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Desequilíbrio energético recorde faz Terra aquecer mais rápido, aponta OMM

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O desequilíbrio energético da Terra atingiu em 2025 o maior nível desde o início dos registros, em 1960, segundo relatório da Organização Meteorológica Mundial divulgado na segunda-feira, 23 de março de 2026. Na prática, isso significa que o planeta segue acumulando calor em ritmo acelerado, impulsionado pela alta concentração de gases de efeito estufa, com impactos sobre oceanos, geleiras, gelo marinho e saúde humana.

Para o Brasil, esse cenário global ajuda a explicar a maior pressão sobre eventos extremos já observados no país, como ondas de calor, secas, chuvas intensas e a expansão de doenças sensíveis ao clima. Como a economia brasileira depende fortemente da agropecuária, da geração hidrelétrica e de uma extensa faixa costeira, mudanças na temperatura e no regime de chuvas têm efeitos diretos sobre produção, energia e infraestrutura.

De acordo com informações do Projeto Colabora, com base no relatório “Estado do Clima Global 2025”, da OMM, o excesso de energia retido pelas emissões humanas de gases de efeito estufa está aquecendo oceanos, continentes e a atmosfera, além de acelerar o derretimento de gelo.

O relatório afirma que a crise climática exige ações urgentes e ambiciosas e alerta que parte dos impactos já é irreversível por séculos ou milênios. No lançamento do documento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o quadro como uma emergência global.

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“O estado do clima global é de emergência. O planeta está sendo levado além de seus limites. Todos os principais indicadores estão em alerta máximo”

Guterres também relacionou o agravamento da crise climática à dependência de combustíveis fósseis. Segundo ele, o avanço do aquecimento global e o atraso nas respostas ampliam os riscos climáticos e seus efeitos sobre a segurança global.

“O relatório de hoje deveria vir com um aviso: o caos climático está se acelerando e a demora é fatal”

O que explica a aceleração do aquecimento global?

O desequilíbrio energético mede a velocidade com que o calor retido pelas emissões humanas se acumula no sistema climático. Esse excesso de energia é associado principalmente ao uso de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás, além do desmatamento, que agrava o problema. No caso brasileiro, a derrubada de florestas, especialmente na Amazônia, também interfere no ciclo das chuvas e amplia impactos ambientais em escala regional e nacional.

Em 2024, último ano com dados consolidados, a concentração de CO₂ registrou o maior crescimento anual desde o início das medições modernas, em 1957. O relatório também informa que as concentrações de metano e óxido nitroso atingiram níveis recordes no mesmo período, e dados preliminares indicam continuidade da alta em 2025.

Segundo o documento, esse aumento do CO₂ foi impulsionado por emissões contínuas de origem fóssil, por incêndios e pela redução da eficácia dos sumidouros terrestres e oceânicos. Esses fatores ajudam a explicar por que o planeta continua retendo mais calor.

Por que 2025 foi um ano tão quente mesmo sem El Niño?

O ano de 2025 foi o segundo ou o terceiro mais quente em 176 anos de observações, a depender da base de dados analisada. Ainda que tenha ficado abaixo de 2024, considerado o ano mais quente já registrado, o resultado não contraria a tendência de aceleração do aquecimento global.

A OMM destaca que fenômenos naturais como El Niño e La Niña influenciam temporariamente a temperatura média global. Em 2024, o El Niño contribuiu para elevar as temperaturas. Já em 2025, houve transição para condições neutras ou de La Niña fraca, o que tende a reduzir esse efeito. Mesmo assim, as temperaturas ficaram acima das registradas antes de 2023.

Por isso, o relatório conclui que 2025 se tornou o ano mais quente já registrado sem a presença do El Niño, reforçando o diagnóstico de que o aquecimento de longo prazo segue em intensificação.

Quais indicadores mostram o agravamento nos oceanos e no gelo?

O conteúdo de calor oceânico atingiu em 2025 o maior nível em 66 anos de registros, superando o recorde de 2024. Nos últimos nove anos, cada ano estabeleceu um novo recorde. A taxa de aquecimento observada entre 2005 e 2025 é mais que o dobro da verificada entre 1960 e 2005.

O relatório informa que cerca de 91% do calor absorvido pelo planeta vai para os oceanos. O restante se distribui entre a superfície terrestre, o derretimento de gelo e neve e o aquecimento da atmosfera. Esse processo tem efeitos duradouros, como degradação de ecossistemas marinhos, perda de biodiversidade, menor capacidade de absorção de carbono, intensificação de tempestades e elevação do nível do mar. Para o Brasil, isso é especialmente relevante por causa do litoral extenso e da importância econômica de portos, cidades costeiras e atividades ligadas ao mar.

Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, a perda de massa de um conjunto de geleiras de referência ficou entre os cinco piores resultados já registrados. Oito dos dez balanços de massa mais negativos desde 1950 ocorreram a partir de 2016. Em 2025, a extensão média anual do gelo marinho no Ártico foi a menor ou a segunda menor já registrada, enquanto a da Antártida ficou na terceira menor marca, atrás de 2023 e 2024.

  • Desequilíbrio energético em 2025 no maior nível desde 1960
  • CO₂ com maior crescimento anual desde 1957 em 2024
  • Conteúdo de calor oceânico no maior nível em 66 anos
  • Oito dos dez piores degelos desde 1950 ocorreram a partir de 2016
  • Gelo marinho no Ártico e na Antártida abaixo da média de 1991 a 2020

Como a mudança do clima afeta a saúde humana?

A OMM incluiu no relatório um estudo de caso sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde. Um dos destaques é a dengue, cujos casos notificados atingiram os níveis mais altos já registrados, com expansão da transmissão para novas regiões e prolongamento do período de circulação em áreas onde a doença já era endêmica.

O documento estima que cerca de metade da população mundial esteja em risco de infecção e aponta entre 100 milhões e 400 milhões de casos por ano. Embora a transmissão também dependa de fatores sociais, ambientais e do sistema de saúde, o aumento das temperaturas e as mudanças nos padrões de chuva ampliam a eficiência do vetor.

No Brasil, a relação entre clima e dengue tem impacto direto na saúde pública, já que o país registra circulação do Aedes aegypti em grande parte do território. Como o texto original estava truncado, porém, não foi possível manter a frase final sem completar informação ausente.

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