O Brasil registrou, em 2025, um déficit comercial superior a US$ 10 bilhões na balança de dispositivos médicos, com importações de US$ 11,19 bilhões contra exportações de apenas US$ 1,15 bilhão. O dado, divulgado pela Monitor Mercantil, evidencia a forte dependência externa do país para abastecer um dos pilares do sistema de saúde: os equipamentos e insumos médicos essenciais a diagnósticos, cirurgias e monitoramento de pacientes.
A Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo) alerta que essa dependência compromete não só os custos, mas também a previsibilidade de abastecimento e a eficiência do atendimento tanto no Sistema Único de Saúde (SUS), sistema público de saúde do país, quanto na saúde suplementar. Segundo a entidade, o setor deve ser tratado como estruturante da política de saúde nacional.
Por que a dependência externa é problemática?
A necessidade constante de atualização do parque tecnológico hospitalar — impulsionada pelo aumento da demanda por exames, procedimentos cirúrgicos e monitoramento contínuo — exige acesso rápido e estável a insumos e equipamentos. A escassez ou volatilidade nos preços internacionais impacta diretamente o tempo de atendimento, a resolutividade clínica e o custo final do cuidado ao paciente.
“O dispositivo médico é o que viabiliza o diagnóstico e o tratamento. Sem tecnologia adequada, o sistema perde eficiência, aumenta custos e compromete a qualidade assistencial”, afirma Larissa Gomes, gerente de Projetos e Marketing da Abimo.
Quais são as propostas para reduzir a vulnerabilidade?
A Abimo defende a integração entre política industrial e política de saúde como estratégia de longo prazo. Entre as medidas sugeridas estão:
- Estímulo à inovação local no setor de saúde
- Criação de um ambiente regulatório previsível
- Adoção de critérios nas compras públicas que valorizem o desenvolvimento produtivo nacional
Segundo Larissa Gomes, “integrar política de saúde e política industrial é uma decisão estratégica. O acesso à tecnologia impacta diretamente a qualidade do atendimento e a eficiência do gasto público”.
O debate sobre a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro, portanto, passa necessariamente pela capacidade do país de desenvolver sua própria base produtiva em tecnologias médicas, reduzindo a exposição a choques externos e melhorando a equidade no acesso aos cuidados.



