A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli apresentou recurso à Corte de Cassação da Itália na sexta-feira, 10 de abril de 2026. O objetivo é impedir a extradição de Zambelli para o Brasil. Ela foi presa em Roma após deixar o país, em razão de uma condenação no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa alega supostas irregularidades no processo conduzido no Brasil. De acordo com informações da Radioagência, o recurso questiona a decisão prévia da Corte de Apelação italiana que havia autorizado a extradição.
Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, a defesa também apontou condições inadequadas do sistema prisional brasileiro e fez críticas à atuação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, no caso. Além disso, supõe-se que não existe uma correspondência na legislação italiana para o delito de invasão de sistema informático, do qual Zambelli é acusada.
Qual é o papel da Corte de Cassação?
A Corte de Cassação representa a instância máxima da justiça italiana. A análise do recurso pode levar até seis meses. Se a decisão de extradição for mantida, a palavra final cabe ao Ministério da Justiça da Itália.
Carla Zambelli tem dupla cidadania e estava buscando permanecer na Itália desde que foi condenada a dez anos de prisão pelo STF. A condenação está relacionada a sua participação intelectual em um ataque cibernético ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), realizado pelo hacker Walter Delgatti. O objetivo do ataque era emitir um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Qual o impacto da condenação de Zambelli?
Após a fuga para a Itália, o governo brasileiro solicitou formalmente a extradição de Zambelli. A decisão da Corte de Cassação e a possível extradição de Zambelli têm consequências significativas para a aplicação das decisões judiciais internacionais e para as relações diplomáticas entre Brasil e Itália.