A digitalização da economia brasileira avança rapidamente, impulsionada por tecnologias como redes 5G e inteligência artificial. No entanto, essa transformação ocorre sobre uma base desigual de conectividade, criando o risco de um ‘Brasil algorítmico’ em camadas. De acordo com informações do Tele.Síntese, a falta de acesso à internet de qualidade em áreas rurais e periferias urbanas impede que dados consistentes sejam gerados, o que afeta a representação dessas populações em sistemas de decisão.
Quais são os impactos econômicos da exclusão digital?
O uso de dados e automação já influencia setores como finanças, varejo e saúde. Modelos analíticos definem ofertas e elegibilidade, mas quando operam sobre bases de dados incompletas, o risco econômico é significativo. A GSMA aponta que países com desigualdades de conectividade tendem a ver a digitalização aprofundar assimetrias regionais, concentrando ganhos em áreas já bem atendidas. No Brasil, isso pode significar uma economia digital desequilibrada, reforçando diferenças regionais históricas.
Como a conectividade deve ser tratada?
Tratar a conectividade apenas como um tema de mercado é insuficiente. Redes de telecomunicações sustentam serviços essenciais e oportunidades econômicas. Assim, a infraestrutura digital deve ser considerada uma política pública estratégica. O Brasil avançou em marcos regulatórios importantes, como a Lei Geral de Proteção de Dados, mas sem uma base homogênea de conectividade, a aplicação dessas políticas tende a ser desigual.
“Regulamentar o uso de dados e algoritmos sem enfrentar a exclusão digital estrutural significa regular apenas a camada superior do problema.”
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Quais são os desafios regulatórios?
O uso crescente de dados públicos e privados para decisões de mercado cria um ciclo de exclusão. Menos dados geram menos ofertas e oportunidades, impactando a dinâmica competitiva de diversos setores. O debate regulatório sobre inteligência artificial e automação precisa considerar a desigualdade de conectividade. Governar algoritmos em um país com grandes assimetrias de acesso digital exige políticas integradas que articulem telecom, dados e inclusão digital.
Como evitar o risco estrutural?
O Brasil tem condições de avançar na economia digital de forma mais equilibrada, mas isso exige reconhecer que dados, conectividade e desigualdade são parte do mesmo problema. Um país que automatiza decisões sem universalizar o acesso à infraestrutura digital corre o risco de transformar inovação em vetor de exclusão.
“O risco do Brasil algorítmico em camadas não está na tecnologia em si, mas na ausência de uma estratégia integrada.”
Fonte original: Tele.Síntese