o projeto do DJ brasiliense ganhou visibilidade nacional?
A trajetória do engenheiro de formação começou de maneira tímida em 2017, atuando ao lado de um amigo, mas o formato atual do projeto foi consolidado no ano seguinte. O grande ponto de virada ocorreu durante a pandemia, período no qual o artista começou a produzir e publicar semanalmente novas versões de faixas já conhecidas. O objetivo inicial era divulgar composições autorais, contudo, a aceitação do público mudou os rumos de sua carreira.
“Era para divulgar minhas músicas autorais, mas aí os remixes começaram a rodar. DJs do Brasil inteiro tocavam minhas músicas antes mesmo de saber quem eu era”, relata o artista.
A partir dessa descoberta, o criador de conteúdo focou naquilo que ele próprio chama de “mexidões”, que consistem na fusão de duas ou mais canções para formar uma nova obra. A regra inegociável de suas produções é garantir que ao menos uma das faixas utilizadas seja de origem nacional.
Quais são as principais criações e a reação do público aos mashups?
O estilo característico das apresentações, definido pelo DJ como uma “arruaça planejada”, tem gerado reações de surpresa e engajamento por onde passa. A popularidade crescente na internet resultou em convites para apresentações em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Santa Catarina. Em um de seus marcos recentes, o produtor chegou a comandar as picapes na badalada festa de aniversário da cantora pop Anitta, após indicação do ator Matheus Abreu.
Entre as produções que mais se destacam no repertório do músico, encontram-se misturas que rompem com as barreiras tradicionais dos gêneros sonoros. O artista lista suas combinações preferidas para agitar os eventos:
- Chico Science e Nação Zumbi (pioneiros do movimento manguebeat) com o astro porto-riquenho Bad Bunny;
- Sequência baseada na trilha sonora do programa infantil Cocoricó;
- Banda Calypso (ícone do tecnobrega paraense) mesclada com a banda de rock americana Linkin Park;
- O pop de Michael Jackson unido à batida do piseiro nordestino;
- Os versos do grupo de rap Racionais MC’s sobrepostos às melodias da MPB de Djavan;
- A canção “Chorei na Vaquejada” em sintonia com o sucesso eletrônico “Better Off Alone”.
Quais são os desafios com os direitos autorais e as novidades na carreira?
O sucesso exponencial também carrega obstáculos operacionais, em especial no tocante aos direitos autorais das obras originais manipuladas nos sets. Grande parte das edições criadas pelo artista não pode ser hospedada em plataformas de streaming de áudio devido às restrições legais impostas pela indústria fonográfica. Nas plataformas de vídeo, a monetização gerada pelas visualizações costuma ser direcionada integralmente aos detentores oficiais das gravações originais.
Apesar de colher os frutos do reconhecimento em diversas capitais brasileiras, a consolidação de seu nome em Brasília ocorreu de forma mais tardia. Essa percepção motivou o DJ a idealizar o chamado Baile da Cabra. Com pouco mais de um ano de existência, o evento itinerante se transformou em um espaço dedicado não apenas à sua própria arte, mas também à promoção de outros talentos emergentes no cenário cultural local.
“Se você ouvir um set meu, vai ser a coisa mais aleatória que você já ouviu na vida. Isso eu garanto”, afirma o idealizador do projeto.


