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Crise do petróleo: AIE alerta para riscos de estoques excessivos e impacto global

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Brasília (DF), 31.01.2024 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, se reune com o Diretor Executivo da Agência I
Brasília (DF), 31.01.2024 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, se reune com o Diretor Executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, e Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Foto: Ricardo Stuckert/PR — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

O chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, fez um alerta no início de abril de 2026, em Londres, para que os governos globais resistam ao impulso de estocar petróleo e combustíveis durante a crise energética provocada pela guerra no Irã. O receio principal é que os suprimentos mundiais diminuam de maneira drástica caso o Estreito de Hormuz permaneça fechado para a navegação comercial. No Brasil, oscilações bruscas no mercado internacional costumam pressionar a política de preços da Petrobras, refletindo diretamente na inflação repassada aos consumidores nas bombas.

De acordo com informações do UOL Notícias, a declaração de Fatih Birol tem como alvo principal as políticas de retenção de exportações. A China, por exemplo, tornou-se a única grande nação a proibir o envio internacional de gasolina, diesel e combustível de aviação nas cinco semanas de conflito, enquanto a Índia aplicou taxas extras sobre as suas exportações.

Por que a proibição de exportações agrava a crise mundial?

O diretor da entidade destacou que grandes nações asiáticas detentoras de amplas refinarias precisam reconsiderar essas proibições. “Peço a todos os países que não imponham proibições ou restrições às exportações. É o pior momento quando se olha para os mercados globais de petróleo. Seus parceiros comerciais, aliados e vizinhos sofrerão como resultado”, afirmou o executivo ao Financial Times. Segundo ele, se as restrições totais continuarem, o impacto sobre todo o mercado asiático será dramático.

O apelo também recai sobre os Estados Unidos, onde existem rumores acerca de uma possível proibição na exportação de combustíveis refinados. No mercado americano, os preços da gasolina já ultrapassaram a marca de quatro dólares, o equivalente a R$ 20,64 por galão, enquanto o estado da Califórnia enfrenta a ameaça de escassez no fornecimento de combustível de aviação.

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Como o acúmulo afeta os esforços de estabilização do mercado?

Para tentar frear a alta dos preços, a agência liberou 400 milhões de barris de petróleo bruto e combustível das suas reservas de emergência. No entanto, a estratégia foi enfraquecida pelo comportamento de algumas nações. “Infelizmente, vemos que alguns países estão aumentando seus estoques existentes durante nossa liberação coordenada de estoques de petróleo. Eles estão estocando. Isso não ajuda”, lamentou o chefe da instituição.

Dados recentes ilustram o problema. Os inventários terrestres de petróleo bruto do território chinês devem aumentar em quase 120 milhões de barris ao longo do mês de abril, atingindo a marca de 1,3 bilhão de barris. Já nos Estados Unidos, apesar de o país ser o principal colaborador do plano de liberação, os volumes armazenados cresceram 5% na comparação com o ano passado.

Qual é o impacto do bloqueio no Estreito de Hormuz?

A interrupção do fluxo no Oriente Médio representa o ponto crítico da atual conjuntura. O Estreito de Hormuz (ou Ormuz) é uma passagem marítima vital entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, essencial para o escoamento de energia global. Caso a hidrovia não seja reaberta rapidamente após as ameaças iranianas contra embarcações, o mês de abril registrará a perda do dobro da quantidade de produtos refinados e petróleo bruto em comparação com o volume perdido no mês de março. Em períodos normais, um quinto de todo o gás natural liquefeito e do óleo cru do planeta trafega por esta rota marítima.

O monitoramento da infraestrutura energética regional revela dados alarmantes. Atualmente, existem 72 ativos danificados no setor de energia, dos quais um terço apresenta avarias severas ou muito severas. Entre as estruturas atingidas ou ameaçadas encontram-se:

  • Campos de extração de gás natural e óleo cru;
  • Oleodutos estratégicos para escoamento da produção;
  • Refinarias responsáveis pelo processamento de derivados;
  • Terminais de embarque de gás natural liquefeito.

Quais são as perspectivas para o futuro energético global?

Como alternativa para contornar a área sob risco, a Arábia Saudita redirecionou mais de dois terços das suas exportações por meio de um duto até o Mar Vermelho. Autoridades sauditas garantiram que a estrutura está bem protegida, mas um eventual ataque bem-sucedido a essa via traria consequências extremamente graves para a economia do planeta.

O cenário atual tem o potencial de redesenhar a matriz energética mundial, de forma semelhante aos choques das décadas passadas. A expectativa é que a instabilidade no fornecimento de hidrocarbonetos impulsione um novo ciclo de expansão da energia nuclear, acelere a transição para veículos elétricos e force a expansão acelerada de outras fontes renováveis, embora algumas nações ainda possam recorrer à queima temporária de carvão para suprir as lacunas imediatas.

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