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Crédito estruturado exige rigor para driblar a forte insegurança jurídica

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Mãos de executivos analisando documentos financeiros e gráficos complexos em uma mesa de escritório moderna.
Foto: Senado Federal / flickr (by)

O mercado brasileiro de fundos de crédito estruturado encerrou o ano de 2025 registrando uma dualidade em suas estatísticas. Enquanto o volume de novas operações e o patrimônio líquido mantiveram uma trajetória consistente de crescimento, a eficiência na recuperação de ativos não pagos permanece como um obstáculo crônico. Para mitigar os riscos gerados pela imprevisibilidade, as gestoras de investimentos precisaram aumentar o rigor na seleção de ativos e na estruturação de garantias operacionais.

De acordo com informações do Monitor Mercantil, a complexidade do ambiente jurídico nacional, que frequentemente altera a jurisprudência sobre distratos comerciais e índices de correção, impõe uma barreira direta ao custo do crédito no país.

Por que a recuperação de crédito é um desafio estrutural?

A dificuldade do sistema judiciário brasileiro cria um abismo em comparação com mercados desenvolvidos. Dados do setor financeiro apontam que a Europa consegue recuperar cerca de 90% dos créditos inadimplentes. No Brasil, entretanto, esse índice varia de 10% a 15%. Para neutralizar essa deficiência, instituições que gerenciam os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) — veículos de investimento lastreados em recebíveis, como duplicatas, parcelas e outros direitos de crédito — buscam estratégias focadas em uma formalização absoluta, utilizando monitoramento constante dos recebíveis e adoção de garantias híbridas.

O cenário demanda que o mercado de capitais assuma um papel de protagonismo que antes pertencia quase exclusivamente aos grandes bancos. Sobre esta transição, o CEO da Ouro Preto Investimentos, João Peixoto Neto, avalia que o setor privado precisa desenvolver soluções eficientes.

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O mercado de capitais tende a crescer cada vez mais na concessão de crédito, pois as instituições bancárias tradicionais focam em prestar serviços ou captar recursos para títulos públicos, evitando o risco direto. Quem assume esse papel é o mercado de capitais, por meio de quem sabe criar tecnologias para avaliar riscos e proporcionar retornos compatíveis.

Como as gestoras se destacam no controle de portfólios?

A adoção de boas práticas tem sido reconhecida tecnicamente pelo setor financeiro. Durante a primeira edição do prêmio Uqbar Top Dez, realizado em 26 de março de 2026, a gestora Ouro Preto foi eleita pelo voto popular como a Gestora do Ano de 2025. A instituição recebeu 411 dos 1.233 votos na categoria principal. A premiação é organizada pela Uqbar, plataforma de inteligência que monitora mais de nove mil operações e produz anuários analíticos do setor com base em rentabilidade e volume.

Além do prêmio principal, a gestora alcançou o segundo lugar na categoria de FIDC multicedente-multisacado por número de fundos e a terceira posição pelo critério de montante de patrimônio líquido. A manutenção da qualidade dos ativos é apontada pelos profissionais como fator determinante para a sustentabilidade ao longo das décadas.

A gente acredita muito no fator humano como diferencial nesse produto de gestão de patrimônio de crédito. Os fundos de investimento e a gestão de recursos no Brasil demandam resiliência, especialmente no mercado de crédito, que avança em alta velocidade.

A declaração acima pertence a Leandro Turaça, sócio-gestor da instituição premiada, que enfatizou a necessidade de o capital intelectual superar crises políticas, sociais e sanitárias, lembrando que a economia cíclica exige paciência e vigor administrativo perante o mercado financeiro.

Quais os impactos da regulação no futuro financeiro?

O evento de reconhecimento também serviu como espaço para o debate técnico sobre a integridade das finanças estruturadas. O economista Marcos Lisboa, convidado para palestrar, alertou para os riscos da leniência na autorregulação. Segundo ele, o custo da falta de rigor acaba recaindo sobre todo o sistema. Para o futuro, fatores vitais definirão o segmento:

  • Fortalecimento de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais no Brasil, e o Banco Central, para evitar a contaminação por práticas de instituições isoladas.
  • Adoção de uma transparência real por parte das gestoras, indo muito além do cumprimento de formalidades em relatórios de praxe.
  • Expansão da desintermediação bancária no Brasil de forma segura e estruturada.
  • Atração contínua de investidores institucionais por meio do aumento de credibilidade corporativa.

Para Carlos Augusto Lopes, CEO da Uqbar, a visibilidade dada aos gestores que se destacam analiticamente, sem julgamento de valor, é o principal caminho para incentivar as melhores práticas de informação técnica, garantindo a maturidade e a segurança operacional que o crédito nacional exige.

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