O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se o centro de uma disputa de poder que envolve diretamente a Corte e o Palácio do Planalto, segundo reportagem publicada em 23 de fevereiro de 2026 pela Gazeta do Povo. De acordo com a publicação, uma eventual saída de Toffoli abriria espaço para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeasse um substituto potencialmente mais alinhado aos interesses do governo, ao mesmo tempo que fragilizaria o Supremo e estimularia novas investidas contra a Corte.
Qual é o papel do Senado nessa disputa?
O Senado desponta como um terceiro ator importante nesse tabuleiro de interesses políticos. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, vem retardando a sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no STF, em meio ao interesse de emplacar seu aliado e amigo pessoal, Rodrigo Pacheco, na Corte. Como cabe ao Senado sabatinar e aprovar indicados ao Supremo, a abertura de uma nova cadeira, caso Toffoli deixasse o tribunal, permitiria que Lula acomodasse simultaneamente Messias e Pacheco, atendendo a diferentes interesses políticos.
Quais são as pressões sobre Toffoli?
A pressão sobre Toffoli se intensificou após a Polícia Federal produzir um relatório de cerca de 200 páginas mencionando possíveis conexões entre o ministro e o empresário Daniel Vorcaro, principal figura do Banco Master. O texto original não informa em que data o relatório foi entregue. O documento foi entregue pessoalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, nome escolhido por Lula, o que ampliou a dimensão política do episódio dentro e fora da Corte.
Como especialistas veem essa situação?
Para Ricardo de João Braga, doutor em Ciência Política pela UnB, o cálculo político em torno de uma eventual saída de Toffoli é complexo.
“Não me parece que Lula tenha carinho por Toffoli. O ministro não está alinhado aos interesses do PT hoje e se posiciona muito mais de acordo com as forças internas do próprio Supremo. Olhando o valor de face, Lula aparentemente ganharia ao poder indicar mais um membro ao Supremo, caso Toffoli saísse.”
Katia Magalhães, advogada especialista em responsabilidade civil, acrescenta que a movimentação demonstraria um possível trabalho de Lula em prol da transparência na Corte e poderia gerar ganhos políticos.
Quais são os riscos para a estabilidade institucional?
Especialistas apontam que um possível impeachment de Toffoli quebraria o cenário de blindagem estabelecido pelo Judiciário. Braga avalia que
“até hoje, ministros do STF são intocáveis. Não se investiga, não se pune, não se toca. Quem pode fazer isso é o Senado Federal através de um impeachment de ministro.”
Ambos os especialistas concordam que o Brasil vive um processo contínuo de degradação institucional, no qual atores públicos priorizam disputas de poder em detrimento da autocontenção e do interesse coletivo.



