O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), não comparecerá para depor perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o crime organizado. A sessão estava prevista para ocorrer nesta terça-feira, 7 de abril de 2026. A decisão foi comunicada oficialmente pela assessoria jurídica do político, marcando um ponto de inflexão nos trabalhos do colegiado que apura atividades ilícitas no país.
De acordo com informações do UOL Notícias, o posicionamento foi ratificado pelo advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido profissionalmente como Kakay. A defesa de Ibaneis Rocha não apresentou, no comunicado inicial, as justificativas detalhadas para a ausência, mas a confirmação de que o ex-mandatário do Distrito Federal não estará presente impacta o cronograma de oitivas planejado pelos parlamentares.
Por que a presença de Ibaneis Rocha é solicitada?
A convocação de autoridades em uma CPI tem como finalidade esclarecer fatos sob investigação. No âmbito da CPI do Crime Organizado, os parlamentares buscam compreender as redes de influência e possíveis omissões na segurança pública que permitam a expansão de facções. Ibaneis Rocha, por sua trajetória como governador, é visto como uma figura capaz de fornecer dados sobre a gestão da segurança em uma unidade da federação estratégica para o combate ao crime, por ser a sede dos Três Poderes.
As comissões parlamentares possuem poderes de investigação semelhantes aos das autoridades judiciais. No entanto, o rito de convocação permite que o convocado, assessorado por sua defesa técnica, avalie a conveniência jurídica do depoimento. Frequentemente, as defesas recorrem a instrumentos legais para garantir que seus clientes não sejam submetidos a situações de autoincriminação ou para assegurar que seus direitos fundamentais sejam respeitados durante o interrogatório político.
Qual a estratégia adotada pelo advogado Kakay?
A atuação de Antonio Carlos de Almeida Castro é pautada pelo garantismo jurídico, focando na aplicação rigorosa do devido processo legal. No contexto de Ibaneis Rocha, a estratégia da defesa visa resguardar o ex-governador de exposições desnecessárias ou de questionamentos que possam extrapolar o objeto da investigação. Kakay é uma figura central no cenário jurídico brasileiro, atuando em diversos processos que envolvem altas autoridades em tribunais superiores, como o Supremo Tribunal Federal (STF).
A recusa em depor ou a ausência em sessões de CPIs costuma ser acompanhada por petições judiciais junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Esses pedidos buscam liminares que permitam ao depoente não comparecer ou, caso compareça, ter o direito de permanecer em silêncio diante de perguntas que possam incriminá-lo. Até o momento, o colegiado aguarda as justificativas formais que serão protocoladas pela equipe jurídica do ex-governador.
Quais são as consequências para a CPI do Crime Organizado?
A ausência de um depoente relevante como Ibaneis Rocha obriga a comissão a reorganizar sua agenda e buscar fontes alternativas de informação. O regimento interno do Congresso Nacional prevê medidas específicas para casos de não comparecimento sem justificativa aceitável, embora a via do diálogo institucional seja a mais comum. Os principais caminhos para a comissão agora incluem:
- Reagendamento da oitiva para uma data futura, permitindo novo ajuste entre as partes;
- Convocação de assessores diretos ou outros agentes públicos ligados à gestão anterior do Distrito Federal;
- Aprofundamento na análise de documentos e provas técnicas já colhidas pela CPI;
- Requisição de informações formais que devem ser respondidas por escrito pelo ex-governador.
A continuidade dos trabalhos da CPI do Crime Organizado é acompanhada de perto pela opinião pública e por setores da segurança e do sistema de justiça. A expectativa é que o relatório final da comissão apresente um diagnóstico detalhado sobre a criminalidade no Brasil, propondo alterações legislativas e medidas administrativas para fortalecer o combate a organizações criminosas e melhorar a integração entre as polícias estaduais e federais.



