A descarbonização do transporte marítimo não deve ser desacelerada apesar das incertezas regulatórias, alertaram os líderes da Sea Cargo Charter em declaração conjunta publicada em 24 de março de 2026. Segundo eles, o setor enfrenta um momento de pressão com mudanças nos prazos de políticas públicas e tensões geopolíticas, mas recuar agora pode comprometer metas de longo prazo e deixar empresas menos preparadas para futuras exigências. Para o Brasil, que depende do modal marítimo para escoar exportações e importar insumos por seus portos, mudanças nas regras e práticas do setor têm impacto direto sobre custos logísticos e competitividade.
De acordo com informações da Splash247, o posicionamento foi assinado por Engebret Dahm, presidente da Sea Cargo Charter e CEO da Klaveness Combination Carriers, e Christian Bonfils, vice-presidente da iniciativa e CEO e fundador da Copenhagen Commercial Platform.
Por que os líderes do setor pedem continuidade nos esforços?
Na avaliação dos dois executivos, o setor marítimo vive um período de teste à medida que cronogramas regulatórios mudam e o ambiente geopolítico se torna mais complexo. Eles citam atrasos na estrutura de emissão líquida zero da Organização Marítima Internacional e também uma crescente relutância de companhias em falar publicamente sobre compromissos climáticos. A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) é a agência da ONU responsável por regras globais para a navegação comercial, referência também para armadores, afretadores e operadores que atuam no comércio exterior brasileiro.
“É um momento difícil para a descarbonização do transporte marítimo.”
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Mesmo nesse cenário, os autores afirmam que abandonar ou reduzir os compromissos agora seria um erro. Para eles, o fato central permanece o mesmo: a indústria marítima precisa descarbonizar suas operações e empresas que mantiverem investimentos em dados e capacidade interna tendem a estar em posição melhor quando as regras forem endurecidas.
O que é a Sea Cargo Charter e qual é seu papel?
Lançada em 2020, a Sea Cargo Charter oferece uma estrutura para afretadores e armadores medirem e divulgarem o grau de alinhamento de suas atividades com as metas de emissões da Organização Marítima Internacional. A iniciativa reúne atualmente 33 signatários entre afretadores e operadores, distribuídos por áreas como commodities, energia e transporte por navios-tanque.
Segundo o texto, estruturas voluntárias como a da Sea Cargo Charter ganham importância justamente quando a clareza regulatória diminui. Elas permitem acompanhar emissões, comparar o desempenho de embarcações e incorporar critérios climáticos nas decisões de afretamento, em vez de deixar o tema restrito ao cumprimento formal de regras. No caso brasileiro, esse tipo de parâmetro interessa a tradings, exportadores e operadores portuários ligados a cadeias como grãos, minério e energia, fortemente dependentes da navegação internacional.
Como os dados de emissões estão sendo usados pelas empresas?
O relatório de divulgação mais recente do grupo aponta que os signatários estão reportando, em média, mais de 90% de suas emissões elegíveis. Para os líderes da iniciativa, isso indica adesão relevante ao modelo mesmo em um contexto em que parte da indústria prefere esperar por definições regulatórias antes de agir.
Os autores também destacam que a prestação de contas sobre emissões está sendo utilizada cada vez mais como ferramenta de gestão, e não apenas como obrigação de conformidade. Na prática, esse uso pode ajudar empresas a identificar ganhos de eficiência e melhorar o diálogo com contrapartes comerciais.
- Atrasos regulatórios foram apontados como fator de incerteza no setor.
- Os líderes defendem a manutenção de metas climáticas de longo prazo.
- O framework da Sea Cargo Charter busca medir e divulgar alinhamento com metas da IMO.
- Os signatários relatam, em média, mais de 90% das emissões elegíveis.
- O quinto relatório anual da iniciativa deve ser publicado em junho.
O que os dirigentes dizem sobre transparência e próximos passos?
Os executivos rejeitam a ideia de que a transparência deva perder prioridade em períodos de incerteza. Para eles, divulgar dados e manter compromissos públicos sinaliza liderança e credibilidade no longo prazo, além de preparar as companhias para um ambiente regulatório mais exigente.
“Recuar agora seria um erro do qual a indústria como um todo, e as empresas individualmente, se arrependerão.”
“A realidade de fundo não mudou: a indústria marítima precisa se descarbonizar.”
“A transparência é um sinal de liderança e credibilidade de longo prazo.”
A Sea Cargo Charter deve publicar seu quinto relatório anual de divulgação em junho, com maior foco em como os membros estão aplicando os dados de emissões na prática. Os autores também incentivaram empresas que ainda não participam da iniciativa a considerar adesão e a dialogar com a liderança do grupo em sua reunião anual, marcada para 30 de abril, em Genebra, após o evento Geneva Dry.
