
No cargo desde o final de março de 2026, o novo titular da equipe econômica, Dario Durigan, que atuava como secretário-executivo da pasta, assumiu o comando do Ministério da Fazenda em Brasília enfrentando um cenário de intensa pressão sobre as contas públicas do país. A transição ocorre em um momento delicado, marcado por exigências de ajustes orçamentários, heranças da gestão de Fernando Haddad e a necessidade de acomodar demandas financeiras emergenciais típicas de um ano de eleições.
De acordo com informações da Agência Brasil, a chegada do ministro foi imediatamente seguida por ações restritivas no caixa. Logo nos primeiros dias à frente da pasta, foi anunciado um contingenciamento financeiro no Orçamento de 2026, um passo classificado como necessário para tentar garantir a estabilidade do novo arcabouço fiscal, aprovado em 2023.
Quais são as primeiras medidas de contenção adotadas?
A primeira grande movimentação financeira da nova gestão envolveu um bloqueio de R$ 1,6 bilhão nos cofres federais. Segundo analistas de mercado, o montante é considerado modesto frente às reais necessidades de adequação ao limite de crescimento real de gastos estipulado pelo governo, que permite um avanço máximo de 2,5% acima da inflação. O objetivo central dessa manobra é acomodar a expansão inadiável de despesas obrigatórias.
Embora a projeção oficial da equipe governamental indique um superávit primário de R$ 3,5 bilhões, a realidade fiscal demonstra outro panorama. Ao se contabilizar o pagamento de precatórios (dívidas do governo reconhecidas em definitivo pela Justiça) e outras despesas que correm fora das limitações do arcabouço, a própria administração federal projeta um déficit primário que alcança a marca de R$ 59,8 bilhões.
Como o novo ministro pretende lidar com demandas eleitorais e gastos emergenciais?
Paralelamente aos cortes, o Ministério da Fazenda articula iniciativas de impacto imediato na ponta do consumo. Para conter o encarecimento logístico e a inflação, o Executivo finaliza uma medida provisória que estabelecerá um subsídio de R$ 1,20 por litro para o óleo diesel importado. A política pública terá um custo estimado de R$ 3 bilhões, que será partilhado entre a União e os governos estaduais.
O planejamento de curto prazo também mira o cidadão comum. Com dados recentes do Banco Central do Brasil (BC) apontando que a inadimplência já compromete mais de 27% da renda mensal das famílias brasileiras, a equipe econômica elabora políticas de renegociação de crédito. Especialistas alertam que a medida precisa ser desenhada com cautela, pois a eventual ampliação de subsídios bancários poderia gerar um rombo ainda maior nas contas públicas do país.
O que muda na tributação de compras internacionais e no Imposto de Renda?
No campo tributário, existe a possibilidade de revisão da alíquota de 20% que incide sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. Essa cobrança, implementada no âmbito do programa Remessa Conforme, rendeu R$ 5 bilhões aos cofres da União no ano passado e auxiliou no cumprimento das metas estabelecidas, mas pode ser reduzida durante a campanha eleitoral. Para compensar gargalos de arrecadação, o foco volta-se para a desburocratização.
Uma das propostas para modernizar o sistema envolve a automatização da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). O modelo planejado foca em aprimorar a versão pré-preenchida, simplificando o processo para o contribuinte sem que isso represente renúncia de receitas essenciais para a manutenção da máquina estatal.
Qual é a visão dos especialistas sobre a credibilidade da atual política econômica?
As dificuldades enfrentadas pela atual gestão são vistas como reflexos de limitações estruturais de administrações passadas. A doutora em economia Virene Matesco, representante da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta a dívida pública em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB) como um entrave severo à atuação do Ministério.
“O governo atual não consegue cumprir as metas que ele mesmo estabeleceu no arcabouço”, declarou Matesco, acrescentando que o atual momento se traduz de forma complexa: “Existe uma crise de credibilidade fiscal”. A economista ressalta que o avanço inevitável dos gastos obrigatórios limita os aportes em infraestrutura e gera um ciclo de baixo crescimento, desequilibrando as despesas com juros e a capacidade de investimento estatal.
Por que o país enfrenta dificuldades para retomar o crescimento robusto?
Na análise de André Nassif, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), as adversidades decorrem de promessas muito ambiciosas firmadas no início do mandato de Haddad. A meta inicial de déficit zero para 2024 e os superávits projetados acabaram se provando inexequíveis. O prolongamento da meta de déficit zero para 2025 e a redução das expectativas para 2026 provocaram instabilidade e desconfiança no mercado financeiro.
O resultado desse planejamento incerto é o sufocamento dos investimentos públicos, que hoje estagnaram na faixa de 2,3% do PIB, taxa considerada insuficiente. Segundo Nassif, o Brasil permanece atrelado a um padrão econômico intermitente.
“O país não está entregando crescimento econômico. Continuamos no ‘stop and go’”, avaliou o professor universitário.
O desafio imediato listado para a nova chefia econômica abrange pontos centrais para o sucesso da governabilidade nos próximos meses:
- Estabilizar a relação entre a dívida pública e o crescimento do PIB nacional.
- Reconstruir a credibilidade do governo frente ao mercado financeiro doméstico e externo.
- Executar os pacotes emergenciais sem desrespeitar os limites do arcabouço fiscal vigente.


