O Complexo de Reabilitação do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém, promoveu uma série de atividades especiais para marcar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo na quinta-feira (2). A programação envolveu o Núcleo de Atendimento Transtorno do Espectro Autista (Natea) e o Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cetea), além da unidade de Capanema, no nordeste paraense. Tais iniciativas refletem uma demanda crescente no Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Brasil por centros integrados que ofereçam tratamento multidisciplinar e especializado para pessoas com o transtorno. O evento reuniu usuários, familiares e profissionais em momentos de diálogo, apresentações culturais e discussões sobre a inclusão efetiva na sociedade.
De acordo com informações da Agência Pará, as festividades contaram com a participação da Banda Diversom e a realização de um “Show de Talentos”, que destacou as habilidades dos usuários das instituições. Além das atividades lúdicas, uma roda de conversa abordou o tema “Autistas no mercado de trabalho”, mediada pelo designer gráfico André Rendeiro, que compartilha a vivência de um diagnóstico tardio de autismo e os desafios da trajetória profissional e acadêmica.
Como o mercado de trabalho foi discutido durante o evento?
Durante a roda de conversa, André Rendeiro enfatizou que a inclusão não deve ser encarada apenas como um discurso institucional ou ferramenta de marketing. Ele ressaltou que sua maior motivação é apoiar sua filha, que também possui diagnóstico de autismo, para que ela encontre um ambiente mais acolhedor do que o enfrentado por ele. Rendeiro defendeu que a consciência sobre o espectro deve ser uma prática diária e consistente para gerar mudanças sólidas na sociedade.
É importante que a gente deixe de pensar em conscientização e inclusão apenas como discurso ou como ferramenta de venda. Precisamos ter uma prática diária que, só assim, a gente consegue fazer uma inclusão real e sólida.
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A inclusão profissional é um dos pilares discutidos pelo CIIR, visando garantir que as competências individuais sejam valorizadas acima das limitações. A presença de profissionais autistas em diferentes áreas ajuda a quebrar estigmas e a fomentar um ambiente de trabalho mais diverso e produtivo, conforme debatido pelos participantes da roda de conversa nas unidades Natea e Cetea.
Quais foram os avanços percebidos pelas famílias dos usuários?
O impacto das terapias oferecidas pelo Governo do Pará foi destacado por familiares como Hildamar do Socorro Pinheiro da Silva, de 58 anos. Seu filho Hian, de 32 anos, é assistido pelo Cetea e apresentou melhoras significativas no controle de comportamento e na paciência. Segundo a mãe, o atendimento especializado foi fundamental para que ele conseguisse lidar melhor com situações adversas, tornando-se mais ponderado em suas interações sociais.
Outro relato positivo veio de Maria Teixeira da Silva, de 23 anos, mãe de um usuário do Natea dos Caetés, em Capanema. Para ela, a visibilidade trazida pela data é crucial para o acolhimento das famílias. Maria afirmou que o suporte especializado faz a diferença direta no desenvolvimento das crianças e na segurança que as mães sentem ao verem seus filhos assistidos por uma equipe humanizada e preparada para as necessidades específicas do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Qual a relevância do modelo de atendimento oferecido pelo SUS no Pará?
A coordenadora assistencial do Cetea, Sâmilly Batista, explicou que a assistência prestada é fundamentada em evidências científicas e focada na individualidade de cada usuário. O modelo de cuidado adotado pelo centro é pioneiro no Sistema Único de Saúde (SUS), integrando atuação multiprofissional, treinamento parental e capacitação contínua de profissionais de saúde, o que amplia o impacto positivo em toda a rede de atendimento do estado. Em âmbito nacional, políticas públicas voltadas ao autismo ganharam força com a Lei Berenice Piana (Lei 12.764/2012), que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
- Uso de evidências científicas no tratamento do TEA;
- Foco no treinamento parental para fortalecer o suporte familiar;
- Capacitação constante da rede multiprofissional;
- Atendimento humanizado e focado na autonomia do usuário.
O Natea dos Caetés, entregue em outubro de 2022, tornou-se referência para pessoas entre três a 18 anos. No ano de 2025, a unidade registrou o expressivo número de 85.963 atendimentos. Já nos dois primeiros meses de 2026, o núcleo totaliza 7.275 procedimentos realizados. Somados, o Natea e o Cetea em Belém mantêm uma média superior a sete mil atendimentos mensais, consolidando a rede de apoio como uma das mais ativas da região Norte do Brasil.


